TEMER RENUNCIA? QUAL O IMPACTO NOS INVESTIMENTOS?

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Os últimos dias têm sido muito agitados na política brasileira com boatos de que Temer pode renunciar ou ser retirado do posto de Presidente via impeachment.

Essa história mais recente começou na quarta-feira (17/05) à noite, quando saiu a notícia sobre a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, dizendo que supostamente teriam uma gravação, na qual Michel Temer dava um aval para que comprassem o silêncio de Eduardo Cunha.

Isso causou um rebuliço enorme no país, não apenas na política, como também socioeconomicamente.

Não entrarei em detalhes sobre a investigação, pois, a cada momento, temos algum fato novo que pode dar uma reviravolta na história.

A questão é que o país caminhava rumo a reformas previdenciárias e trabalhistas que poderiam beneficiar a economia brasileira futuramente, mas agora o Presidente dificilmente conseguirá um apoio majoritário.

Portanto, isso causa diversas incertezas. Como isso afeta nossos investimentos?

Comentarei brevemente sobre os impactos causados nos seguintes tipos de aplicação:

1) Tesouro Direto
2) Títulos privados
3) Ações
4) Fundos imobiliários
5) Dólar
6) Bitcoin

1) TESOURO DIRETO

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Na manhã seguinte à notícia, o Tesouro Direto ficou suspenso por um longo período por conta da instabilidade nas negociações dos títulos públicos.

Com o futuro incerto, o que vimos foram os juros futuros dispararem. O DI1F2019 saltou de pouco menos de 9% para mais de 10%, enquanto o DI1F2023 saltou de pouco menos de 10% para mais de 11,5%.

Essa variação de mais de 10% é enorme para um único dia e justifica a volatilidade nos títulos públicos.

O Tesouro IPCA+ estava com títulos pagando IPCA + 5% (chegou a bater 4,9%), sendo que no dia vimos essa taxa disparar para quase 6% e até mais de 6% no de 2024.

Já o Tesouro Prefixado vinha sendo negociado a menos de 10% ao ano e disparou para quase 11% no de 2020 e quase 12% no de 2023.

Com isso, quem comprou títulos há pouco tempo (final de 2016 / início de 2017) está com uma boa desvalorização nos preços dos títulos.

Vale lembrar que, caso você mantenha o título até a data de vencimento, receberá exatamente a taxa de rentabilidade que foi contratada no dia da compra, e essas oscilações diárias não farão nenhuma diferença em seu resultado.

Essas taxas podem ser importantes na hora de você comprar (para quem entra com um montante maior de uma só vez) e na hora de resgatar (caso você tenha feito um trade ou precise do dinheiro antecipadamente).

Para acumulação de longo prazo, mantenha seu planejamento, comprando pouco a pouco quando for o momento de aportar nesse ativo em sua carteira.

Quanto à expectativa futura, acho que, infelizmente, nosso país retardará um pouco mais a volta do crescimento, o que pode fazer com que os juros não caiam mais tão rapidamente como vinha ocorrendo.

No entanto, é impossível ter certeza, pois qualquer novo acontecimento pode mudar tudo novamente.

Para saber mais sobre como funciona o Tesouro Direto, produzimos esse mini-curso.

2) TÍTULOS PRIVADOS

Os títulos privados, de maneira geral, tendem a acompanhar o movimento dos juros futuros e, de certa forma, dos títulos públicos também.

Os bancos procuram oferecer títulos com um prêmio um pouco maior dos oferecidos nos títulos públicos para que consigam uma certa atratividade.

A exceção aqui são os grandes bancos, que, muitas vezes, oferecem títulos com rentabilidades piores que as do Tesouro Direto, pois se aproveitam do desconhecimento da maioria da população que acha que a melhor (ou talvez única) forma de investir seja perguntando ao gerente do seu banco.

3) AÇÕES

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A bolsa de valores, na abertura do pregão do dia 18/05, abriu derretendo, com uma queda violenta.

Em menos de 1 hora após a abertura, foi ativado o circuit break do sistema, que é quando o índice cai mais de 10%. Então, as negociações são suspensas durante 30 minutos.

A maioria das ações registrou enormes quedas, com PETR4 (Petrobras) em 15%, ITUB4 (Itaú Unibanco) em 12%, BBAS3 (Banco do Brasil) em 17% e a CMIG4 (Cemig), que chegou a cair 40%!

Porém, nem todas as ações foram afetadas negativamente, já que as empresas com forte exposição ao dólar subiram forte, dentre elas, FIBR3 (Fibria), EMBR3 (Embraer), KLBN11 (Klabin), VALE5 (Vale), sendo que esta última permaneceu estável, com valorização inferior a 1%.

Isso mostra que, para quem tem grande exposição às ações e busca ter algum tipo de hedge (proteção) na carteira, ações de boas empresas exportadoras podem ser boas alternativas.

E por que a bolsa se desvalorizou tanto assim?

Como as ações são consideradas investimentos de risco e, muitas vezes, especulativo, os traders em geral realizam fuga em massa quando há perspectivas de incerteza econômica.

