RENDA FIXA OU RENDA VARIÁVEL: QUAL É MELHOR?

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Uma das perguntas mais comuns que recebemos sempre de nossos leitores é: qual compensa mais, renda fixa ou renda variável?

Quem me conhece já deve saber a resposta que darei: depende.

Adoro essa resposta, pois ela serve para praticamente qualquer pergunta!

– Você gosta mais de praia ou montanha?
– Depende do clima!

– Quais os seus planos para 2017?
– Hmmm… depende!

Morar de aluguel ou comprar a casa própria?
– Depende!!!

Portanto, é muito complicado dar opiniões, porque sempre depende de diversas outras variáveis, como o perfil da pessoa, o objetivo, o apetite para risco, etc.

No entanto, escrevo este artigo para explicar melhor sobre renda fixa e renda variável para que cada um possa refletir sobre o que é mais adequado para si mesmo!

O que é Renda Fixa?

Um investimento de renda fixa nada mais é do que um empréstimo que fazemos.

Emprestamos o dinheiro para alguma instituição e, em troca, receberemos ele de volta corrigido por algum índice de reajuste.

Ou seja, quando investimos em renda fixa, já sabemos qual será a forma de juros que serão pagos para nós.

Embora nem sempre saibamos exatamente qual será o rendimento, temos uma ideia aproximada do valor.

Por exemplo, em um Tesouro Prefixado contratado a uma taxa de 12% ao ano, você sabe que será essa a rentabilidade que receberá anualmente.

Já no Tesouro Selic, embora saiba que receberá a rentabilidade com base na Selic, não sabemos quais serão os valores dela até a data de vencimento, pois ela varia ao longo do tempo.

Caso você ainda não tenha lido, sugiro que leia o artigo em que explico como comparar investimentos de renda fixa.

Dentre os tipos de investimento de renda fixa, podemos destacar:

– Títulos públicos (Tesouro Direto), nos quais você empresta dinheiro ao Governo Federal
– Títulos privados (CDB, LCI, LCA, LC, etc.), nos quais você empresta dinheiro a instituições financeiras
– Debêntures, CRI e CRA, nos quais você empresta dinheiro a empresas não financeiras

O que é Renda Variável?

Um investimento em renda variável se caracteriza pela propriedade sobre algum bem.

Quando investimos em renda variável, significa que nos tornamos donos daqueles ativos.

Por esse motivo, nossos ganhos (ou perdas) estão diretamente ligados ao sucesso (ou fracasso) daquele investimento.

O risco aqui é maior do que a renda fixa, mas a possibilidade de ganho é, teoricamente, infinita, pois não há uma limitação de rentabilidade ou prazos de vencimento.

Dentre os tipos de investimento de renda variável, podemos destacar:

Ações, nas quais você se torna sócio de empresas de capital aberto
Fundos imobiliários, nos quais você se torna co-proprietário dos imóveis adquiridos pelos fundos
Câmbio, em que você adquire moedas estrangeiras, como dólar e euro
– Metais preciosos, em que você adquire metais, como ouro e prata

Banana ou Laranja?

Como vimos, a renda fixa é bem diferente da renda variável, então comparar os dois tipos de investimento é como comparar banana com laranja.

Uma fruta é melhor que a outra?

Depende.

Você gosta de fruta mais doce ou azedinha?

Teremos pessoas que preferem banana, enquanto outras preferem laranja.

Nos investimentos, é a mesma coisa. Uns preferem renda fixa, outros renda variável. São tipos de investimento bem distintos, pois têm características muito diferentes.

Além disso, também depende de outros fatores: do perfil de investidor, dos objetivos, da situação financeira atual, do tipo de trabalho, da estrutura familiar, etc.

Renda Fixa x Inflação

Um parâmetro muito importante que costumamos olhar ao investir é se nossos ganhos têm superado a inflação do período.

E esse é um dos principais motivos que consideramos que a poupança não é investimento, pois ela sempre tem o risco de ser superada pela inflação (como foi em 2015 e provavelmente também será em 2016).

Olhamos para a inflação, porque é isso que vai dizer se estamos mantendo nosso poder de compra.

De nada adianta, vermos valorização nominal nos investimentos, mas o preço dos produtos e serviços que consumimos subir muito mais forte do que nosso patrimônio.

Nesse caso, seria mais interessante comprar os produtos assim que recebesse o dinheiro, como acontecia na época de juros galopantes no Brasil antes do Plano Real.

Porém, atualmente, conseguimos investir em investimentos de renda fixa muito seguros que rendem bem acima da inflação.

No artigo de comparação de investimentos de renda fixa, mostro como calcular a sua rentabilidade real, ou seja, acima da inflação.

