CARTÃO DE CRÉDITO: MEU GRANDE AMIGO!

CARTAO DE CREDITO

Cartão de crédito: meu grande amigo!

Quando começamos a estudar sobre educação financeira e investimentos, normalmente, os especialistas imediatamente sugerem: “elimine seus cartões de crédito”.

No entanto, será mesmo que o cartão é o inimigo a ser combatido aqui?

A verdade é que o crédito é uma faca de dois gumes. E, como tal, pode ser usado para o bem ou para o mal.

Assim como a faca, o problema não está na ferramenta, mas sim em quem a manuseia. E a principal dificuldade é saber usar o cartão de crédito como um benefício real.

Por esse motivo é que os especialistas indicam eliminar o cartão de crédito para quem está iniciando sua educação financeira.

Sabemos que o consumismo é algo muito presente em nosso dia a dia, e que a facilidade que temos em comprar algo sem precisarmos ter o dinheiro na hora pode ser fatal para o nosso bolso.

Neste artigo, você aprenderá como usar o cartão de crédito a seu favor.

O que os bancos ganham ao oferecer um cartão de crédito?

Você provavelmente achou essa pergunta muito óbvia, e ela realmente é.

Os cartões de crédito são uma forma de o banco emprestar recursos financeiros ao cliente e, em troca, receberão um valor muito maior do que o emprestado inicialmente.

Isso foi bastante comentado neste outro artigo, caso tenha interesse em se aprofundar.

No entanto, o que é importante notar é que as pessoas, mesmo sabendo que o banco está ganhando muitos juros em cima do empréstimo, continuam acumulando cada vez mais dívidas, muitas vezes comprando simplesmente por impulso, e não tendo o suficiente para pagar a fatura no vencimento.

“Consumismo nada mais é do que comprar aquilo que você não precisa, com o dinheiro que você não tem, para impressionar pessoas que você não conhece, a fim de tentar parecer uma pessoa que você não é.”

O que as pessoas ganham ao usar um cartão de crédito?

Como citado no tópico anterior, o crédito é algo que permite que as pessoas comprem sem a necessidade de ter o dinheiro imediatamente.

Normalmente, isso ocorre para bens de maior valor, como imóveis e veículos.

No entanto, para usos mais cotidianos, como alimentos, roupas, cursos e livros, não há uma real necessidade em pagar com crédito, pois seria perfeitamente possível você pagar todos esses gastos com aquilo que realmente ganhou no mês.

Mesmo assim, pagar esses bens com cartão de crédito pode trazer muitos benefícios para quem souber se organizar e controlar os gastos adequadamente.

Veja a seguir 5 mitos sobre cartão de crédito, que você já deve ter ouvido e talvez nem seja tão verdade assim.

5 mitos sobre o cartão de crédito

1) “Destrua seu cartão, pois ele fará você se afundar em dívidas.”

Como citado no início do artigo, essa frase é bastante dita por especialistas financeiros, já julgando (na maioria das vezes, com razão) com antecipação que o leitor não teria disciplina para manusear o cartão de crédito de forma adequada.

No entanto, o problema do cartão de crédito está nos juros que incidem sobre a fatura caso o usuário não a pague totalmente até a data de vencimento.

A dica aqui é: nunca pague somente a parcela mínima do cartão, pois é ali que começa a armadilha. Quem paga somente o mínimo normalmente está pagando apenas juros, e não de fato o que consumiu.

Portanto, para evitar qualquer tipo de problema e juros abusivos, basta pagar a fatura integralmente até a data de vencimento.

Caso você já esteja endividado, sugiro a leitura do artigo “Como controlar as dívidas”.

2) “Com o cartão, perco totalmente o controle dos meus gastos.”

Isso é verdade, em partes.

Veja bem, quando temos o cartão em mãos, ficamos com a impressão de que nosso dinheiro é infinito ou de que não estamos gastando de fato.

A dor não é tão sentida como quando sacamos aquelas notas de dentro da carteira e as vemos diminuir pouco a pouco.

Porém, para quem usa o cartão com disciplina, verificar o extrato da fatura com certa regularidade (talvez uma vez por semana) ajuda também a controlar os gastos do dia a dia, pois ali fica listado tudo o que foi lançado no cartão.

Assim, você terá a noção se precisa apertar um pouco mais o cinto naquele mês ou se está mais tranquilo para fazer mais atividades de lazer ou poupar um pouco mais para investimentos.

3) “O valor da anuidade não vale a pena.”

Essa frase muitas das vezes é verdade, pois quase sempre é possível negociar uma anuidade mais barata com seu gerente ou até mesmo isentar esse valor, mas são poucas as pessoas que o fazem.

Também há planos mais básicos de cartão de crédito que já são isentos independentemente de seu relacionamento com o banco.

Eu, pessoalmente, uso o Santander Free, cujo único pré-requisito para isenção da anuidade é de fazer ao menos uma transação com o cartão no mês.

Embora o limite não seja muito alto, ele satisfaz minhas necessidades muito bem.

Quem souber de outras opções de cartão de crédito vantajosas deixe um comentário abaixo.

4) “Deve-se fazer as compras à vista sempre que possível.”

