A DISTORÇÃO ENTRE SUCESSO E RIQUEZA!

SUCESSO/RIQUEZA

A distorção entre sucesso e riqueza!

É cada vez maior a quantidade de pessoas endividadas para sustentar um patrimônio incompatível com a sua realidade.

O marketing de consumo age com muita força sobre nossas fraquezas como ser humano:

1) Necessidade de inserção em grupo
2) Ter a nossa identidade (o ego) associada a um bem
3) Evolução genética e cultural
4) Influência familiar

Necessidade de inserção em grupo

Na escola, por exemplo, existe o grupinho dos mais descolados, os que usam os tênis da moda, aquela jaqueta de couro, calças estilizadas. E você acha legal aquilo tudo. Tem as garotas bonitas, tem o líder com quem você se identifica.

Porém, você vestido com um tênis simples, camisa normal, calça normal, não permite que participe e tenha a aceitação daquele grupo, pois você é diferente.

Nossa identidade associada a um bem

Sabe quando aquele amigo que se formou junto com você aparece com aquele BMW sei-lá-qual-número?

O que você pensa? Caramba, ele se formou comigo e agora está bem de vida, olha que carrão!

Temos 2 alternativas:
– Se ele realmente trabalha, tem sua liberdade financeira equilibrada, gosta de um carro de luxo e não está endividado com o resto, é um caso raro.
– Ele tem necessidade de provar que possui status elevado, mas suas finanças estão todas no vermelho. Nesse caso, é prejudicial, pois seu ego será retroalimentado pelos comentários e daqui a um ano esse carro não será mais suficiente, o que levará a mais e mais dívidas.

Evolução genética e cultural

Basta ver anúncios de promoções que nosso cérebro entra em colapso. Não importa se o vestido ou sapato está custando R$ 1.000,00. Nós somos enganados pelo preço anterior: “de R$ 2.400,00 por R$ 1.000,00, só hoje!”.

O detalhe é que aquilo ali nunca custou R$ 2.400,00. O preço de R$ 1.000,00 deve ser o valor dele já com as margens do gerente, margens de negociação e margem do vendedor.

Acontece que, se você passa qualquer dia e vê o preço de R$ 1.000,00 sem nada escrito em promoção, você pensa: “caramba, R$ 1.000,00 está muito caro”. Contraditório, não?

E o que a evolução genética e cultural têm a ver com isso tudo?

Bem, desde a idade da pedra, nosso cérebro foi condicionado a comer e beber o máximo possível, pois não se sabia se haveria próxima refeição.

Nosso cérebro funciona da mesma maneira quando vê aquele aviso piscando “é somente hoje”, “promoção imperdível”, pois rapidamente nos vem um alerta da possibilidade de nunca mais participarmos daquela promoção, que nem é tão boa assim na maioria das vezes.

Obrigado, Darwin, por me fazer gastar mais nas “liquidações”.

SUCESSO-RQUIEZA

Influência familiar

De modo geral, você tende a repetir os comportamentos da sua família.

No meu caso, por exemplo, antes de eu nascer, já tinha uma poupança minha na qual meus pais depositavam religiosamente todo mês. Isso me deu uma visão completamente ampla e rica sobre a necessidade de planejamento da nossa vida financeira a curto, médio e longo prazo.

Agora, imagine uma família na qual a mãe é uma compradora compulsiva, que leva a filha toda a semana no shopping para comprar um vestido diferente, e o pai é um apostador viciado. Será que a filha economizará algo para o futuro? Bem provável que não.

A ideia de sucesso é relativa por conta desses mecanismos, inclusive de sua bagagem familiar.

Considerações finais

Não confunda: padrão de consumo não é padrão de vida. Tem muita gente quebrada desfilando por aí com carro zero quilômetro.

Você consegue observar na sua vizinhança alguém que é “rico” (com casa enorme, modelos de carros caríssimos, 4 empregadas), mas não é bem sucedido (não tem tempo para a família, não tira férias, não tem a menor ideia do desenvolvimento do filho), ou alguém que, aparentemente, não é tão rico assim (anda com aquele modelo de carro 2007, tem uma casa pequena), mas aproveita a vida com autonomia suficiente para ser feliz (leva o filho na escola, viaja com a família sempre que pode)?

É interessante quando não associamos a ostentação ao sucesso e à riqueza para não cair na pegadinha da psicologia de consumo. O mais difícil é você não atrelar o seu salário ao seu custo de vida para não ficar preso na “algema de ouro”: foi promovido, então compra carro e casa maiores; ganhou outra promoção, então troca de casa novamente e compra mais um carro.

Riqueza deve ser definida a partir da sua qualidade de vida, e o sucesso como medida de alcance de suas metas associada a essa qualidade de vida.

E você, o que acha que poderia mudar para obter uma qualidade de vida melhor?

Trabalhar menos? Sair do atual trabalho e montar um negócio?

Compartilhe suas ideias conosco.

Anderson Chaves