E aqui é que entra o grande problema da renda fixa: mesmo tendo rentabilidade nominal bem alta, grande parte disso é para repor a inflação do período.

Então, a rentabilidade real que sobra fica na média de 3 a 5% ao ano.

Isso não é ruim, visto que a maioria dos países sequer tem investimentos em renda fixa que rendam acima da inflação.

Nesses países, os investidores precisam tomar riscos maiores em renda variável ou negócio próprio para conseguir rentabilidades mais interessantes, enquanto aqui é possível crescer o capital com baixo risco.

Renda Variável x Inflação

Se na renda fixa a inflação é reposta com parte do rendimento, como se mede isso na renda variável, já que não há como saber qual será a rentabilidade?

O que muitos defensores de renda variável pregam é que, no longo prazo, esse tipo de investimento protegerá o seu capital contra a inflação.

A ideia é que, como se trata de ativos reais e a inflação nada mais é do que a subida dos preços de produtos e serviços reais, esses bens também subiriam acompanhando a inflação.

O problema é que não existe nenhuma garantia de que isso acontecerá, muito menos no período que você precisará resgatar o dinheiro.

Como Funciona com as Ações?

Vamos supor alguém que investiu em ações da Petrobras há 10 anos (em 2006), comprando por cerca de 17 reais cada ação.

Hoje, essas ações valem cerca de R$ 13,50. Além da desvalorização, ainda teve a inflação do período (cerca de 64%), o que soma um grande prejuízo (imagina, então, quem comprou em 2008 a 40 reais).

É claro que quem já conhece de mercado argumentará: “mas a Petrobras deixou de ser boa no meio do caminho, o que contribuiu para a grande perda de valor”.

Isso é verdade. Se pegarmos a Ambev como exemplo, veremos que ela saiu de R$ 2,50 para cerca de R$ 19,50, um aumento de quase 8 vezes (cerca de 700%).

A grande questão, portanto, está em saber escolher boas empresas que devem continuar crescendo e aumentando seus lucros no longo prazo.

Caso você não saiba como avaliar essas empresas, sugiro que conheça nosso e-book Ações para Iniciantes.

Supondo que a ação se valorizasse somente no mesmo ritmo da inflação, poderíamos dizer que a rentabilidade real dela seria a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

No caso da Ambev, que distribuiu R$ 0,49 por ação em 2015, a rentabilidade anual foi de 2,51% em relação ao preço atual.

Comparado com a rentabilidade real da renda fixa de 3 a 5% ao ano, não faria muito sentido investir na Ambev, que tem um risco maior e rendimento maior, correto?

Não podemos nos esquecer que, além desse rendimento, houve também uma enorme valorização, muito acima da inflação e da própria renda fixa.

São investimentos e propostas totalmente diferentes. Um é banana, outro é laranja.

Como Funciona com os Fundos Imobiliários?

É muito frequente recebermos também perguntas comparando o rendimento da renda fixa com o rendimento mensal dos fundos imobiliários.

Na renda fixa, já vimos que a rentabilidade nominal é de cerca de 12 a 16%, com uma rentabilidade real de 3 a 5%.

Nos fundos imobiliários, temos rendimentos entre 8 e 13%, o que sempre leva aos questionamentos que mencionei.

Por que investir em FIIs, sendo que são mais arriscados e o retorno é menor que da renda fixa?

Simplesmente porque nos FIIs a rentabilidade de 8 a 13% já é real, teoricamente.

Assim como nas ações, não existe garantia nenhuma de que os FIIs acompanham a inflação no longo prazo.

Porém, o que posso afirmar aqui é que a renda dos fundos imobiliários poderia ser resgatada todos os meses para uso próprio e o seu capital continuaria intacto, valorizando ou desvalorizando de acordo com o mercado.

Na renda fixa, se você resgatar a renda todos os meses, seu patrimônio será corroído pela inflação, pois, embora seu valor nominal não esteja diminuindo, o seu dinheiro já não compra o que antes comprava.

Essa é uma diferença muito relevante para quem deseja viver com renda passiva.

Veja: com 1 milhão de reais em FIIs rendendo 1% ao mês, você consegue 10 mil reais por mês.

Em renda fixa que renda 1% ao mês também, você conseguiria 10 mil reais. No entanto, ao resgatar esses 10 mil reais por mês (ou 120 mil reais por ano), aquele 1 milhão de reais que você tinha no início do ano já não terá o mesmo poder de compra.

Para manter o poder de compra em renda fixa, precisaria resgatar um valor menor, deixando parte destinada a proteger da inflação.

Se for uma inflação de 8% ao ano, por exemplo, você deveria deixar 80 mil reais somente como reposição da inflação, podendo resgatar somente 40 mil reais no ano.

