POUPANÇA NÃO É INVESTIMENTO

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Poupança não é investimento!

Hoje em dia, um assunto muito corriqueiro é a tentativa de conscientizar as pessoas em pouparem seu dinheiro, com uma visão mais voltada para a qualidade de vida e a realização de sonhos futuros.

Quando falamos em poupar, a maioria pensa, automaticamente, na poupança (o nome não ajuda muito, né?). No entanto, em vez de poupar e economizar dinheiro, você pode estar vendo justamente o efeito contrário.

Como assim?

A poupança é uma aplicação bancária com uma rentabilidade média de 0,5% ao mês, dando um total aproximado de 6,17% ao ano.

Porém, assim como o valor da poupança sobe, a inflação também pode subir (ou cair), dependendo de como está o país e o mercado.

E o que a poupança tem a ver com a inflação?

Tudo!

Vamos supor que você tenha R$ 1.000,00, com os quais você conseguiria comprar uma TV excelente. Entretanto, não é a TV que você gostaria de ter, que custa R$ 1.050,00 (uma diferença pouco considerável, mas apenas para ilustrar o exemplo).

Portanto, em vez de comprar aquela TV excelente, você decide “investir” o seu dinheiro na poupança para que ele valorize e você possa comprar a outra TV.

Depois de um ano, a poupança rendeu 6,17%, dando a você um total de R$ 1.061,70. Você, então, diz “Eba! Agora posso finalmente comprar a minha tão sonhada TV!”.

Espera um pouco! Está se esquecendo de um detalhe muito importante: a inflação.

Nesse período em que seu dinheiro estava lá valorizando os seus R$ 61,70, a inflação disparou 7% no ano.

Qual a consequência disso?

A sua tão sonhada TV teve uma elevação no preço para R$ 1.123,50 (a soma dos 7% de R$ 1.050,00).

Chateado(a), você decide contentar-se com a outra TV, pensando “Bom, pelo menos, a outra TV também é excelente!”.
É, amigo, o mar não está mesmo para peixe. Aquela excelente TV, que custava R$ 1.000,00, agora está custando R$ 1.070,00 por causa da inflação.

Portanto, os seus R$ 1.000,00, antes suficientes para comprar essa TV, perderam seu poder de compra.

O que tudo isso significa?

A poupança tem um risco muito pequeno de perder dinheiro. Porém, ela não está a salvo da inflação. É possível a inflação subir em uma proporção menor do que a poupança, mas não é garantido e nem provável no cenário atual.

Você pode não perder dinheiro, de fato, com a poupança, mas ela pode diminuir o seu poder de compra. Aquela TV excelente que antes você era capaz de comprar, agora não consegue mais.

A alternativa, então, é “poupar” o meu dinheiro guardando na conta corrente ou dentro do porquinho?

De forma alguma!

Pior ainda do que a poupança, o dinheiro “parado” desperdiça ainda mais o seu poder de compra, por não possuir valorização alguma. A poupança serve para manter o dinheiro que você precisará utilizar em curto prazo (despesas fixas e eventuais emergências), pois ela possui liquidez (a capacidade de retirar o valor da poupança, transformando-o em dinheiro passível de uso) imediata, podendo resgatar, a qualquer momento, o valor que precisar.

Como investimento, de fato, principalmente para médio e longo prazo, ela não é uma opção.

Qual a solução então?

Existem vários tipos de investimento, alguns mais seguros e rentáveis que a própria poupança, como os títulos privados de renda fixa (como CDB, LCI, LCA e LC) e os títulos públicos do governo (Tesouro Direto).

A lição que fica é: poupança não é investimento, mas apenas onde manter seu dinheiro para gastos de curto prazo.

Grande abraço e bons investimentos!

Vitor Hernandes

  • ROSANA CALDI

    Excelente a sua colocação, Vitor!

    Realmente, a poupança, embora tenha a vantagem de ser isenta de Imposto
    de renda e de taxas administrativas, perde cada vez mais o seu poder atrativo,
    à medida em que os índices de inflação disparam (atual conjuntura), pois tem rentabilidade fixa de
    apenas 0,5% ao mês + TR.
    Assim sendo, serve única e exclusivamente para gastos do dia a dia, jamais como investimento a médio e longo prazo.

  • Vitor Hernandes

    Obrigado, Rosana!

