CLASSIFICAÇÃO DE RISCO DE BANCOS NÃO SERVE PARA NADA

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Quase diariamente, temos recebido perguntas de leitores no nosso grupo de discussão no Facebook sobre comparação entre bancos de pequeno e médio porte.

Normalmente, utilizamos esses bancos para investir em títulos privados (CDB, LCI, LCA) com melhor rentabilidade do que grandes bancos, como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander.

Conheço muitos que defendem investir por esses bancos de maior porte por causa da segurança, ou mesmo abrir mão de investir em títulos privados e ter somente títulos públicos via Tesouro Direto.

Respeito essa opinião, mas sinceramente não acredito que o risco seja tão elevado assim e a rentabilidade extra pode ser bastante significativa. Explicarei melhor ao longo deste artigo.

A questão é que a probabilidade de quebra/falência desses bancos menores é muito maior. Então, acabamos tendo que analisar os ratings, balanços e outras características desses bancos para diminuir nosso risco.

Porém, será que fazer essas análises é realmente relevante?

O Que São as Agências de Rating?

Para fazer as avaliações desses bancos de pequeno e médio porte para investirmos, gosto bastante do Banco Data, que compila as informações das principais instituições financeiras.

Normalmente, a página de cada instituição vem acompanhada de uma nota de classificação de risco (rating):

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Nessa página do Banco Itaú, por exemplo, é apresentado o rating das 3 principais agências de rating do mundo (Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s), que avaliam o risco de crédito de países, instituições financeiras e até mesmo empresas e investimentos.

As classificações AAA, Aa1 e AA- são as notas que tais agências deram para o Itaú de acordo com as opiniões das avaliações delas, enquanto a indicação de “Estável” ou “Negativa” é a expectativa da nota na próxima avaliação (se permanecerá a mesma ou cairá um nível).

Clique aqui e veja a página com as escalas de ratings dos principais bancos brasileiros. Assim, você terá uma visão geral de quais bancos são considerados mais confiáveis ou mais arriscados.

No entanto, uma questão muito curiosa é que, para realizar essas avaliações, são as próprias instituições financeiras avaliadas é que contratam tais agências de rating.

Ou seja, as agências são remuneradas pelo Banco F para fazer a avaliação dele mesmo. Será que essas notas refletem a real situação do banco?

Além disso, pode ser que um banco com rating A (e bons balanços) venha à falência ou mesmo sofra intervenção do Banco Central por conta de fraudes, que foi o que aconteceu com o Banco Cruzeiro do Sul em 2011.

Ou mesmo que um banco com bom Índice Basileia e prejuízo não tão alto sofra liquidação extrajudicial por causa de descumprimento de normas, como foi o caso do Banco BRJ.

Por outro lado, temos o Banco Indusval, que coleciona prejuízo atrás de prejuízo e ainda está de portas abertas.

Essas agências de rating também sofrem muitas críticas com relação à crise do subprime nos EUA em 2008.

Veja este vídeo do canal de Eduardo Cavalcanti que mostra alguns trechos questionando a idoneidade e a qualidade dos serviços prestados por essas agências:

Há motivos de sobra para se desconfiar dessas classificações.

Quando elas erram, a justificativa é de que são meras opiniões e que não devem embasar uma decisão.

Eu olho esses dados rapidamente por cima, mas acredito que não devem fazer grande diferença na sua decisão de investimento e, muito menos, ser o único fator de comparação.

Avaliar o Balanço dos Bancos é Importante?

Já que a classificação de risco não é um fator tão determinante para suas decisões, qual seria a melhor maneira de avaliar uma instituição financeira confiável para investir?

Quando investimos em títulos privados, significa que estamos emprestando dinheiro a essas instituições financeiras.

Portanto, o nosso risco está ligado à capacidade de ela conseguir pagar o empréstimo no vencimento determinado na compra do título.

Um dos principais fatores que eu costumava analisar era o lucro dos últimos trimestres daquele banco.

Veja o gráfico do Banco Bradesco:

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É um balanço que apresenta lucro ininterrupto há mais de 2 anos (e, se buscar um período maior, verá que já tem lucro há mais de 10 anos).

Isso significa que investir em um CDB do Bradesco teria um risco de crédito baixíssimo. Por conta disso, a rentabilidade desse CDB é muito inferior à de bancos pequenos e médios.

Dificilmente, você encontrará um CDB de mais de 100% do CDI no Bradesco, mesmo para quem investir milhões de reais.

Isso por conta da segurança percebida e também da comodidade dos clientes em não quererem sair de um banco grande. Ou mesmo da falta de conhecimento de outras opções mais rentáveis.

Por outro lado, veja o lucro líquido do Banco Modal:

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Ele vem alternando lucros e prejuízos e até agora não quebrou. É claro que poderia quebrar a qualquer momento.

No entanto, caso ele oferecesse rentabilidades muito superiores aos demais, não descartaria a possibilidade de investir um pouco lá.

De acordo com o App Renda Fixa, no momento que escrevo este artigo, temos CDB do Banco Modal com rentabilidade de 123% do CDI.

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Considerando o CDI atual de 14,13%, isso daria uma rentabilidade de 17,38% ao ano, ou seja, mais de 3% a mais do que um CDB de 100% do CDI.

Isso significa que é sempre melhor escolher os que estão com os balanços ruins?

Não é bem assim.

No entanto, se você escolhe um CDB de 5 anos, muito pode acontecer durante esse período. O banco pode ter lucros com mais consistência ou pode começar a apresentar prejuízos maiores e chegar até a quebrar.

Mesmo um banco com balanços razoáveis poderia sofrer esse tipo de alteração nesse período.

Portanto, já faz algum tempo que passei a considerar pouco relevante essa análise de balanços também.