Nos fundos imobiliários, não importa mais quanto vale o fundo que você comprou. O que importa é o rendimento que ele gera todo mês.

Portanto, a cotação poderia valer zero. Se estiver gerando sua renda, já cumpre a função a que se destina. Mas é claro que algo que gera renda nunca chegará a valer zero (principalmente tendo imóveis como propriedade).

Por esse motivo, conheço muitos investidores que têm 100% de seu capital em renda variável.

Não estão preocupados com a oscilação de suas ações ou cotas dos FIIs. Acompanham somente a capacidade daquele ativo em conseguir gerar renda.

Como Funciona com Câmbio e Metais Preciosos?

Com moedas e metais, a lógica da inflação é bem diferente.

Como esses investimentos não são necessariamente influenciados pela inflação local, mas sim pela economia mundial, dificilmente eles acompanharão o IPCA do Brasil, que é uma das inflações mais altas do mundo.

O preço das moedas e dos metais preciosos variam com o tempo, fazendo com que sejam mais usados como hedge (proteção) do que investimentos propriamente ditos.

São interessantes para quem já acumulou um bom capital e deseja proteger parte dele contra grandes desvalorizações da moeda local.

O grande problema aqui é que não são ativos geradores de renda, ou seja, a rentabilidade deles está atrelada unicamente à valorização/desvalorização durante determinados períodos.

Isso, de certa forma, inviabiliza colocar grande parte do seu capital nesses investimentos.

Sua única forma de ganhar é vendendo com o preço mais valorizado em relação a quando você comprou.

Considerações Finais

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Vimos que comparar renda fixa e renda variável não faz muito sentido, pois as características são muito distintas.

Cada uma dessas modalidades serve para um objetivo diferente, sendo que a renda fixa é interessante para acúmulo e proteção de capital, enquanto a renda variável é boa para renda passiva e possível multiplicação do capital.

No Jornada Live da semana passada, falei sobre como montar sua carteira de investimentos para a independência financeira, de maneira diversificada e de acordo com seu perfil.

Acredito sinceramente que temos excelentes oportunidades no mercado financeiro brasileiro. Basta estudar, poupar e investir com disciplina.

Transforme essas ações em hábito e você se surpreenderá com o crescimento do seu patrimônio!

Deixe um comentário dizendo como está sua estratégia de investimentos!

Grande abraço!

Vitor Hernandes

  • Ranne Miranda

    eu to super ansiosa para aprender a investir no tesouro direto… mas cada vez que leio a respeito, parece que é tão difícil! 🙁

  • Oi, Ranne! Tudo bem?

    É mais fácil do que parece!

    Assista nosso Mini-curso Tesouro Direto: http://www.jornadadodinheiro.com/mini-curso-tesouro-direto

    Tenho certeza que sanará muitas dúvidas e fique à vontade para fazer novas perguntas!

    Grande abraço!

  • Savio

    Excelente artigo, Vítor!!! Os FIIs provam cada vez mais ser o super investimento no momento!!! Cada vez chego mais a essa conclusão!!! Abração!!!!

  • Fala, Savio!

    Cuidado! Não existe um super investimento! O que é existe é aquele mais adequado para você. Pode ser que você tenha se identificado com os FIIs, porque eles são o que você busca, mas cuidado para não se expor demais, principalmente sem estudar o suficiente.

    Grande abraço!

  • Vitor Hugo

    Muito bom o artigo! Mas só me tire uma dúvida… sou leigo no assunto, e vcs compararam a renda fixa com o fundo imobiliario, citando que o FI não teria (ou não deveria ter) perdas por por inflação no capital investido, caso eu queira retirar um valor mensal, pois o valor rendido ja acompanharia a inflação não precisando descontar a mesma. Mas e nos investimentos de renda fixa que possuem o indice IPCA atrelados ao rendimento total não teria o mesmo raciocínio e portanto poderia resgatar um valor mensal sem descontar a inflação? Abraços!!

  • Fala, xará!

    Ótima pergunta. Teoricamente, um investimento atrelado ao IPCA tem a correção da inflação sim.

    No entanto, a rentabilidade fica, por exemplo, IPCA + 6%, o que acaba sendo inferior à maioria dos FIIs.

    Além disso, essa rentabilidade ainda tem o desconto do IR, que incide sobre o total, ou seja, você está pagando imposto sobre um reajuste de inflação, o que acaba não sendo tão interessante.

    No fim das contas, a rentabilidade real líquida, já descontado impostos e inflação, ficaria ali na casa dos 3-5% ao ano.

    Espero que tenha ajudado!

    Grande abraço!