TESOURO IPCA+ 2045 É O MELHOR TÍTULO DO TESOURO DIRETO?

 

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No último dia 08/02/2017, o Tesouro Direto passou a oferecer três novos títulos em sua plataforma:

Tesouro Prefixado 2020 (vencimento em 01/01/2020)
Tesouro Selic 2023 (vencimento em 01/03/2023)
Tesouro IPCA+ 2045 (vencimento em 15/05/2045)

Eles foram adicionados para substituir três títulos que não podem mais ser comprados:

Tesouro Prefixado 2019 (vencimento em 01/01/2019)
Tesouro Selic 2021 (vencimento em 01/03/2021)
Tesouro IPCA+ 2019 (vencimento em 15/05/2019)

Com isso, temos recebido algumas dúvidas no nosso grupo no Facebook, no e-mail e também via WhatsApp:

– Por que esses títulos deixaram de ser negociados?
– Ainda posso vender/resgatar títulos que não estão mais na prateleira?
– É mais vantajoso vender os títulos que tenho para recomprar esses mais novos?
– Quais desses títulos vale a pena comprar?
– O Tesouro IPCA+ 2045 é o melhor título do Tesouro Direto?

Já respondi essas perguntas para diversos leitores que falaram comigo, mas, como percebi que é uma dúvida totalmente natural que surge quando ocorrem essas mudanças, resolvi deixar registrado em forma de artigo.

POR QUE O TESOURO DIRETO SUBSTITUI ALGUNS TÍTULOS DE TEMPOS EM TEMPOS?

De tempos em tempos, é necessária uma reciclagem dos títulos oferecidos para que o Governo possa arrecadar empréstimos de curto, médio e longo prazos.

Conforme os vencimentos se aproximam, os títulos são substituídos, normalmente, quando estamos a cerca de 2 anos de seus respectivos vencimentos.

Isso porque, ao investir em um título e carregá-lo por menos de 2 anos, você pagará uma alíquota de imposto de renda em uma faixa superior à menor alíquota, que é de 15% (para investimentos acima de 2 anos).

Por esse motivo, foram retirados os títulos com vencimento em 2019.

Quanto ao Tesouro Selic 2021, não sei dizer exatamente por que já foi feita essa substituição, visto que ainda restam 4 anos até seu vencimento.

POSSO VENDER TÍTULOS QUE NÃO ESTÃO MAIS DISPONÍVEIS PARA COMPRA?

Muitos investidores estavam preocupados e até se mobilizando para vender seus títulos antes que deixassem saíssem da prateleira de compra.

Isso porque acreditavam que não seria mais possível realizar o resgate antecipado e precisariam necessariamente carregar até o vencimento.

Não se preocupe quanto a isso.

Quem garante e realiza a recompra de seus títulos é o próprio Tesouro Nacional, ou seja, você não depende que outras pessoas comprem seu título.

Portanto, você ainda poderá resgatar antecipadamente caso queira ou necessite fazê-lo.

DEVO VENDER OS TÍTULOS QUE JÁ TINHA PARA RECOMPRAR ESSES NOVOS?

Não sei se essa pergunta era motivada pela pergunta anterior, mas realmente vejo muitos leitores com esta dúvida.

Vamos supor que você tenha comprado o Tesouro Prefixado 2019 porque deseja comprar um carro em 2019.

Não faz sentido, você vender esse título que já tem para comprar o Tesouro Prefixado 2020, cujo vencimento se dá após o seu objetivo financeiro.

A outra dúvida que surge disso é no que aplicar a partir de agora, já que não é mais possível continuar comprando o Tesouro Prefixado 2019.

Pode optar por CDBs com vencimento em 2 anos, LCIs com vencimentos de acordo com os meses que for conseguindo aportar ou até mesmo CDB com liquidez diária ou Tesouro Selic.

Um impeditivo no caso dos títulos privados pode ser o aporte mínimo necessário.

Nesse caso, veja se encontra o que precisa no Banco Daycoval ou Sofisa, cujos aportes costumam ser bem menores (no Sofisa, até mesmo a partir de 1 real).

Caso não consiga, o Tesouro Selic atenderá satisfatoriamente essa necessidade de aportes até chegar em 2019 e você resgatar para juntar com o restante do investimento feito no Tesouro Prefixado.

Agora, também há investidores cujos objetivos financeiros estão ainda bem longe, como alguém que busca uma aposentadoria ou auxílio financeiro para os estudos dos filhos.

Alguns investidores veem 2045 como um horizonte possível para usufruir desses rendimentos e, nesse caso, perguntam se é interessante vender o Tesouro IPCA+ 2035 para comprar o Tesouro IPCA+ 2045.

Na minha opinião, essa troca não deve ser feita. Falarei sobre esse título mais adiante, mas acredito que vender não seja uma boa ideia, pois você estaria somente adiantando o pagamento de um imposto de renda que seria descontado somente em 2035.

O que acho válido sim é direcionar os novos aportes para o Tesouro IPCA+ 2045, caso seu objetivo seja utilizar o dinheiro após esse vencimento.

Assim, você não concentra demais somente em um vencimento, pois muito pode acontecer até 2045 para esperar resgatar todo o montante.

VALE A PENA COMPRAR ESSES NOVOS TÍTULOS?

Basicamente, os novos títulos têm as mesmas características dos outros que já estavam na prateleira.

Entre Tesouro Prefixado 2019 e Tesouro Prefixado 2020, existe pouquíssima diferença.

O fator de decisão aqui é mesmo o prazo de quando você precisará do dinheiro.

Caso você esteja comprando para especulação, já existe o Tesouro Prefixado 2023 que é mais interessante para isso.

Portanto, a inclusão desse título de 2020 importa somente para quem tiver objetivos financeiros nesse ano.