Aqui está o meu mito favorito.

É verdade que, quando temos o dinheiro suficiente para compras à vista, sentimos que nos livramos de um peso que seria o parcelamento de uma compra. E muitas vezes esse psicológico é importante para as pessoas.

Quando faço alguma compra, sempre procuro saber se um pagamento à vista oferece desconto, seja para pagamento em dinheiro, débito ou crédito.

Caso não haja desconto algum, sempre pago no maior número de parcelas possível que não incida juros. E por que isso?

Reflita comigo: por que gastar o valor todo daquela compra se posso adiar esse pagamento? Qual a vantagem real que isso me traz? Deixe um comentário abaixo dizendo as vantagens que você vê nisso.

Pelo outro lado, posso citar a vantagem real que isso me traz adiando o pagamento. Fazendo isso, consigo deixar meu dinheiro investido e gerando juros a meu favor enquanto não preciso quitar o valor da compra.

Talvez você diga que os juros ganhos com o investimento são irrelevantes. Por isso, decidi comprovar matematicamente os benefícios que isso pode trazer.

Vamos supor que você queira comprar um sofá que custa R$ 1.200,00. A loja oferece as seguintes opções:

– À vista (R$ 1.200,00)
– 2 vezes (R$ 600,00)
– 5 vezes (R$ 240,00)
– 12 vezes (R$ 100,00)

Hoje é dia 14/07/2015 e a fatura do seu cartão vence no dia 15 de cada mês. Caso faça a compra hoje, mesmo pagando à vista, seu primeiro pagamento é somente dia 15/08/2015.

Que tal vermos quanto você ganharia em cada caso se resolvesse parcelar sem juros e investir o valor restante em um investimento conservador que rende aproximadamente 0,8% ao mês?

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Veja que, mesmo à vista, é possível usar o cartão de crédito para ganhar um pouco com o investimento. Além disso, quanto mais estendido o prazo para o pagamento final, maior o valor restante, ou seja, maior o valor ganho com sua aplicação.

Talvez pareça que R$ 66,17 depois de 12 meses não seja nada, mas você prefere ter esse pequeno ganho ou não ter ganho algum?

Além disso, aqui foi simulado o exemplo com somente um sofá. E se você parcelasse o sofá, a geladeira, os livros, as roupas, o celular e tudo o que for possível? Quanto tudo isso geraria em ganhos ao final das contas?

Outro ponto interessante que deve ser levado em consideração é que nem sempre a compra à vista com desconto é mais vantajosa. É necessário calcular se o desconto dado é superior ao percentual do valor restante em relação ao preço da compra.

No nosso exemplo, se o desconto oferecido à vista fosse de 5%, o parcelamento em 12 vezes continuaria sendo vantajoso, pois o desconto equivaleria a R$ 60,00, enquanto conseguiríamos juntar R$ 66,17 caso fizéssemos o parcelamento em 12 vezes. Em relação aos outros parcelamentos, o desconto de 5% seria muito mais vantajoso.

É claro que, na hora de comprarmos, talvez seja inviável fazer todas essas contas, mas à vista com desconto costuma ser mais vantajoso, pois dificilmente se encontra um parcelamento tão estendido sem juros.

5) “Acumular milhas/pontos não serve para nada.”

O que muitos defendem aqui é que os pontos de cartões de crédito não são muito úteis, pois, comparativamente, os preços de produtos que podem ser resgatados com esses pontos seriam muito mais vantajosos se comprados em dinheiro do que juntando milhares e milhares de pontos.

Porém, já que esse é um “benefício” que o cartão oferece e você não ganha absolutamente nada se não utilizá-lo, por que não usar isso em seu favor?

Embora a maioria dos produtos oferecidos em troca não tenha uma vantagem real em relação à compra direta com dinheiro, passagens aéreas costumam ter uma relação custo-benefício muito boa nesses planos de fidelidade.

É muito comum ver pessoas que têm como objetivo viajar para conhecer outros lugares. No entanto, grande parte do custo de uma viagem pode ser exatamente o valor da passagem, que, dependendo do lugar, pode ser o equivalente a até 50% do valor total que você gastaria na viagem.

Portanto, usar pontos e milhas que você já acumula normalmente com suas compras do dia a dia seria apenas unir o útil ao agradável.

Caso tenha se interessado pelo assunto e queira saber mais sobre como otimizar seu acúmulo de milhas, veja o curso “Acelerador de Viagens”, do Allan Costa.

Esse curso me fez enxergar com outros olhos os planos de fidelidade e também me ensinou a otimizar os gastos que eu já tinha normalmente e transformá-los em viagens muito mais baratas.

Considerações finais

O cartão de crédito é muitas vezes tratado como vilão, quando, na verdade, nós é que fazemos mau uso dele.

Aprendendo a usar com inteligência e disciplina, o cartão de crédito pode ser um grande aliado para nossa construção de riqueza, ao mesmo tempo em que usufruímos do presente.

Caso tenha ficado alguma dúvida ou deseje compartilhar alguma história sua com o cartão de crédito, deixe um comentário!

Grande abraço!

Vitor Hernandes