PREVIDÊNCIA PRIVADA: HERÓI OU VILÃO?

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Previdência Privada: herói ou vilão?

Nesta semana, estava com uma grande dúvida sobre Previdência Privada. Com os estudos sobre educação financeira, é bem difícil acreditar que este investimento vale a pena. Para aqueles que leram o livro Pai Rico e Pai Pobre, a Previdência Privada equivale aos fundos mútuos que ele tanto critica.
Tenho um plano Tradicional que pago há 13 anos, e sempre tive a dúvida se continuava pagar ou não, se resgatava tudo ou não. Mas antes de qualquer decisão, você deve conhecer sua previdência privada para saber suas vantagens e desvantagens.

Qual é o seu plano e sua rentabilidade?

Você precisa saber que tipo de Previdência possui. Basicamente, existem 3 tipos: Tradicional (que não vende atualmente), PGBL e VGBL.
O tradicional geralmente tem um bom rendimento, porque ele tem uma parte pré-fixado e outra atrelado ao IGPM. No meu caso, era de 6% + IGPM.

O PGBL e o VGBL possuem rendimentos muito variável, porque depende do portfólio (composição da carteira) de cada plano. Há casos em que ela é bem baixa, menor que o rendimento da poupança, e pode ser até negativa. Mas existem alguns planos com boa rentabilidade. Por isso, você deve saber exatamente qual é o seu plano e pesquisar o seu rendimento (como há muita variedade, sugiro que ligue para o seu plano ou pesquise na internet).
Veja abaixo exemplos de fundos de previdência privada do Brasil Prev:

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Observe que mesmo em uma mesma empresa, existem uma variedade enorme de rentabilidade dependendo do plano de previdência privada. Na primeira tabela estão planos mais conservadores (somente renda fixa) e na segunda tabela planos mais arrojados com renda fixa e renda variável.

Mesmo com boa rentabilidade, lembre-se que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura! Não se iluda com as simulações!
Olhe mais detalhadamente o fundo com maior rentabilidade da primeira tabela (RT FIX VII FIC):

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Rentabilidade de 5,10% em 2013!
Agora veja com mais detalhes o fundo com pior rentabilidade da segunda tabela (RT Composto RV 49D):

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Rentabilidade de -2,41% em 2013. Você perderia dinheiro se estivesse investido nela! E mesmo assim, pagaria 2,0 % de taxa de administração.
Fiquei muitos anos sem saber como funcionava meu plano. Não quero que você perca tempo como eu perdi. Se quiser deixar nos comentários o nome do seu plano, ajudarei você a calcular esses rendimentos.

Qual a diferença entre PGBL e VGBL?

A principal diferença é em questão dos impostos.

PGBL – Plano Gerador de Benefícios Livres. Neste plano, você pode abater ou restituir, na Declaração de Imposto de Renda do ano seguinte ao que aplica, os impostos pago sobre a renda que foi poupada. Três observações: você precisa declarar no modelo completo (o que para alguns não é vantajoso) , no máximo 12 % da renda anual tributável e precisa contribuir regularmente para o INSS.
Na hora do resgate, o imposto será sobre o Total resgatado, e não apenas sobre o lucro.

VGBL – Vida Gerador de Benefícios Livres. Você não pode abater ou restituir no Imposto de Renda do ano seguinte, porém no resgate você pagará imposto apenas sobre o Lucro Obtido.

De qualquer maneira, você estará pagando o imposto duas vezes: quando o fundo de previdência privada vende os títulos e quando você recebe ou resgata os valores do fundo!

Regime de Tributação no Resgate

Na hora de assinar o contrato da Previdência, você deve escolher sobre o tipo de tributação: regressivo ou progressivo.

Regressivo:
Beneficia quem manterá o plano a longo prazo, pois proporciona alíquotas de imposto de renda decrescente, de acordo com prazo em que os recursos permanecerem investidos antes do resgate:

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Progressivo:

O imposto seguirá a tabela progressiva vigente (a partir de abril de 2015) , encontrado neste endereço:

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Apesar da retenção do tributo ser na fonte e no momento do resgate, ela não é definitiva, pois pode ser deduzida até seu valor total na declaração anual de IR, se o total de rendimentos estiverem na faixa de isenção da tabela da Receita Federal. Para isso, é necessário realizar a declaração no modelo completo e subtrair as rendas não tributável do total (como gastos médicos, imposto sobre o dependente)

Quais são os custos da Previdência Privada?

Temos basicamente dois custos:

Taxa de administração: pode variar de 1% a 5% ao ano, e é sobre o total do investimento. Ela é importante porque vai diminuir sua rentabilidade. Mesmo nos casos em que você perdeu dinheiro na sua previdência, você é obrigado a pagar essa taxa!

Taxa de carregamento: pode variar muito também. É a taxa que você paga para cada aplicação. No meu plano é de 9 %, o que é considerado alto. O ideal é ser menor que 3 %. Existem planos que não cobram para aplicações com valores altos.

