É O FIM DA RENDA FIXA?

Nos últimos meses, temos visto o Copom reduzir a taxa Selic seguidamente com grande intensidade. Muitos investidores preocupados têm feito a seguinte pergunta: é o fim da renda fixa?

Quando vejo essa pergunta, parece-me um pouco radical demais dizer que um investimento deixou de ser interessante.

Porém, até entendo a preocupação, já que vimos a Selic Meta ser reduzida de 14,25% para 8,25% em um período de apenas 1 ano (e com expectativa de diminuir ainda mais).

Para quem estava acostumado a manter seus investimentos na segurança da renda fixa, recebendo mais de 12% líquido ao ano, realmente é um grande baque.

Vejamos então como está a rentabilidade de alguns investimentos para saber como nos portar daqui para frente.

O TESOURO DIRETO PERDEU SUA ATRATIVIDADE?

No momento em que escrevo este artigo, o Tesouro Direto está com os seguintes títulos disponíveis para compra:

Os títulos Tesouro IPCA+ estão oferecendo uma rentabilidade na faixa dos 5% (alguns até abaixo disso), enquanto, há 1 ano, essas taxas estavam por volta de 6,8%.

Se voltarmos um pouco mais, para o final de 2015 e início de 2016, essas taxas chegarem a bater mais de 7,5%!

Quem comprou os títulos nessa época está já com uma valorização bem expressiva em menos de 2 anos.

Os títulos Tesouro Prefixado estão com 8% para o de 2020 e 9,5% para o de 2023. Há 1 ano, encontrávamos algo na faixa de 13%. Há 2 anos, chegou a bater até 16%!

O Tesouro Selic mostra apenas o pequeno ágio ou deságio em relação à Taxa Selic Over, que é a base de rentabilidade desse título.

Como ele acompanha de perto essa variação, é um título que passou de cerca de 14,15% ao ano para 8,15% atualmente.

É inegável dizer que as taxas de hoje já não parecem mais tão interessantes quanto antes (e ainda parece haver espaço para mais quedas).

Pessoalmente, o único título que eu compraria ainda é o Tesouro Selic.

Isso porque ele não tem o risco de desvalorização e, assim, pode ser usado para uma reserva de emergência ou de oportunidades.

A POUPANÇA AGORA ESTÁ MAIS INTERESSANTE?

Outra dúvida muito comum é se a caderneta de poupança voltou a ser mais interessante que o Tesouro Direto agora.

Quando a Taxa Selic começou a ser reduzida, já comecei a alertar aqui no site que a rentabilidade da poupança também depende dos juros do país (leia o artigo aqui).

Isso fica ainda mais gritante a partir do momento em que a Taxa Selic chega a 8,5% ou menos.

Quando a Selic igual ou abaixo de 8,5%, a rentabilidade da caderneta de poupança muda. Ela deixa de ser 0,5% ao mês + TR e passa a ser 70% da Selic Meta + TR.

Isso significa uma rentabilidade anual de 5,95% + TR.

Acontece que, em um cenário de juros baixos, a TR (taxa referencial) também fica muito baixa. Atualmente, a taxa está em 0,5967% no ano de 2017.

Somando isso aos 5,95%, teríamos 6,5467% de rentabilidade no ano.

O Tesouro Selic, quando a Selic Meta está em 8,5%, rende cerca de 8,4% (Selic Over). Se fôssemos descontar o imposto de renda na maior alíquota (22,5%), teríamos 6,51% líquido.

Isso significa que, em um prazo até 6 meses, a caderneta de poupança teria uma rentabilidade levemente superior ao Tesouro Selic.

No entanto, conforme aumentamos o prazo do investimento, a rentabilidade líquida do Tesouro Selic fica cada vez maior, principalmente pelo fato de o imposto de renda ser descontado apenas no final.

A uma alíquota de 20%, já teríamos a rentabilidade líquida em 6,8%.

Portanto, para decidir entre caderneta de poupança ou Tesouro Selic, defina quando precisará utilizar esse dinheiro.

Para a reserva de emergência, o Tesouro Selic continua sendo a melhor escolha, já que é um valor, teoricamente, para longo prazo, que você pretende nunca precisar usar.

E OS TÍTULOS PRIVADOS?

Eu mencionei que, dos investimentos em Tesouro Direto, acho interessante somente o Tesouro Selic no momento.

No entanto, para substituir os demais títulos, acredito que há boas opções em CDB e LCI.

Ainda encontramos CDBs de até 121% do CDI e LCIs de até 99% do CDI, que são rentabilidades ainda interessantes para o momento.

Também há CDBs de 6,25% + IPCA e LCIs de 4,5% + IPCA.

No Yubb, você encontra esses tipos de investimentos e consegue compará-los também.

