ALOCAÇÃO DE ATIVOS É A MELHOR ESTRATÉGIA?

Você nunca ouviu falar sobre alocação de ativos?

Não se preocupe, pois, após a leitura deste artigo, você entenderá como funciona e poderá avaliar se a estratégia serve para você.

Com certeza, você (ou alguém que você conhece) já investiu na bolsa de valores com o objetivo de multiplicar seu dinheiro em pouquíssimo tempo.

Eu também já pensei assim e nem preciso dizer que quebrei a cara por tentar me aventurar na bolsa de valores sem o devido conhecimento.

Leia este artigo no qual digo como perdi 70% do que tinha na bolsa de valores.

Um dos principais motivos foi ter investido praticamente todo meu dinheiro em uma única ação.

Eu não tinha muita noção do conceito de diversificação, que é a principal base da alocação de ativos.

A alocação de ativos tem como objetivo otimizar as melhores escolhas de onde investir, de modo a balancear a sua carteira ou portfólio com base na relação de risco e retorno.

Isso é feito de uma forma muito simples: você define que tipos de investimentos deseja ter na carteira (títulos públicos, títulos privados, ações, fundos imobiliários, dólar, bitcoins) e quanto cada um desses tipos representará no seu portfólio.

Por exemplo, você pode determinar que deseja ter 60% do seu capital em títulos públicos, 30% em ações e 10% em dólar.

No entanto, essa decisão não deve ser tomada aleatoriamente, e sim com base em seus objetivos, idade, perfil de risco, estabilidade de renda, formação familiar, conhecimento, correlação entre os investimentos, etc.

Quais são as principais vantagens dessa estratégia?

VANTAGENS

a) Mais diversificação e menos risco de perdas

Como dito anteriormente, a principal característica da alocação de ativos é a diversificação e, consequentemente, a diluição do risco.

Muitos pensam, equivocadamente, que uma carteira composta somente por títulos públicos é mais segura do que uma com títulos públicos e ações.

Porém, nos títulos públicos, o risco está concentrado totalmente no Governo, que, embora tenha poucas chances de dar um calote, poderia imprimir mais papel moeda, gerando uma hiperinflação e desvalorizando o real.

Se você tiver ações, é provável que elas também se desvalorizem nesse cenário, mas não necessariamente com a mesma força da moeda. Afinal, elas são pedaços de empresas reais.

Além disso, devemos entender risco não somente como a possibilidade de gerar perdas financeiras, mas entendê-lo como a chance de acontecer algo inesperado.

Portanto, ao investir em ativos de maior risco de perda, também estamos aumentando nosso risco de obter maior retorno (enquanto o risco de rentabilidade dos títulos públicos é muito limitado).

b) Menos custos, tempo e estresse

Muitos pensam que investir é ficar na tela do computador comprando e vendendo ações ou outros tipos de ativos.

Isso que descrevi é a estratégia de trading, que busca ganhos mais rápidos, mas toma mais tempo, gera mais custos operacionais e aumenta o seu estresse.

Fazer trading não é errado, mas optar por essa estratégia deve estar de acordo com seu perfil.

Na alocação de ativos, você fará compras em períodos espaçados, por exemplo, uma vez por mês, quando receber seu salário e destinar o valor que será investido.

Essa periodicidade pode ser menor ou maior, de acordo com sua disponibilidade, mas acredito que mensalmente é o que funciona melhor para a maioria das pessoas.

c) Mais disciplina e tranquilidade

Como você definirá a periodicidade de seus investimentos, isso trará uma disciplina em suas ações.

Além disso, você deixará de tomar decisões emocionais e passará a tomar decisões racionais, com base naquilo que estipulou em sua alocação.

Assim, sua carteira ficará em piloto automático, trazendo muito mais tranquilidade para sua vida, pois você não precisará ficar pensando em seus investimentos e libera seu cérebro para atividades mais importantes ou prazerosas para você.

Uma outra vantagem da alocação de ativos é que você, automaticamente, comprará os ativos “na baixa”, ou seja, desvalorizados (conforme veremos a seguir).

COMO COLOCAR A ALOCAÇÃO DE ATIVOS EM PRÁTICA?

Agora que você já viu as vantagens que essa estratégia pode trazer, vejamos como aplicá-la na prática.

Primeiramente, você deve definir que tipos de investimento farão parte de sua carteira. Utilizarei o seguinte exemplo:

– 30% em títulos públicos
– 20% em títulos privados
– 20% em fundos imobiliários
– 20% em ações
– 5% em dólar
– 5% em bitcoins

Definida essa alocação, você começará a montar sua carteira aos poucos, sem pressa de alcançar exatamente esses percentuais.

