OS SEGREDOS DO FGC – FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITOS

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Os Segredos do FGC…

Espero que você já tenha decidido abrir a sua conta na corretora e escolheu sua corretora com a ajuda de nosso artigo. Mas, como já passei por essa situação, a próxima dúvida que temos é: investir no Tesouro Direto ou nas várias alternativas de renda fixa que a corretora oferece?

No nosso último artigo, o Vitor explicou de forma bem didática como realizar a comparação dos ativos de renda fixa. Provavelmente, algumas alternativas da sua corretora possuem uma rentabilidade maior que o Tesouro Direto.

Veja as alternativas de CDB da Rico que encontrei hoje:

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Ou de LC da Easynvest:

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Ou CDB da Easynvest:

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Ou LCI/LCA da Easynvest:

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Observe que são todas com taxas boas, variando de 118 a 125% do CDI para CDB, 121% do CDI para LC e 95 a 96% do CDI para LCI/LCA.

Nesse momento, devemos pensar: qual será o risco desses investimentos? Eles têm alguma garantia?

Nesse artigo, vou explicar sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Há muitos bons artigos sobre o FGC, mas ainda restam muitas dúvidas sobre ele. Com o auxílio do site oficial do FGC e entrando em contato com eles por telefone, vou detalhar tudo o que você deve saber sobre o FGC.

O que é o FGC?

O Fundo Garantidor de Créditos foi fundado no dia 16 de novembro de 1995 com o objetivo de proteger depositantes e investidores do Sistema Financeiro Nacional, além de contribuir para manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e evitar uma crise bancária sistêmica.

O FGC é como um seguro da sua conta. Mas não pense que ele não tem custo. Todo mês, você contribui com 0,0125% das suas aplicações para o FGC. É por isso que ele possui um patrimônio líquido de 40,733825 bilhões de reais.

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De acordo com o último relatório de dezembro de 2014 , 99,68% dos clientes (205.687.731 clientes) estão cobertos pelo FGC.

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Muitos questionam se realmente deixar a garantia nas costas do FGC é segurança o suficiente. Pelos números acima, percebe-se que o FGC é uma instituição séria e que consegue garantir a cobertura da maioria dos clientes. Agora, vejamos as regras para você ter essa cobertura.

As regras do FGC

O limite de cobertura do FGC é de 250 mil reais por CPF/CNPJ e por instituição financeira ou conglomerado. Esse limite já chegou a ser somente 20 mil reais, mas agora temos uma garantia ainda maior.

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E como saber quais instituições fazem parte? Há uma lista no site do FGC . Atualmente, a adesão de novas instituições financeiras ao FGC é obrigada pelo Banco Central do Brasil.

Alguns exemplos de instituições financeiras que fazem parte do FGC são Máxima, Original, Luso-Brasileiro, BTG Pactual e Omni Financeira, entre vários outros.
Ou seja, esses bancos possuem a mesma garantia que os bancos maiores, como Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Itaú.

Quais os tipos de investimentos cobertos pelo FGC?

Veja a lista (retirada do próprio site do FGC):

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Todas as aplicações citadas anteriormente, da Rico e da Easynvest, são cobertas. Para esclarecer, CDB são Depósitos a prazo com emissão de certificado, LCI são Letras de crédito imobiliário, LCA são Letras de crédito do agronegócio e LC são Letras de câmbio nessa lista do FGC.

É preciso saber que há investimentos que não têm cobertura do FGC: fundos de renda fixa, fundos DI, fundos multimercados, ações, debêntures, fundos de investimento imobiliário, previdência privada, entre outros.

Conhecer o FGC é importante para todos os brasileiros, porque o seu dinheiro no banco possui essa garantia. Mesmo que não tenha investimentos em uma corretora, as aplicações no seu banco também possuem essa garantia do FGC.

Quando o FGC é acionado?

Quando um banco decreta falência, o dinheiro aplicado pelos clientes é devolvido pelo FGC. Após pagar os clientes do banco falido, o FGC se torna o credor do banco. Ou seja, o FGC paga aos clientes do banco falido, e este banco torna-se devedor do FGC. Depois de acertos entre o banco e o FGC, o banco falido é obrigado a pagar o FGC.

A demora do pagamento do FGC para os clientes decorre devido à demora da divulgação da lista dos clientes que possuíam aplicação no banco. Se o banco falido for impedido pela Justiça de divulgar essa lista ao FGC, isso atrasará o pagamento aos clientes. Temos que saber que o FGC paga a todos os clientes do banco falido em um mesmo processo, ou seja, não tem como uma pessoa individualmente receber o seu dinheiro antes dos outros clientes.

Antes de um banco decretar falência, ele pode ser submetido a regimes especiais. Existe o Regime de Administração Especial Temporária (RAET), que mantém a instituição funcionando com administração indicada pelo Banco Central. A tabela abaixo mostra quanto tempo demorou para os clientes receberem seus valores investidos após o decreto de RAET.