Resgate: Se você está pensando em regatar a quantia total do seu plano de previdência depois de avaliar seu baixo rendimento, pergunte sobre a taxa de resgate, impostos e sobre a carência (todas essas informações estão no contrato assinado ao iniciar sua previdência).

A minha empresa me ofereceu uma previdência, é vantajosa para mim?

Esse tipo de previdência se chama fundos de pensão ou planos fechados. Ela geralmente possui menores taxa de administração e carregamento. A vantagem pode ser a contrapartida. Por exemplo: há empresas que, para cada R$ 1 investido, ela acrescenta R$ 0,50 (ou mais). Essa contrapartida costuma estar entre 3 a 8 % dos ganhos mensais.
Os cuidados com os fundos de pensão são os mesmos da previdência privada: tem que avaliar a carteira, taxa de administração e carregamento, carência, taxa sobre resgate antes do vencimento.

E só seria vantajoso o fundo de pensão se você tiver a certeza que vá trabalhar na empresa para o resto da sua vida, pois caso saia do emprego, esse dinheiro investido ficará retido até a carência acabar.
Os funcionários públicos geralmente possuem estes fundos. É preciso ficar atento na carteira desses fundos, porque você pode ter problemas como aconteceu com os funcionários do Correios!

E a vantagem do planejamento sucessório?

Eu sei que em um momento de tristeza com a perda de um ente querido, a última preocupação que teremos é sobre a herança. As lembranças da vida do ente querido, de todas as alegrias que ele ou ela tiveram junto a você é muito mais importante.

Mas nessas horas há vários oportunistas que se você não estiver preparado, pode perder dinheiro para eles que se aproveitarão da sua tristeza. Pensando nessa possiblidade, as seguradoras e os bancos alegam que no caso de morte, antes de começar a fase do recebimento do benefício, a família do morto tem direito de receber o valor acumulado no plano de previdência privada sem precisar passar pelo inventário e sem pagar o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) cobrado pelo estado sobre todo o patrimônio do morto. Existem estados onde este imposto é de 4, 6 ou 8 %. Dependendo do valor do patrimônio, você pode usufruir dessa vantagem.



Porém, você precisa perguntar ao seu plano o que aconteceria se você morrer recebendo a aposentaria mensalmente. Tem alguns planos em que todo dinheiro é perdido, a sua família não tem direito de receber o que você recebia. Previdência privada não funciona como Previdência Publica que é obrigado a pagar pensão para a viúva e seus filhos.

Voltemos a questão principal, previdência privada é boa ou não?

Vai depender muito do tipo da sua previdência! Vou continuar com o exemplo da minha Previdência.
Primeira etapa: rentabilidade: Ela é do tipo Tradicional, então tenho uma rentabilidade garantida de 6 % (pelo menos, é igual à poupança) somado ao IGPM (não é o IPCA, mas pelo menos estou protegido do IGPM). Considero que pela rentabilidade, tenho uma vantagem continuar a previdência.
Segunda etapa: imposto: Meu plano é do tipo progressivo. Acho que nesta etapa, não muda muito minha opinião.
Terceira etapa: custos: Meu plano não tem taxa de administração. Uma vantagem. Mas tem um custo de carregamento de 9 %. Em primeira análise, seria uma desvantagem. Como gosto de contas, eu resolvi calcular o gasto total absoluto. Percebi que se minhas aplicações fossem altas, teria maior custo.
Por exemplo: se aplicasse 1000 reais mensais, pagaria 90 reais por mês e 1080 reais por ano. Porém, se aplicasse 70 reais mensais, pagaria 6,3 reais por mês e 75,6 reais por ano! Decidi diminuir minhas aplicações e manter o plano. Eu teria um “custo de manutenção” do plano baixo, menor que o custo do Tesouro Direto.

Conclusão:

Cada caso é diferente no caso da Previdência Privada. Você precisar conhecer seu plano atual (carteira, rentabilidade) e somente após isso concluir se vale a pena continuar ou resgatar.
No caso de iniciar um novo Plano de Previdência, eu só vejo vantagem se você encontrar algum com uma boa rentabilidade e ainda se pensar em planos sucessórios.

Para aqueles com Plano Tradicional como o meu, sugiro realizar as contas e diminuir as aplicações para diminuir os custos. Geralmente esses planos tradicionais não tem taxa de administração, mas possuem altas taxas de carregamento.

Alguns planos te dão o direito de não realizar aportes mensais (no meu caso, eu tenho que aplicar ao menos uma vez a cada 6 meses), e você pode realizar esse direito a seu favor (fazendo as contas, avaliando a rentabilidade e a taxa de administração).
E para aqueles com Fundos de Pensão, sugiro fortemente conhecer a carteira de investimentos dela. No caso dos Correios, eles investiam em papéis da Venezuela e da Argentina, e isso não é bom sinal! Se não concordar com a carteira, resgate (se puder) e coloque o dinheiro em outro investimento. Lembre-se que você pode perder dinheiro no plano de previdência privada!
Deixe suas dúvidas sobre seu plano de previdência privada abaixo e responderei com prazer!

Edson Ichihara