A substituição do Tesouro Selic 2021 pelo Tesouro Selic 2023 também não traz muitas novidades.

Quem usa o Tesouro Selic para reserva de emergência poderá utilizar o 2023 da mesma maneira.

A exceção aqui é, de fato, entre o Tesouro IPCA+ 2035 e o Tesouro IPCA+ 2045.

Embora as características sejam exatamente as mesmas, essa diferença de 10 anos no prazo de vencimento tem consequências muito significativas, tanto para quem deseja levar até o vencimento quanto para quem busca especular com esses títulos.

Por esse motivo, decidi escrever uma parte dedicada somente a esse título, que muitos têm perguntado se é o melhor disponível entre os títulos públicos do Tesouro Direto.

O TESOURO IPCA+ 2045 É O MELHOR TÍTULO PÚBLICO?

Antes da emissão desse título, eu sempre costumava indicar o Tesouro IPCA+ 2035 para o objetivo de aposentadoria.

Agora, para quem puder aguardar até 2045, o novo título pode proporcionar uma aposentadoria ainda mais interessante.

Outra possibilidade também é diversificar entre esses 2 vencimentos para que não concentre todo o seu montante em um único ano.

Nunca se sabe quando precisará de uma grana extra, por mais que você já tenha se planejado.

Porém, uma outra estratégia que tem chamado muito a atenção é a de especulação com a oscilação dos preços dos títulos.

Veja este gráfico do Tesouro IPCA+ 2035, retirado pelo meu login no Portal do Tesouro Direto:

Comprei esse título no dia 18/10/2016 a uma taxa de IPCA + 5,61%.

A linha verde representa quanto deveria estar valendo o título caso ele se rentabilizasse pela taxa contratada. Hoje, deveria estar custando na faixa de R$ 1.080,00.

No entanto, o preço atual dele está em mais de R$ 1.150,00, representado pela linha azul.

Essa linha azul mostra a oscilação do preço do título: a chamada marcação a mercado.

Esse é o preço que vale meu título caso eu queira vendê-lo hoje.

No entanto, veja que a linha azul esteve por um bom tempo abaixo da linha verde, ou seja, o preço do meu título estava valendo menos do que o preço pelo qual eu havia comprado (eu estava no prejuízo).

Agora, estou com um lucro que seria equivalente a um investimento de IPCA + 22,79%, isto é, bem superior à rentabilidade contratada.

O que é importante entender é que essa marcação a mercado ocorre com base na oscilação dos juros futuros.

Quando eles sobem, as taxas de rentabilidade oferecidas pelo Tesouro Direto também sobem e, consequentemente, os preços dos títulos caem.

Quando os juros caem, as rentabilidades oferecidas diminuem e os preços dos títulos sobem.

Como estamos em uma tendência de queda de juros, espera-se que os títulos continuem se valorizando.

E é aí que entra a especulação com Tesouro Direto.

Muitos criticam esse tipo de operação, dizendo que não se faz especulação com renda fixa, que girar patrimônio é coisa de manada e argumentos do tipo.

Enquanto isso, outros aprendem como fazer isso e conseguem adiantar parte do lucro que teria carregando o título por anos.

Veja estes títulos que tenho como exemplo:

 

O primeiro é do qual eu tirei aquele gráfico da imagem anterior. A última coluna representa a rentabilidade percentual acumulada até o momento, ou seja, esse título rendeu até hoje 7,96%.

Como dito anteriormente, comprei esse título no dia 18/10/2016. Em menos de 4 meses, ele já apresenta rentabilidade de quase 8%, o que daria mais de 24% no ano em juros compostos.

Se o título rendesse exclusivamente pela rentabilidade contratada, o investimento daria aproximadamente 13% em 1 ano.

Já o quinto título ali da tabela é ainda mais gritante: 17,95% de rentabilidade acumulada, sendo que foi comprado no dia 01/12/2016, ou seja, há 2 meses e meio.

Agora, somente como comparação, mostrarei também o título que consegui comprar com a melhor rentabilidade, e o efeito que isso se deu na marcação a mercado do título:

Esse foi comprado no dia 21/09/2015. Ou seja, faz 1 ano e 5 meses, e a rentabilidade acumulada é de 81,75%.

Isso é uma rentabilidade de dar inveja em muitos investimentos de renda variável.

Vale lembrar que esses investimentos que estou mostrando são com o Tesouro IPCA+ 2035. E é por isso que muitos estão animados com o Tesouro IPCA+ 2045.

Caso a diminuição da Selic e dos juros futuros continue, esses títulos devem se valorizar muito mais.

E o 2045, por ter um prazo mais alongado, terá uma oscilação ainda maior.

Não estou dizendo que essa seja a melhor estratégia e que você deve pegar tudo o que tem e investir nisso.

Estou mostrando que existem alternativas interessantes e que você pode utilizar com parte do patrimônio.

O importante é você definir que tipo de investimento carregará realmente para longo prazo e, caso queira, especular com uma parte do que você tiver.

No meu caso, a ideia é carregar esses títulos do Tesouro IPCA+ 2035 até o vencimento, mas estou comprando atualmente Tesouro IPCA+ 2045 com o objetivo especulativo.

Agora, o Tesouro IPCA+ 2045 é o melhor título?

Para quem me conhece, sabe que a resposta é “depende”. Para reserva de emergência, não. Para objetivos de curto e médio prazo, não. Para quem pretende se aposentar em 2045, sim. Para pagar a faculdade dos seus filhos que estão para nascer daqui a 8 anos, sim. Para especulação, com certeza um grande sim!

Se você tiver alguma dúvida ou sugestão, deixe um comentário!

Grande abraço!

Vitor Hernandes