Além disso, com a possibilidade de a renda fixa retornar a juros elevados, os investidores preferem correr menos riscos e mantêm a maior parte de seu capital em renda fixa.

Para investidores fundamentalistas, essas fortes quedas nada mudam, já que as empresas permanecem exatamente as mesmas (exceto a JBS), o que pode representar uma oportunidade de adquirir ações de boas empresas com um certo desconto.

Se você compra pouco a pouco todo mês pensando a longo prazo, mantenha o planejamento, pois essa queda pontual será apenas uma “marolinha” lá no futuro.

E  se quiser se aprofundar no estudo de ações, não deixe de conferir o E-book Ações para Iniciantes.

 

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4) FUNDOS IMOBILIÁRIOS

Enquanto o índice Ibovespa chegou a cair mais de 10% em determinado momento, o IFIX, que é o índice que representa os fundos imobiliários mais líquidos, registrou uma queda de 4%.

É claro que alguns fundos tiveram quedas expressivas por serem mais líquidos, como o BRCR11, que foi de cerca de R$ 107,00 para R$ 99,00 (7,47%), ou o BBPO11, que foi de R$ 139,00 para R$ 128,00 (7,91%), mas a maioria teve quedas pouco expressivas, de 1 ou 2%.

Essa resiliência nos FIIs cada vez mais me leva a entender que são um excelente investimento para quem tem vontade de começar na renda variável, mas ainda tem medo.

Como eles têm essa característica mais imobiliária, de maior estabilidade, podem ser uma boa opção para o iniciante.

É claro que é extremamente importante estudar muito bem os fundos, pois a qualidade deles também será de suma importância para suas escolhas.

Dito isso, como eles são investimentos pouco especulativos, por terem liquidez muito menor que a das ações, é bem mais difícil vermos quedas tão acentuadas, já que o foco do investidor aqui é de longo prazo para complemento de renda.

5) DÓLAR

Quando há uma crise (ou ao menos expectativa de crise), os investidores tendem a fugir para investimentos em moeda forte.

Com isso, o dólar disparou de R$ 3,13 para R$ 3,40 (8,62%) no dia 18/05.

Nesta semana, já deu uma diminuída, estando agora na faixa de R$ 3,27.

A expectativa é de que, a cada nova notícia, vejamos uma forte volatilidade na moeda.

Para quem gosta de especular, tome muito cuidado, pois o lado pode mudar muito rapidamente.

Para quem deseja usar dólar como hedge da carteira, as maneiras mais simples que conheço são:

– Fundos cambiais
– ETF IVVB11, que acompanha o índice norte-americano S&P 500, sendo que se valoriza tanto pela subida das ações em si quanto do dólar
– BDRs, que são recibos de ações norte-americanas que podem ser comprados pelo home broker também, em sua corretora brasileira

6) BITCOIN

Tem crescido muito o número de perguntas sobre o bitcoin, então resolvi comentar um pouco sobre ele aqui.

Para quem não conhece, ele é uma moeda digital que não é emitida nem controlada por nenhum Governo no mundo.

O que vejo como característica mais interessante no bitcoin é o fato de você poder transferir dinheiro para qualquer lugar do mundo em questão de segundos, apenas utilizando o seu celular e com custos baixíssimos de transação.

Essa é uma das muitas características diferentes do bitcoin e quem tiver interesse em aprender mais sugiro que assista esta playlist:

No dia 18/05, o bitcoin apresentou uma tímida valorização de 1,5% em reais (de R$ 6.600,00 para R$ 6.700,00).

Para quem já conhece a moeda, sabe que o Brasil não influencia praticamente nada nesse mercado, que é muito mais afetado pela China.

Dessa maneira, riscos relacionados ao Brasil não impactam no bitcoin, que pode ser usado como parte da carteira de investimentos não exposta ao risco Brasil (embora tenha outros riscos, como a não adesão ou até mesmo proibição da moeda no país – o que é muito improvável).

Portanto, estude e analise se esse tipo de ativo é interessante para você.

Temos este artigo do início de 2016 que fala um pouco mais sobre o assunto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

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Se você é um investidor de longo prazo, que busca pautar seus investimentos nos fundamentos e nas compras periódicas, o impacto dos acontecimentos políticos será praticamente zero, pois eventuais valorizações ou quedas serão diluídas ao longo do tempo.

Se você busca ganhos de curto prazo com especulações, esse momento pode proporcionar excelentes oportunidades, mas também potencializa os riscos com essa volatilidade. Trabalhe seu controle de risco de forma adequada que você terá chances de sucesso.

Caso tenha alguma dúvida ou queira debater um pouco mais sobre algum assunto específico, deixe um comentário.

Grande abraço!

Vitor Hernandes

  • ROXS

    Olá Vitor, Rosario na área, ótimo artigo, uma pergunta, você acha que no final do més a taxa básica continuará caindo, ou haverá uma pausa até o governo encontrar uma solução, ou, talvez, pode até voltar a subir?

  • Vitor Shimada Hernandes

    Fala, Rosario!

    Acredito que a taxa continuará sendo reduzida, mas com menos força.

    Porém, é impossível termos qualquer certeza aqui no Brasil. Qualquer notícia pode afetar tudo.

    Grande abraço!