GIRO FINANCEIRO: EDSON ICHIHARA ENTREVISTA SAMUEL MAGALHÃES

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GIRO Financeiro: Edson Ichihara entrevista Samuel Magalhães

Dando continuidade ao projeto do Giro Financeiro, iniciativa do Jonatam Gebing, fundador do site Pobre Poupador, que consiste em uma série de entrevistas em blogueiros, hoje apresento a minha entrevista com o Samuel Magalhães, fundador do site Invista Fácil.

Entrevista

1) Como era a sua vida antes de começar a aprender sobre educação financeira e investimentos?

Minha vida não mudou muito, mas minha percepção sobre ela sim! À medida que passei a estudar sobre finanças pessoais e investimentos, comecei a dar mais importância ao planejamento e à organização financeira. Construí meu orçamento, minhas metas e passei a desenvolver uma visão mais de longo prazo. Isso certamente contribuiu para o meu desenvolvimento pessoal e profissional.

2) Qual foi sua motivação para esse aprendizado?

Meu interesse pelo tema começou na época da faculdade. Vi dois amigos conversando sobre investimentos em Bolsa e, pelo tom da conversa, pareciam estar ganhando um bom dinheiro. E, como acontece toda vez que vemos alguém ganhar dinheiro com alguma coisa, logo me interessei em aprender sobre o assunto. A partir daí, comecei a frequentar cursos, palestras e ler livros sobre o tema para aprimorar meus conhecimentos e obter êxito no mercado.

3) Por que é importante investir?

Vejo dois fatores como os principais. O primeiro motivo pelo qual devemos investir é para não perdermos dinheiro. Se deixarmos o dinheiro apenas na poupança, teremos uma rentabilidade real negativa, tendo em vista que a inflação é superior à rentabilidade da poupança.
Em segundo lugar, para alcançar nossas metas financeiras. Todos nós temos sonhos, e a maioria deles requer dinheiro para serem executados. Investir é a melhor maneira de tornar esses sonhos realidade. Para isso, basta pouparmos um pouco da nossa renda todo mês e adquirir bons ativos com o dinheiro poupado.

4) Qual é a sua expectativa de curto prazo para a economia do Brasil?

Estamos passando por um momento difícil que só deve melhorar a médio e longo prazo. As perspectivas para a economia como um todo não são boas. Entretanto, precisamos parar de reclamar dos problemas, das dificuldades e começar a buscar alternativas para fazer com que nossas empresas e nossas carreiras cresçam e se desenvolvam, independentemente da existência ou não de uma crise.

5) Qual investimento seria mais interessante durante essa crise?

Acho que o investimento mais adequado não diz respeito ao momento econômico pelo qual estamos vivendo, mas sim ao perfil e aos objetivos do investidor. Independentemente de crise, considero os Títulos Públicos e CDBs boas opções para o curto e médio prazo e as ações uma ótima opção para o longo prazo. Obviamente, o investidor deve saber escolher o ativo mais adequado aos seus objetivos, assim ele saberá que investiu seu dinheiro corretamente.

6) Um leitor gostaria de aprender mais sobre outras opções de investimentos, pois já existe muito material sobre LCIs, LCAs e Tesouro Direto disponível na web. Além disso, gostaria de saber leituras recomendadas para aprender sobre mercado financeiro.

Ficaria difícil tentar explicar sobre outras opções de investimento em poucas linhas. Sugiro ao leitor pesquisar sobre as alternativas de investimentos disponíveis para que possa conhecer todas e, a partir daí, definir quais as que mais o interessam para aprofundar seus conhecimentos sobre elas.
Sou um grande fã da Bolsa de Valores. Porém, infelizmente, vivemos em um país que não tem cultura de investimento, muito menos quando esse investimento é em renda variável. Essa falta de interesse gera excelentes oportunidades para quem sair na frente. Um dos melhores livros que eu já li sobre o tema foi “O Investidor Inteligente”, de Benjamin Graham. Para quem deseja aprofundar seus conhecimentos sobre renda variável, esse livro é leitura obrigatória.

7) Como planejar o seu orçamento com uma divisão interessante em gastos necessários, para lazer e para investimentos?

Sugiro ao leitor que fez a pergunta dividir da seguinte forma os pilares financeiros: receitas, despesas e investimentos. O ideal é somar tudo que ganhamos, diminuir daquilo que gastamos e poupar o restante para investir esse dinheiro. O ideal é que se invista em torno de 30% da renda. Quanto aos gastos, sugiro que separe as despesas por grupo: transporte, alimentação, casa, lazer, etc. Assim, fica mais fácil ter o controle e saber quanto se está gastando em cada área. Não existe um montante ideal para se gastar com coisas “necessárias” ou com lazer. O importante é haver um equilíbrio para que não falte verba para nenhuma despesa: nem as imprescindíveis, nem as de lazer.