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Os outros regimes especiais são: a intervenção, que tem sido pouco utilizado, e a liquidação extrajudicial, quando consideramos o banco falido.

Veja a lista do número de clientes que foram pagos pelo FGC:

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Com isso, podemos acreditar que o FGC realmente paga aos clientes do banco antes mesmo de o banco falir totalmente (quando estão em regime especial), mas isso pode levar um tempo maior dependendo do processo judiciário em que o banco falido se encontra. A partir do momento que o FGC recebe a lista dos clientes, esse processo de pagamento se torna mais rápido.

Veja qual o caminho do processo:

Banco Falido (ou em regime especial) -> Lista de clientes -> FGC -> Pagamento aos clientes

Depois: Banco Falido (ou em regime especial) -> Pagamento ao FGC (Recuperação na tabela abaixo)

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Agora que você já conhece essas estruturas sobre o FGC, darei 5 dicas:

1) Tenha no máximo 200 mil reais em uma instituição financeira

Como o FGC protege até o valor de 250 mil reais, procure ter no máximo 200 mil reais aplicados em uma instituição financeira (contando conta corrente, aplicações, poupança) para se assegurar de que os rendimentos também sejam cobertos na garantia.

Uma pessoa com 300 mil reais em um único banco grande tem mais risco que uma pessoa com 150 mil reais em dois bancos pequenos.

2) Lembre-se que o FGC paga a remuneração até o episódio de falência

Como assim? Deixe-me explicar:

Você aplicou 100 mil reais em um CDB que rende 10% ao ano.

Se o banco falir depois de 3 meses, o FGC vai pagar 100 mil reais mais o rendimento de 3 meses. Muitas pessoas acham que o FGC pagaria o rendimento de 1 ano, mas é somente do rendimento até o episódio de falência.

3) Cuidado com as contas conjuntas

O valor máximo de 250 mil reais é por conta. Mesmo se tiver 300 mil reais (150 mil reais para cada CPF) na conta, o valor máximo de cobertura é de 250 mil reais (125 mil reais para cada CPF)

4) Guarde o extrato mensal de suas aplicações

Controle os seus investimentos e ainda tenha documentos que provem as suas aplicações. Esse documento é importante no caso de o banco falir. Quando ocorre compra pela corretora, é importante exigir o CETIP Certifica da corretora. Isso faz com que sua aplicação em renda fixa seja registrada em seu CPF. Quando o banco tem a falência decretada, é importante você provar que tem a titularidade das aplicações.

5) Diversifique por instituições financeiras

Mesmo que tenha essa garantia do FGC, é melhor diversificar seus investimentos em várias instituições financeiras. Caso necessite do FGC, você não ficará desamparado se tiver aplicações em mais de um banco. O processo de receber o dinheiro do FGC pode demorar devido a questões judiciais.

E não se esqueça de sempre avaliar se os investimentos são cobertos pelo FGC!

Curiosidades sobre o FGC

Existe um Programa de bolsa de estudos de financiamento à Pesquisa FGC em matéria de garantia de depósitos.

O FGC concede 2 bolsas para projeto de monografia de conclusão de curso (7 mil reais), 2 bolsas para projeto de dissertação de mestrado (20 mil reais) e 1 bolsa para projeto de dissertação de doutorado (40 mil reais).

O FGC faz parte da Associação Internacional de Garantidores de Depósitos – IADI.

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Como pudemos ver, o FGC oferece garantia sobre vários tipos de investimentos financeiros.

Além disso, a própria saúde financeira do FGC é robusta o suficiente para garantir o reembolso da maior parte dos investidores com aplicações atualmente.

Caso você tenha alguma dúvida, deixe seu comentário abaixo.

Abraço!

Edson Ichihara

  • Clayton Fernandes

    Excelente conteúdo, eu tinha “um pé atráz” em investir em bancos menores…foi exclarecedor!!!

  • Edson Ichihara

    Obrigado Clayton! Esse foi exatamente o objetivo do artigo! Eu tb tenho mais confiança no FGC agora!

  • André Luiz Hernandes

    Excelente artigo Edson! Muito didático e traz confiança e tranquilidade para quem lê.

  • Edson Ichihara

    Valeu André! O pessoal tinha muitas dúvidas sobre FGC, e resolvi fazer um guia rápido!

  • William De Lucca

    Olá ex. apliquei em LC e a instituição vem a falir, o que devo fazer, mando email para quem ?

  • Edson Ichihara

    Olá William. Vc deve se proteger assim: tenha um extrato da sua aplicação com seu nome e CPF (se a corretora for CETIP certifica, ele mandará para vc tot mês). Isso será uma prova que sua aplicação está no seu nome. O banco falido vai mandar uma lista para o FGC dos clientes, e após esse processo, o FGC entrará em contato com o investidor/cliente. Por isso, deixe sempre atualizado seus contatos. Agora o que demora é o banco mandar essa lista. Depois, o FGC consegue ser rápido para devolver o dinherio ao cliente.

