POR QUE NÃO COMPENSA COMPRAR UM IMÓVEL?

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Está em dúvida entre comprar um imóvel ou viver de aluguel?

Então este artigo foi escrito para você, que se encontra nesse dilema.

Digo isso por experiência própria. Recentemente, estava sentindo isso na própria pele e, após muito pensar e estudar sobre o assunto, cheguei à minha decisão.

Um pouco do que estou passando…

Durante a batalha mental que travei em minha mente, levei em consideração muitos fatores, desde a enorme vontade em ter um imóvel próprio (comprar) e não depender mais de ninguém para morar (morar de favor), passando pela hipótese em ter de pagar um valor fixo mensal para um terceiro para residir em um local que nunca seria meu (alugar), até o pensamento frio e calculista do ponto de vista financeiro tão somente.

Tinha em mente que devia tomar uma decisão sábia, afinal não podia dar um passo em falso e perder uma excelente oportunidade de comprar um imóvel ou de investir em outra opção. Time is money, my friend!

Estava procurando um imóvel há meses, quando, subitamente, surgiu um com valor de mercado muito abaixo dos demais, exatamente com as características que eu queria como primeiro bem, custava cerca de R$ 105.000,00 e poderia valorizar uns R$ 15.000,00 quando o revendesse.

Eu tinha o suficiente para pagá-lo quase à vista. “Chegou a hora da verdade”, pensei. Todavia, esse bem ficava em uma região um pouco afastada do centro da cidade e levaria certo tempo para revendê-lo, caso eu desejasse.

Logo, descartei a hipótese de adquiri-lo, mesmo que praticamente à vista, pois eu utilizaria todo o meu capital em um bem que não me traria um lucro 100% garantido.

Não demorou muito e apareceram outros imóveis, logo quando o governo cortou pela metade o incentivo ao financiamento, fazendo com que o valor caísse em relação ao período anterior. Tudo parecia conspirar para a aquisição da casa própria.

Como passei a analisar racionalmente, em vez de emocionalmente?

Sentei-me e coloquei no papel todas as possibilidades futuras, tentei deixar de lado o fator emocional nessa hora. E isso foi muito importante.

No meu caso, eu teria de financiar parte do imóvel, assumindo, assim, uma dívida por um longo período. Financiaria metade do bem, um imóvel que só seria meu depois de quitado o financiamento, pois, caso não cumprisse aquela obrigação, o banco, dentro do seu direito, tomaria aquele bem e eu ficaria a ver navios.

Muita coisa pode acontecer durante o prazo de um financiamento. Assim como eu também poderia receber uma boa quantia a títulos de honorários, já que sou advogado, podendo quitar todo o financiamento de uma tacada só.

Então eu pensava: tenho R$ 100.000,00. Comprarei um imóvel de aproximadamente R$ 200.000,00 (na minha cidade, encontro bons imóveis a esse valor) e assumiria as prestações do financiamento.

Meus amigos que financiaram diziam: “as parcelas do financiamento são decrescentes. Veja bem, você começa pagando um valor e, ao final, estará pagando cerca de 1/4 do valor da primeira prestação. Além disso, a valorização do salário mínimo será inversamente proporcional, ou seja, daqui a 20 anos, o salário estará valendo mais e a prestação terá caído. É uma maravilha!”

Então, compensa mesmo esse negócio de financiamento?

Algo ainda me tirava o sono e não parecia assim tão simples.

Comecei a colocar em números e me surpreendi com alguns dados. Veja a simulação que fiz no site da Caixa:

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Perceba que maravilha: a última prestação será de R$ 264,87, sendo que a primeira foi de R$ 1.034,60!

Isso se deve ao SAC (Sistema de Amortização Constante). Era isso o que os meus amigos falavam, mas que eu tinha sérias reticências.

Estudando melhor, vi que o valor da última parcela é o que realmente estaria sendo abatido do saldo devedor do meu apartamento. Isso em todas as parcelas. O restante do valor seria apenas os juros. Portanto, R$ 769,73, se subtraídos do valor da primeira parcela seriam os juros que eu pagaria para o banco, ou seja, dinheiro indo pelo ralo.

