7 INVESTIMENTOS DE RENDA ZERO

Talvez você nunca tenha ouvido falar de investimentos de renda zero. No entanto, com certeza aplica ou já aplicou em algum.

Na minha Pós-graduação em Finanças, Investimentos e Banking, tive uma aula sobre produtos financeiros com o professor Edgar Abreu (uma das maiores referências em cursos de certificações de bancários), na qual ele introduziu esse conceito muito interessante.

Sabemos que existem investimentos de renda fixa e de renda variável. No entanto, há outros que não se encaixam em nenhuma das duas definições.

Daí, a criação de uma nova classe de ativos (não oficial, mas apenas sugerida por ele), que é a de investimentos de renda zero.

Porém, antes de falar sobre a renda zero, acho fundamental destacarmos aqui as diferenças entre renda fixa e renda variável (embora eu já tenha feito neste artigo).

O QUE É RENDA FIXA?

Investimentos de renda fixa normalmente são empréstimos.

Emissores que precisam captar recursos financeiros emitem títulos, que servem para oficializar um contrato de empréstimo.

Por exemplo, o Governo Federal emite títulos públicos federais. Quando você compra esses títulos, está emprestando dinheiro ao Governo, que promete devolver seu empréstimo acrescido de juros.

Em um investimento de renda fixa, já é sabido no momento da aplicação qual a forma em que esses juros serão pagos para você.

Esses juros são a rentabilidade de seu investimento, que pode ser prefixada (valores já definidos, como 1%, 7%, 12%…) ou atrelada a algum índice, como Taxa Selic, IPCA, IGP-M, CDI, etc.

Portanto, investimentos de renda fixa são aqueles que já sabemos a forma de rentabilização.

Dentre esses investimentos, podemos destacar os títulos públicos (Tesouro Direto), CDB, LCI, LCA, LC, RDB, debêntures, CRI, CRA, fundos de investimento em renda fixa, etc.

O QUE É RENDA VARIÁVEL?

Investimentos de renda variável são caracterizados pela propriedade de algum bem, ou seja, somos donos de uma fração de algo maior.

Como somos donos, não temos como garantir nenhum tipo de rentabilidade. Nosso ganho depende da performance de nossos ativos.

Se investimos em ações, somos donos de uma parte da empresa. Essa empresa, por sua vez, pode gerar lucro, que pode ser distribuído em forma de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

Além disso, as ações podem se valorizar, gerando ganho de capital aos acionistas.

No entanto, esses ganhos são desconhecidos no momento da aplicação.

Quando você compra uma ação, não sabe se ela se valorizará 70% ou se renderá 150% do CDI e nem quanto distribuirá em forma de dividendos e JCP.

Dentre investimentos de renda variável, podemos destacar ações, fundos de investimentos não renda fixa, imóveis, etc.

No entanto, há investimentos que não geram renda diretamente, como dólar e ouro.

Muitos especialistas classificam esses ativos como renda variável, mas o professor Edgar Abreu surge com uma outra proposta de classificação.

O QUE É RENDA ZERO?

Partindo do ponto que uma moeda, como o dólar, não distribui renda diretamente, como pode ser chamado de renda variável?

Muitos pensam erroneamente que a renda variável é assim chamada porque os preços dos ativos oscilam.

Porém, na realidade, chama-se renda variável porque a distribuição de renda não é fixa.

No caso do dólar, a única maneira de lucrar é por meio de ganho de capital, no qual está havendo somente variação no seu principal investido, e não propriamente gerando renda.

Portanto, ele só pode ser considerado um ativo de renda zero.

Achei essa classificação muito interessante e, com isso em mente, destaco agora 7 investimentos de renda zero (alguns são surpreendentes).

1) MOEDAS

Já aproveitando o exemplo do dólar, as moedas são ativos de renda zero, porque não geram nenhuma renda por si mesmas.

Para se lucrar com uma moeda, você deve comprá-la em um preço e esperar sua valorização, que gera um ganho de capital.

Ultimamente, muito tem se falado do bitcoin como um excelente investimento, enquanto outros defendem que ele não é um investimento por não gerar renda.