    No cenário atual, a poupança está tendo rendimento real negativo. Nessa horas, temos que buscar outros tipos de investimento para, no mínimo, preservar nosso poder de compra para o futuro.

    Em outros artigos, falaremos sobre Tesouro Direto, que tem um rendimento muito superior ao da poupança e é, na teoria, o investimento mais seguro do país, por se tratar de empréstimos ao Governo.

    Fique ligada que em breve teremos novidades!

    Abraço!

  • ROSANA CALDI

    Na atual conjuntura, não me parece ser uma boa opção, levando-se em conta que no período compreendido entre a compra e o vencimento do título, caso o investidor necessite vende-lo, sua rentabilidade pode oscilar acima ou abaixo da rentabilidade diária esperada, representando ganhos maiores ou menores, dependendo do momento da venda.
    Como as taxas de juros estão em ascensão, a LTN comprada pelo investidor com taxas de juros menores pode perder o valor e, caso o investidor necessite vender o título antes da data de vencimento, receberá um valor menor do que a sua expectativa.
    Além do mais, não conta com a garantia do FGC.
    A LCI e a LCA não te parecem mais atrativas? Elas têm a mesma segurança da poupança, já que contam com a garantia do FGC até o limite de R$ 250 mil, por CPF, por instituição financeira, além de isenção de IR e IOF, sem contar a rentabilidade que tem percentuais altíssimos.

  • Excelente colocação!

    De fato, os títulos públicos do Tesouro Direto estão sujeitos à oscilação de mercado.

    No entanto, há um tipo de título que não sofre com isso: o Tesouro Selic. Nesse título, o valor de face sempre sobe, independentemente da situação econômica. Por ser atrelado à taxa Selic, o que varia é qual será a rentabilidade (se 8% ao ano, 12%, etc…), mas nunca será rentabilidade negativa.

    LCI e LCA de bancos pequenos estão com taxas bem mais atrativas, mas muitos temem a quebra deles, mesmo com o FGC, pois têm receio de quanto tempo o FGC precisaria para ressarcir todos os investidores.

    O Tesouro Direto não “precisa” do FGC, pois, na teoria novamente, o Governo seria o último a quebrar, até mesmo depois do FGC. Então seu risco de perda em um título privado é maior do que em um título público.

    A melhor saída é a diversificação: coloque uma parcela do capital em investimentos mais conservadores e outra parcela que você aceite um risco maior para ter ganhos maiores. Além disso, o investidor deve conhecer a si mesmo: saber o quanto “aguenta” ver seu capital variando.

    Muito obrigado pelos ótimos comentários! E sinta-se à vontade para continuar comentando.

  • ROSANA CALDI

    Realmente, o valor de mercado do Tesouro Selic (LFT) apresenta baixa volatilidade, evitando perdas no caso de venda antecipada. O único inconveniente é que a sua rentabilidade tende a ser mais baixa que a dos demais títulos.
    Com relação a LCI e LCA, no caso de grandes bancos como o
    Banco do Brasil, a possibilidade de quebra é bastante remota e a garantia do
    FGC dá total segurança. Para quem é imediatista, a carência de 60 dias para
    resgate no caso da LCI pode ser um óbice à aplicação, mas havendo a disponibilidade
    do valor mínimo exigido para a LCA (30 mil reais), isto não é problema, pois
    não há carência alguma.
    Concordo plenamente com você no tocante à diversificação. A tolerância ao risco é que vai determinar as escolhas.

  • Anderson Henrique Chaves

    Excelente Vitor.

    Já foi investimento há muito muiiito tempo atras quando a inflação estava sob controle
    Mas hoje muita gente perde dinheiro deixando na poupança pois a inflaçao está muito mais alta

    hoje temos opções muito melhores e com mais segurança até que a poupança!
    forte abç e bons investimentos!
    excelente artigo :}

  • Isso aí, Anderson!

    As situações econômicas mudam o tempo todo, e quem não acompanha fica para trás.

    Grande abraço!

  • Roberto silva

    Nunca vi uma explicação tao simples e esclarecedora sobre a poupança esse blog e sensacional tudo muito simples de se entender parabéns.

  • Fala, Roberto!

    Muito obrigado pelo elogio! É muito gratificante saber que estamos conseguindo ajudar!

    Grande abraço!