8) Quais os cálculos a serem feitos para ver qual a melhor opção entre LCI ou CDB, já que um tem isenção do IR e o outro não?

O cálculo é bem simples. Basta deduzir o IR do CDB e comparar com a rentabilidade da LCI. O IR é de 22,5% até seis meses de aplicação; 20% de seis meses a um ano; 17,5% de um a dois anos; e 15% se o capital ficar investido por mais de dois anos.

9) Qual é a melhor Previdência Privada, como complemento de renda de aposentadoria?

Para ser sincero, não aprecio muito o investimento em previdência privada. A maioria esmagadora dos planos cobra taxas muito elevadas, o que compromete a rentabilidade do investimento. Caso o leitor que fez a pergunta esteja realmente querendo investir em previdência, sugiro que pesquise os planos disponíveis e opte por aquele com as taxas mais acessíveis. É sempre bom lembrar que a previdência não é a única maneira, nem mesmo a melhor de investir para a aposentadoria. Formar uma carteira de investimentos com ações de boas empresas, fundos imobiliários e títulos do Tesouro pode ser uma boa alternativa.

10) Como se proteger da inflação e de uma possível quebra de banco?

Uma boa maneira de se proteger da inflação é investir em Títulos do Tesouro que remunerem o valor da inflação (atrelados ao IPCA ou ao IGPM) e mais um determinado percentual. Assim, o investidor garante que terá ganhos reais. Já para se proteger da quebra de um banco, a única maneira é você colocando no máximo R$ 250 mil na instituição. Dessa forma, se você tiver com seu dinheiro na poupança ou tiver comprado o CDB de um banco que vier a quebrar, o Banco Central garante o ressarcimento do seu dinheiro até R$ 250 mil.

11) O que fazer para começar a investir em ações (como se fosse um passo a passo para quem nunca investiu)?

A primeira coisa a se fazer antes de investir em ações ou qualquer outro mercado é estudar. Você precisa conhecer as nuances daquele mercado para saber a melhor forma de ganhar dinheiro com ele. Feito isso, basta você abrir a conta em uma corretora e depositar o dinheiro que você pretende investir. A partir daí, você já estará apto para comprar suas primeiras ações. Basta escolher as empresas em que quer investir e enviar a ordem de compra para as ações daquela empresa. Volto a lembrar: o primeiro passo é aprender, todo o resto vem depois.

12) Qual seria uma última dica que você poderia apresentar para os nossos leitores a respeito de educação financeira?

O mais importante, em se tratando de educação financeira, é a própria educação, como o nome já diz. O caminho para atingirmos nossos objetivos financeiros é estar constantemente nos desenvolvendo enquanto profissionais e investidores, e a melhor forma de fazer isso é aprendendo. Aprendendo com livros, cursos, palestras, com o dia a dia. Não importa a maneira, o importante é aprender.

Essa foi a entrevista com o Samuel Magalhães, do Invista Fácil.

Abraço!

Edson Ichihara

  • chrystian

    Edson gostaria de entender melhor relação DESAGIO/ AGIO em relação a formação de preços de títulos, assim como a variação dos indexadores influenciam em ganhos e perdas em caso de retiradas antes do vencimento. Sou principiante e lendo isso no site do TD, simplesmente travou.

    agradeço sua disponibilidade desde já.

  • Edson Ichihara

    Obrigado pela mensagem Chrystian. O preço do desagio / agio é definido pelo Tesouro Direto, de forma que sempre o preço de venda é menor que o de compra. Em relação a variação do preço pelos indexadores, vc precisa entender sobre valor nominal. Esse valor, é o valor futuro que vc ganhará com o título. No pre fixado ele é 1000 reais cada título, mas no IPCA ela varia de acordo com o IPCa e no Selic varia de acordo com a Selic. E as taxas pre fixadas elas variam de acordo com procura/demanda do titulo, com a taxa Juros Futuro (se a economia está instavel, a tendencia é aumentar as taxas).. Veja esse excelente video do Juliano Custodio que vc entenderá https://www.youtube.com/watch?v=ErNTivslFjI

  • Anderson Henrique Chaves

    Excelente entrevista DR
    Antes de mais nada, conhecimento e estudo é fundamental para iniciar nos investimentos.
    Nunca esquecer as regras de ouro de Warren Buffet
    1- nunca perca dinheiro
    2- nunca esqueça a regra número 1
    abç e bons investimentos!!!!

  • Kennedy Linhares

    Muito boa a entrevista! Parabéns!