Vejo muitos investidores iniciantes que já querem, no primeiro instante, ter uma carteira com 50 diferentes ativos, totalmente diversificada.

Isso servirá apenas para pulverizar seu dinheiro e aumentar demais seus custos, a menos que você já tenha um patrimônio considerável para fazer essas alocações.

O ideal é que, em cada mês, você escolha um ou dois ativos diferentes e invista.

Sim, no início, sua carteira estará totalmente desbalanceada com base no que você definiu. Porém, como seu valor ainda será baixo, não tem grande problema.

Você pode começar pelos ativos de menor risco (se for conservador) ou pelo que estiver “mais descontado” (de acordo com seus critérios de avaliação).

Isso somente nos primeiros aportes, pois, posteriormente, sua alocação sempre será direcionada para o ativo que estiver mais longe do percentual estipulado.

COMO REBALANCEAR A CARTEIRA?

Vamos supor que se passaram alguns meses de aportes e oscilações, e sua carteira está assim:

– 24% em títulos públicos
– 18% em títulos privados
– 22% em fundos imobiliários
– 27% em ações
– 1% em dólar
– 8% em bitcoins

Veja que você está com a alocação abaixo da pretendida em títulos públicos, títulos privados e dólar.

Isso não significa necessariamente que você perdeu dinheiro nessas aplicações, mas pode ser que os outros investimentos se valorizaram ainda mais, o que fez com que eles os superassem percentualmente.

A alocação de ativos tradicional sugere que seja feito o rebalanceamento da carteira aqui, isto é, vender os ativos mais valorizados para comprar os que ficaram para trás no percentual desejado.

Não gosto muito dessa ideia de vender os ativos simplesmente porque se valorizaram. Isso porque pode ser apenas o início de uma valorização e você pode acabar perdendo uma subida ainda maior.

Além disso, fazer o rebalanceamento dessa forma aumenta seus custos por ficar vendendo e comprando ativos.

Prefiro que seja feito o rebalanceamento aos poucos utilizando os aportes.

Portanto, nessa carteira, seria interessante direcionar os novos aportes para títulos públicos, títulos privados e dólar, podendo escolher apenas um deles caso julgue mais interessante.

Lembre-se que não é necessário deixar os percentuais exatamente iguais aos definidos, mesmo porque isso nunca acontecerá. Eles servem apenas como um direcionamento.

Talvez nesse momento fosse interessante direcionar totalmente o aporte para o dólar, pois, como ele está bem descolado do percentual definido, significa que está bem descontado em relação ao restante, ou seja, você estará comprando “na baixa”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A alocação de ativos é uma estratégia de implementação muito simples e eficaz, que pode ser usada por investidores de qualquer nível de conhecimento.

Se você se interessou pelo assunto e gostaria de saber mais, sugiro a leitura do e-book “Alocação de Ativos”, do Henrique Carvalho.

Caso tenha alguma dúvida ou sugestão de como se utilizar a alocação de ativos, deixe um comentário.

Grande abraço!

Vitor Hernandes

  • malanar11

    Também gosto dessa visão da alocação de ativos onde não se resume a apenas a retornar aos valores definidos inicialmente comprando e vendendo ativos. Vejo como dificuldade de execução da estratégia de alocação de ativos (seja compra e venda ou novos aportes) associar o perfil de cada um com o momento econômico de forma a melhorar os ganhos. Por exemplo, atualmente temos cenário de queda da SELIC, o que propõe esticar um pouco mais a parcela em renda variável, reduzindo a parcela em renda fixa e conforme o perfil de cada um, essa esticada vai ser mais longa ou mais curta.

  • Vitor Shimada Hernandes

    Fala, Malanar!

    Conforme as ações forem subindo, a alocação percentual de ações na carteira ficará maior, o que direcionará seus novos aportes para a renda fixa.

    Acho isso interessante, pois, embora a tendência das ações atualmente seja de subida, não sabemos o que acontecerá em breve a cada escândalo político e com as eleições batendo à porta.

    A qualquer momento, pode dar um estresse no mercado e derrubar as ações novamente.

    Por outro lado, também não gosto da ideia de vender as ações para rebalancear, porque, caso continuem subindo, você perderia essa valorização.

    Acho a alocação de ativos interessante por isso. Ela retira suas decisões emocionais e achismos, pois na verdade ninguém sabe o que acontecerá no futuro.

    Agora, concordo que a estratégia deve ser adaptada de acordo com o perfil de cada um!