Se fosse assim, teríamos inúmeros investimentos que não poderiam ser considerados como investimento.

Considero o bitcoin um investimento de alto risco e de renda zero.

Uma outra forma de ganho de capital com moedas é por meio da coleção e negociação de moedas raras.

2) METAIS PRECIOSOS

De forma semelhante ao dólar, o ouro é muito usado em grandes carteiras como forma de hedge (proteção) a oscilações de outros ativos.

No entanto, por ser um investimento de renda zero, ele é descartado por muitos investidores, já que dificilmente se valoriza consideravelmente ao longo dos anos.

Além do ouro, existem outros metais preciosos que podem compor seu portfólio, como prata, platina, irídio e paládio.

3) IMÓVEIS

O que os imóveis fazem dentro desta categoria? Eles não são considerados renda variável?

Aqui está algo muito interessante.

Alguns tipos de investimento não se encaixam exclusivamente em uma única classificação.

Acredito que os imóveis podem ser encaixados em qualquer uma das 3, de acordo com a situação em que se encontrar.

O mais comum em um investimento em imóvel é disponibilizá-lo para aluguel e receber, mensalmente, um valor determinado em contrato. Nesse caso, ele pode ser considerado renda fixa, pois você sabe quanto receberá e qual será o reajuste anual que ele sofrerá.

No entanto, se você não conseguir alugar esse imóvel, ele não estará gerando renda alguma, ou seja, vira um investimento de renda zero, no qual há somente oscilação do principal investido (valor do imóvel).

É possível também que seja renda variável, mas não porque seu preço varia, e sim porque seu aluguel pode variar.

Suponha que você é dono de um shopping. Você pode fazer um contrato com os lojistas de X reais e mais algum percentual de suas vendas como forma de aluguel.

Nesse caso, você tem uma renda variável, pois não sabe quanto será o valor das vendas daquela loja.

Portanto, o imóvel é um exemplo interessante de que as classificações dos investimentos são situacionais.

4) TÍTULOS PÚBLICOS

Aqui vai por água abaixo tudo o que estudamos sobre investimentos.

Sempre tivemos como certo que os títulos do Tesouro Direto são investimentos de renda fixa.

Isso se aplica sim ao Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais e ao Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, pois distribuem uma renda a cada semestre.

Os demais títulos públicos são investimentos de renda zero, pois é somente o seu principal que oscila (podendo até dar prejuízo).

Então, na próxima vez que alguém falar que Tesouro Direto é renda fixa, você pode responder que a maioria dos títulos são renda zero.

5) TÍTULOS PRIVADOS

O mesmo podemos falar dos títulos privados, como CDB, LCI, LCA, etc.

A maioria desses títulos não distribui renda.

Sua rentabilidade vem exclusivamente na valorização do título, que é resgatado no vencimento.

Antes disso, você não recebeu renda alguma.

Uma exceção que conheço é a LCI do Banco Inter com pagamento de cupons semestrais.

No mais, esses títulos são de renda zero.

6) FUNDOS DE INVESTIMENTO

Bom, a essa altura, você já entendeu a lógica do que é um investimento de renda zero.

A maioria dos fundos de investimento não distribui renda.

Você precisa vender suas cotas para realizar algum lucro, ou seja, ganho de capital.

7) AÇÕES

As ações são um dos únicos instrumentos que realmente distribuem renda, via dividendos e JCP.

No entanto, elas também podem ter renda zero, no caso de empresas que não estejam distribuindo proventos.

Mais um exemplo de que o investimento não faz parte de uma única classificação.

Caso você queira aprender como investir em boas ações pagadoras de dividendos, veja este excelente webinário de meu amigo André Fogaça.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A renda zero não é uma classificação oficial.

Ela é uma proposta interessante trazida pelo professor Edgar Abreu e que achei legal compartilhar com você.

Fica a seu critério a nomenclatura que quiser utilizar em conversas informais!

E aí, conhece mais algum investimento de renda zero? Deixe aqui nos comentários!

Grande abraço!

Vitor Hernandes