Isso seria sim muito importante (e até essencial) caso você fosse investir em ações desses bancos, pois você estaria se tornando sócio do negócio. Nesse caso, seria obrigatório analisar balanços e avaliar se é uma empresa com boa perspectiva de longo prazo.

Para ter o banco somente como devedor, a análise de crédito não precisa ser tão rigorosa assim, justamente porque a capacidade de ele honrar seus compromissos pode variar durante os anos.

“Então, é melhor voltar para os bancos grandes, que aí o risco de crédito é mínimo e eu não terei preocupações.”

Se estiver disposto a abrir mão de uma rentabilidade bem maior em troca de uma pequena segurança a mais, a decisão está correta sim.

Agora, explicarei por que não acho necessário fazer isso.

Por Que Prefiro Investir em Bancos Menores?

Em primeiro lugar, prefiro os bancos menores porque consigo rentabilidades muito maiores do que conseguiria em um bancão.

Por exemplo, a Caruana Financeira está oferecendo RDB com rentabilidade de 135% do CDI, com certeza muito acima do que as ofertas que vemos atualmente.

Se olharmos o balanço da Caruana, veremos que ela vinha apresentando lucro com consistência e apresentou grande prejuízo no último trimestre:

Pode ser um dos motivos de ela estar oferecendo títulos com rentabilidades tão altas. Ao fazer isso, ela consegue investidores que estão dispostos a correr um risco um pouco maior para ter uma rentabilidade melhor.

O segundo motivo de eu preferir bancos e financeiras de menor porte é que os títulos privados têm a cobertura do FGC.

Ele garante o reembolso do investimento mais os rendimentos até a data da quebra de uma instituição, dentro do limite de R$ 250.000,00 por instituição por CPF.

Ou seja, se você tiver investido 300 mil reais na Caruana e ela quebrar, você recuperará 250 mil.

Se tiver investido 150 mil na Caruana e 150 mil no Banco Modal e ambos quebrarem, você recupera os 300 mil reais.

É claro que o ressarcimento por parte do FGC pode levar meses, mas, tendo um planejamento adequado, isso não seria grande problema.

Veja aqui que existem casos em que o pagamento é feito em menos de 1 mês, sendo que o mais longo foi de cerca de 6 meses.

O terceiro ponto que eu gostaria de salientar é que, caso um banco de pequeno ou médio porte quebre, o FGC teria totais condições de arcar com o pagamento de todos.

Agora, o que aconteceria em caso de quebra do Banco do Brasil, por exemplo?

O FGC não teria condições de ressarcir todos os investidores.

Significa, então, que devemos investir em qualquer banco e torcer para não quebrarem?

Falarei a seguir sobre a minha maneira de investir e diminuir esses riscos.

Como Investir em Títulos Privados com Risco Reduzido?

Primeiramente, é sempre bom relembrar que não existe investimento sem risco.

Seja poupança, previdência privada, Tesouro Direto, CDB de bancos grandes, todos eles têm seus respectivos riscos.

Uma das maneiras mais eficientes de se reduzir risco é por meio da diversificação, seja ela entre tipos de investimentos diferentes como também dentro da mesma modalidade de investimento.

Por exemplo, mesmo que a Caruana tenha um RDB com uma rentabilidade excelente, você nunca deve colocar todo o seu dinheiro ou grande parte dele somente nesse investimento.

O que não me incomoda fazer é ter aplicações distintas em Caruana, Modal, Máxima, Fibra, Indusval, etc. Todos esses apresentam problemas financeiros e talvez tenham títulos com boas rentabilidades.

Acredito que não seja arriscado demais ter participação pequena em cada um, pois dificilmente haverá uma quebra generalizada e você depender do FGC em todos os seus títulos.

Veja aqui o histórico dos bancos que quebraram. Em 2014, não tivemos nenhuma quebra. Em 2015 e 2016, somente uma.

Em anos anteriores, tivemos casos de mais de uma quebra no mesmo ano, mas são exceções. Veja que de 2005 a 2010 não teve nenhum caso.

Feitas essas considerações, utilizo os seguintes parâmetros como controle de risco (você pode adequar da maneira que quiser):

– Investir, no máximo, R$ 100.000,00 em uma instituição. Isso dá margem para que o título renda e nunca supere o teto do FGC, caso ele precise ser acionado.

– Investir, no máximo, 25% do seu patrimônio em uma instituição.

Portanto, vamos supor que você tenha R$ 100.000,00 para investir. Você não colocará o valor total em um único banco. Coloque o máximo de R$ 25.000,00 para poder diversificar com os 75% restantes.

É claro que, se você tiver R$ 20.000,00 e o valor mínimo para investir no CDB que você deseja é de R$ 10.000,00, isso corresponderá a 50% e você não conseguirá diversificar muito.

Assim, ficaria muito arriscado você colocar metade do que tem em algum CDB com risco mais alto.

Outro detalhe essencial é que, antes de considerar esses títulos privados de maior risco, você já deve ter a reserva de emergência formada.

Considerações Finais

Apresentei neste artigo meu modo pessoal de investir em títulos privados.

Acredito que eles sejam interessantes para ter uma rentabilidade um pouco maior do que nos títulos públicos e um risco menor do que a renda variável.

Também penso que não seja necessário despender muito tempo para ficar analisando rating, balanços e demais características dos bancos.

Vejo quais bancos oferecem boas rentabilidades, passo rapidamente pelos balanços para ter uma visão geral e avaliar quanto estou disposto a colocar nesse banco.

O importante é que se tenha uma diversificação adequada.

E você? Qual sua estratégia de investimento? Deixe um comentário abaixo!

Grande abraço!

Vitor Hernandes