  • Marina Alves

    Excelente, parabéns pelo artigo. Abs.

  • Vinicius Mello Lima

    Gostei muito do artigo! Uma dúvida ficou, vou colocar meu exemplo:

    Tenho uma conta na Easynvest e apliquei metade do meu dinheiro em um CDB do banco original e a outra metade no tesouro direto ou em um cdb de outro banco. A cobertura de 250000 reais é relativa à Easynvest como um todo ou a cada uma das instituições onde coloquei o dinheiro?

  • Edson Ichihara

    Olá Vinicius! Ótima pergunta! É para cada aplicação em um banco. No seu caso, 250 mil para o banco Original e 250 mil para o outro banco. O Tesouro Direto não tem cobertura do FGC, mas ele é mais seguro (O próprio FGC investe em titulos publicos federais). Para vc ter mais segurança que suas aplicações estão no seu CPF, existe o CETIP Certifica. Vc deve receber o extrato dela mensalmente.

  • Débora

    Muito obrigada pelo artigo, Edson!
    Só tenho uma dúvida: imagine o seguinte cenário, investi 550mil em um banco e este veio a falir. O FGC irá me ressarcir 250mil e eu perderei 300mil (mais os rendimentos)? Ou perderei o montante total (550mil + rendimentos)?

  • Edson Ichihara

    Olá Debora! Obrigado pela mensagem! Vc receberá 250 mil e perderá o restante!

  • Ivan Matos

    Excelente! Parabéns, guerreiro!

    Eu mesmo investi recentemente num CDB do Banco Máxima de 116% do CDI, mesmo ele não possuindo classificação de nenhuma agência (vi isso pelo próprio menu da easynvest, que foi a corretora que usei). Mas fui tranquilo, devido à garantia do FGC.

    Mas tenho uma dúvida, se o banco falir, o processo para reaver meu investimento pelo FGC dá muito trabalho? Terei que abrir um processo, com papelada, contratação de advogado e etc, gerando mais custos para mim…?
    Ou é tudo praticamente automático e sem custos judiciais?

    Você acha que eu deveria me preocupar com a classificação de agências, antes de investir (mesmo que abaixo de 200 mil)?

  • Edson Ichihara

    Olá Ivan… Obrigado pela mensagem! O processo de reaver o investimento depende de cada caso.. Depende se o banco liberar os nomes do cliente. depende do processo juridico..mas depois q o FGC tem em mãos os nomes do clientes afetados é rápido.. Não precisa de advogado..vc vai receber por email, telefone, ou até no site as instruções.. Para vc conhecer os bancos, vc precisa conhecer como anda a contabilidade dela..use este site que ajuda http://www.bancodata.com.br/ .. o ideal é um banco com boas receitas, bons lucros, com bons clientes pagadores… Bons investimentos

  • Ivan Matos

    Poooow, que legal!!!

    Muito obrigado pelas dicas!!!!

  • Ivan Matos

    Olá, Edson!
    Existe alguma chance de eu levar um calote do banco, mesmo se ele não falir?

    E se isso ocorrer, o FGC me restituiria?
    Abraço!

  • Edson Ichihara

    Olá Ivan. Obrigado pela mensagem. Com as regras atuais, com a necessidade de ter seus investimentos certificado pela CETIP, é bem difícil ocorrer um calote. Quando vc investe nesses titulos privados, tenha certeza que estão no seu CPF. Isso vai garantir sua segurança e caso precise do FGC vai ser mais rápido a restituição.

  • Ivan Matos

    Entendi! Muito obrigado!!!

  • Dettonny Detony

    Muito bom o artigo…. Tão bom que os posts nem tem dúvidas.. só elogios.. 🙂 A “ideia básica” continua a mesma… “evitar colocar todos os ovos no mesmo cesto”…. Valeu…

  • Edson Ichihara

    Obrigado pelo Elogio Dettonny!

  • Gustavo F

    Excelente artigo, Edson, Você poderia responder a seguinte pergunta?
    Fiz uma aplicação em CDB e LCA, diretamente em um banco (daycoval) sem corretora.
    porem como não recebi o extrato do Cetip Certifica, por eles fiz o questionamento, do porque não me enviaram.

    Resposta que eles deram : O Banco Daycoval não participa do Cetip Certifica em razão de ser disponibilizado ao cliente em nosso site Dayconnect a Nota de Negociação das aplicações efetuadas.
    Na Nota de negociação constam todas as informações do investimento como: Valor, prazo, taxa de rentabilidade, ativo de registro na Cetip; dados da instituição financeira e do cliente.

    Eu realmente verifiquei esta informação é confere, a pergunta é, eu guardando estas nota de negociação já é suficiente caso venha ocorrer algo grave com o BC, para que eu possa receber de volta meus investimentos pelo FGC,

    Muito Obrigado.