Como já dito, essa diferença entre o valor da primeira e da última parcela eu estaria pagando para o banco a título de juros e, com um pouco mais que esse valor, eu teria condições de alugar um apartamento no mesmo padrão que eu compraria, lembrando que esses valores são dos imóveis aqui da minha cidade, mas proporcionalmente seria o mesmo raciocínio para o lugar onde você vive.

Você prefere pagar ou receber juros?

Assim, entre financiar, utilizando todo o meu ativo financeiro na compra de um imóvel e ainda assumindo uma dívida de longuíssima duração, ou alugar um apartamento de iguais características por um período contratual anual ou de até 30 meses, como é na maioria dos contratos de locação, resguardando os meus R$ 100.000,00 em um investimento conservador ou moderado, o qual pagaria o meu aluguel e ainda poderia reinvestir a sobra, dependendo do investimento.

Preferi ficar com o aluguel.

Posso optar por investir em investimentos seguros, como o Tesouro Direto, ou até mesmo investir em imóveis com parte do dinheiro, pelos Fundos Imobiliários.

Você provavelmente quer me perguntar: “ok, entendi a sua lógica, mas assim você ficará a vida inteira morando de aluguel. E a tão sonhada casa própria?”

Não pretendo morar de aluguel pelo resto da vida. É apenas uma escolha temporária e inteligente financeiramente.

Mesmo que você não tenha os R$ 100.000,00 no momento, digamos que bem menos que isso, considerando, também, que você trabalhe e aufira um salário mensal, alugando um imóvel no valor de aproximadamente R$ 1.000,00, investindo o seu dinheiro de forma segura e reinvestindo as possíveis sobras, você poderá adquirir o seu imóvel em muito menos tempo que os 35 anos do financiamento, e à vista.

Explicarei melhor.

Digamos que você consiga pagar o seu aluguel e encargos apenas com os rendimentos de seus investimentos.

À parte disso, existe o seu salário, o qual, inevitavelmente, seria utilizado para pagar as parcelas do financiamento por 420 meses em um valor próximo de R$ 1.000,00, conforme o nosso exemplo.

Invista o valor referente às parcelas em um investimento de longa duração e deixe os juros compostos trabalharem para você!

Bingo! Em aproximadamente 20 anos ou menos, você poderá comprar o seu imóvel à vista, ou quase isso, pagando bem menos juros e tendo à sua disposição dinheiro vivo para algum investimento imperdível que por ventura possa surgir.

Não se esqueça que, além dos R$ 1.000,00 investidos todo mês, você ainda contará com o valor principal, aquele que lhe rende os juros que você utiliza para pagar o seu aluguel.

Veja bem, os imóveis são bens que valorizam, isso é verdade, mas analisando a valorização e desvalorização durante os últimos anos, sinceramente não acredito que ocorra milagres nessa seara.

Já em relação aos investimentos, como o Tesouro Direto, as oportunidades são crescentes. É um novo mundo que está se abrindo frente a debandada do mercado de ações.

Por essas razões, o meu palpite e história de vida pessoal é que você espere algum tempo, estude e analise antes de tomar uma atitude.

É o que estou fazendo e, sinceramente, a cada mês fico mais positivo e feliz com a minha escolha, sempre com um planejamento econômico atento, pois quem quer comprar um imóvel e ainda não tem todo o dinheiro para comprá-lo à vista, invariavelmente deve ter uma vida econômica regrada e equilibrada, evitando gastos supérfluos, mas sem esquecer de ter uma boa qualidade de vida e viver bem, conforme as suas possibilidades. Do contrário, você se tornará um robô que só pensa em economizar.

Se este artigo lhe ajudou ou se você ficou com mais dúvidas depois de lê-lo, deixe o seu comentário que procuraremos, com muito carinho, responder.

Caso tenha se interessado em investir, mas ainda se sente inseguro com relação aos investimentos, aprenda como perder o medo em 10 dias e quais são os 3 bloqueios que impedem a sua prosperidade.

Em relação à investimentos em Imóveis e Fundos Imobiliários, recomendamos o excelente ebook COMO COMPRAR IMÓVEIS do Leandro Ávila. Uma boa forma para dar primeiro passo.

Obrigado e até a próxima!

Leonardo Batistella