VALE A PENA INVESTIR EM AÇÕES AGORA?

A tendência natural do mercado financeiro é de que, quando as taxas de juros do país estão baixas, muitos investidores migram para a bolsa de valores na expectativa de ganhar mais.

Isso significa que hoje é mais atrativo investir em ações?

É preciso estar ciente de que o mercado financeiro age sempre com antecedência aos fatos.

Devo lembrar que o Ibovespa saiu de um fundo em 37 mil pontos para seu novo topo histórico de 76 mil pontos, superando a marca anterior de 73.920 pontos, de 2008.

No entanto, se considerarmos a inflação do período, o Ibovespa deveria superar 130 mil pontos para ultrapassar seu topo histórico.

Portanto, fica muito difícil saber se essa alta das ações chegou ao fim ou está apenas começando.

No Brasil, a política mexe demais com a bolsa de valores e, a cada dia, temos influências de notícias.

Em 2018, teremos as eleições, nas quais ainda há grandes indefinições, o que gera uma única certeza para nós: instabilidade.

É necessário ter cautela se você pretende investir em ações simplesmente para especular e surfar nessa onda altista.

A qualquer momento, a onda pode virar e levar embora os lambaris.

Portanto, caso queira especular, faça seu devido controle de risco com estudo e disciplina.

Se não quiser ter grandes estresses e não se incomoda muito com as oscilações, e ainda assim pretende ter uma parcela do capital no mercado acionário, sugiro a estratégia de dividendos.

Quem investe em ações para receber dividendos não precisa se preocupar com os preços. O estudo a ser feito é sobre os fundamentos da empresa e a capacidade dela em gerar lucros consistentes.

Historicamente, as boas empresas costumam pagar cerca de 5% ao ano em forma de dividendos, além de sua possível valorização na bolsa.

Mas o pulo do gato, na verdade, é que essas boas empresas podem aumentar muito o seu lucro ao longo dos anos e, com isso, tendem a aumentar os dividendos distribuídos.

Para aprender mais sobre essa estratégia com dividendos, indico o webinário do André Fogaça.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora a Taxa Selic tenha reduzido drasticamente, os juros continuam altos, e a renda fixa não precisa ser totalmente descartada de sua carteira de investimentos.

Ela ainda pode fazer parte do portfólio, principalmente de investidores mais conservadores.

Você não deve passar a investir em ações somente porque acha que a renda fixa não está mais interessante.

As ações podem (e até devem) fazer parte de seu portfólio, desde que feito com estudo e planejamento, de acordo com seu perfil.

Lembrando que o investimento em ações serve para especulação (feita com controle de risco) ou para longo prazo, como uma espécie de aposentadoria.

Já o investimento em renda fixa é o mais adequado para objetivos de curto e médio prazo, principalmente aqueles que já têm um prazo bem definido, nos quais não se pode correr o risco de ter seu capital desvalorizado.

Portanto, não é o fim da renda fixa. Ela pode estar rendendo menos no momento, mas ainda tem grande importância no portfólio do investidor.

E na sua opinião? A renda fixa já era? Deixe um comentário.

Grande abraço!

Vitor Hernandes

  • ROXS

    Olá Vitor, acho que a partir da metade do 2018 a taxa básica vai voltar a subir, o histórico do brasil nos ensina.
    A inflação no Brasil, par mim é ainda um assunto incompreensível. Já falei no grupo de FB que, até quando o Brasileiro tem que gastar 35/40 salários mínimos para comprar um carro popular, fica difícil intender qual o critério da politica monetária em relação a taxa básica, sem falar do poder de alguns empresários poderosos que conseguem ganhar sobre o cambio do dólar e na bolsa de valores ilicitamente, através de jogadas politicas sujas, com este tipo de acontecimentos, fica ainda mais complicado fazer previsões e acreditar nas noticias dos economistas do governo. Mas enfim abaixo de 7% acho que não vai ficar e para mim será ainda uma boa taxa. Um abraço Vitor e parabéns pelo artigo, também concordo com você, a renda fixa não morreu.

  • Vitor Shimada Hernandes

    Fala, Roxs!

    Concordo com você! Historicamente, a inflação e a taxa de juros que estamos presenciando não se mantêm.

    O que eu não compraria hoje, conforme falei no artigo, são os títulos do Tesouro Prefixado e IPCA+, pois se desvalorizarão quando a taxa de juros eventualmente voltar a subir.

    Entrar nos títulos privados ainda considero razoável, pois eles não sofrem essa marcação de mercado tão nítida e ainda estão com taxas de rentabilidade aceitáveis.

    Mas é como você disse: no Brasil, é complicado fazermos previsões de qualquer coisa!

    Grande abraço!