3 DICAS PARA SE PROTEGER DOS RISCOS DA CORRETORA

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3 dicas para se proteger dos riscos da corretora

Na semana passada, a liquidação extrajudicial da Corretora TOV e do Banco Azteca causou um agito no mercado financeiro.

Muitos leitores nos enviaram perguntas, preocupados com o risco atrelado a suas corretoras e o que acontece com os investimentos nesses casos de encerramento das atividades da corretora.

Primeiramente, é importante saber que o risco de seus investimentos não está na corretora, que apenas intermedia as transações, mas sim no custodiante, que é a CBLC (para Tesouro Direto e bolsa de valores) e a Cetip (para títulos privados).

Por isso, se você tinha investimentos em uma dessas instituições liquidadas, basta você solicitar a transferência da guarda dos investimentos para uma outra instituição que você escolher.

Para saber mais detalhes sobre como fazer isso, clique aqui.

O que é a CBLC?

A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia é um departamento da BM&F Bovespa responsável pela custódia dos investimentos negociados na Bovespa.

O que é a Cetip?

A Cetip é uma empresa de capital aberto que oferece serviços de registro, central depositária, negociação e liquidação de ativos e títulos.

Dentre muitas funções, ela é a depositária dos títulos privados, como CDB, LCI, LCA e LC, oferecidos por bancos e outras instituições financeiras.

Como elas garantem a segurança dos meus investimentos?

Essas empresas garantem que os investimentos estejam sempre registrados no nome e CPF do investidor, em vez de estarem no nome da corretora utilizada.

Veja agora três dicas para você se proteger dos riscos da corretora:

1) Consulte o CEI (Canal Eletrônico do Investidor) da Bovespa

Se você negocia títulos públicos (Tesouro Direto) e outros tipos de ativos negociados em bolsa de valores (como ações e fundos imobiliários), será capaz de visualizar a lista de seus investimentos neste portal:

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Acesse-o neste link:

Quando você cria uma conta em corretora, ela deve encaminhar seus dados de acesso para o CEI. Caso você não receba, entre em contato com a corretora e solicite seu acesso.

Nesse portal, você confirma se seus investimentos estão mesmo registrados em seu CPF. Basta clicar em “Carteira de Ativos”, que você poderá ver os seus investimentos.

A “Posição da Carteira de Ativos” mostra o gráfico em pizza para ilustrar como está sua alocação em cada tipo de investimento.

Há também outras funções no portal, mas, neste artigo, o importante é você saber que ele serve como uma verificação de que seus investimentos estão seguros e em seu nome.

2) Solicite os extratos da Cetip

Caso você faça investimentos em títulos privados (CDB, LCI, LCA), sua corretora ou seu banco devem registrar esses investimentos na Cetip.

Eles também devem enviar periodicamente (via de regra, mensalmente) o Extrato de Custódia de Ativos da Cetip, que contém a lista dos ativos. Veja um exemplo:

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Esse arquivo normalmente é um PDF e tem um selo da Cetip em marca d’água no meio da página.

No caso, esse é um investimento feito pela corretora Easynvest. O extrato não é enviado por e-mail, mas pode ser encontrado na seção “Custódia” na página da corretora.

Caso a Easynvest venha a declarar falência no futuro, os investimentos estarão a salvo, pois a custódia deles está na Cetip e você só precisará abrir a conta em uma nova corretora e solicitar a transferência.

Guarde os extratos de seus investimentos para facilitar o trâmite caso você precise passar por esse procedimento.

3) Não deixe valores parados na conta da corretora

Caso a corretora seja liquidada e você tenha dinheiro não investido na conta da corretora, o processo de recuperação é mais complicado e está explicitado no item 4 deste link que coloquei no início do artigo.

Para evitar essa dor de cabeça, deixe o mínimo possível parado na conta da corretora.

Invista todo o dinheiro ou resgate o valor de volta para sua conta corrente.

Atente-se para corretoras que cobram valores para resgatar o dinheiro, pois, em alguns casos, você acabará pagando mais pelo resgate do que de fato o valor que você tem na conta.

Também tome cuidado com os valores das taxas de corretagem, pois muitas vezes não compensa pagar 10 reais, por exemplo, para investir 50 reais.

São pequenos detalhes que acabam influenciando no resultado final de seu investimento.

4) Dica extra: Analise a saúde financeira da corretora

A liquidação extrajudicial da TOV e do Banco Azteca foram acontecimentos imprevisíveis. Não tinha como saber que isso aconteceria.

No entanto, a falência de uma corretora é algo imaginável caso você veja que a corretora não anda bem das pernas.

Se você quer evitar a dor de cabeça de passar por uma transferência de custódia dos ativos, pode tentar diminuir o risco disso ao operar por corretoras com balanços favoráveis.

No próprio site de cada uma delas, é possível verificar esses balanços. Caso não encontre, o nosso amigo Google também pode ajudar.

Vale ressaltar, porém, que instituições com a saúde financeira mais favorável costumam cobrar taxas mais altas.

Cabe a você ponderar o que pesa mais: os custos mais altos que incidem nas suas operações ou a dor de cabeça de uma possível liquidação da corretora.

Considerações finais

Munido dessas informações, agora está em suas mãos avaliar se seus investimentos estão seguros ou se você precisa tomar alguma medida de segurança em seus hábitos.

Continue estudando sempre, pois o conhecimento é nossa melhor forma de proteção.

Grande abraço!

Vitor Hernandes