COMO MONTAR SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA?

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Como montar sua reserva de emergência?

Quando começamos a estudar sobre educação financeira, um dos principais temas com o qual nos deparamos é sobre a formação de uma reserva de emergência.

Sabemos que nossa vida é cheia de imprevistos. E com nossas finanças não é diferente.

A maioria dos brasileiros vive todos os meses no limite: recebe o salário, gasta tudo o que recebeu (quando não gasta ainda mais) e precisa esperar o próximo mês para fazer novas compras.

E seus sonhos de realizar uma viagem, comprar a casa própria ou pagar uma boa educação para os filhos são sempre adiados.

Até aí, “tudo bem, ainda consigo pagar minhas contas em dia e manter minha vida tranquilamente”.

Mas o que acontece quando o carro quebra? Quando a assistência médica não é suficiente para cobrir algum procedimento? Quando você precisa trocar algum eletro doméstico essencial para seu dia a dia (como a geladeira, por exemplo)? Ou, pior, quando você perde o emprego?

A maioria das pessoas recorre a empréstimos e créditos que terão de ser devolvidos posteriormente com juros altíssimos. No entanto, já vimos que não queremos pagar juros, mas sim recebê-los.

A reserva de emergência serve exatamente para isso: unir o útil ao agradável.

Quando devo iniciar a montagem da minha reserva de emergência?


Imediatamente!
A reserva de emergência é fundamental para qualquer pessoa e deve ser montada antes de começar com outros tipos de investimento.

É com ela que podemos ter a tranquilidade de viver sem a preocupação de que, a qualquer momento, um imprevisto pode acabar com o nosso conforto financeiro.

No entanto, se você ainda tem dívidas, não adianta deixar de pagá-las e começar a juntar uma reserva de emergência. Você continuará pagando altos juros e de nada adiantará o que está poupando.

Antes de mais nada, quite todas as suas dívidas.

“Mas como posso quitar minhas dívidas se o que ganho não cobre nem os meus gastos fixos?”

Nesse caso, assim que receber seu salário, separe 10% desse montante antes de pagar qualquer outra conta.

Esses 10% serão destinados ao pagamento das dívidas. Com os 90%, você poderá pagar seus gastos restantes do mês.

Além disso, veja se realmente não há nada de seu orçamento que possa ser cortado, ou seja, se é algum gasto supérfluo, como aquele cafezinho a mais que toma todos os dias, não por vontade mas simplesmente por hábito.

Para auxiliar nesse processo, coloque todos os gastos no papel ou na planilha e aprenda como controlá-los.

É importante também ressaltar que gastos anuais, como IPTU, IPVA, presentes de datas comemorativas (aniversários, Natal, Páscoa) e materiais escolares, não são considerados imprevistos e não devem ser pagos com a reserva de emergência, mas sim com um planejamento de separar antecipadamente os valores destinados a essas despesas.

Depois de feita essa organização, você poderá começar a montagem de sua reserva.

Quanto devo disponibilizar para a montagem da reserva de emergência?

Assim como mencionado no caso das dívidas, logo que receber seu salário, imediatamente destine de 10 a 20% para a montagem de sua reserva de emergência.

É claro que você pode separar ainda mais do que isso, mas recomendo o mínimo de 10% para que leve menos de 1 ano para você já ter reservado ao menos o equivalente a um salário inteiro.

Obviamente, quanto mais você conseguir guardar, mais rapidamente conseguirá construir essa importantíssima reserva.

Quanto devo acumular na reserva de emergência?

Muitos educadores financeiros sugerem a montagem de uma reserva que permita que você se sustente por 6 meses a 1 ano.

Essa questão depende muito do seu perfil.

Se você é aposentado e/ou já em uma idade avançada, não pode correr o risco de ficar muito tempo sem uma reserva, pois pode não ter disposição para correr atrás de outros meios de renda no caso de algum imprevisto. Além disso, imprevistos com relação à saúde têm mais chance de ocorrer nessa idade.

Se você é casado, tem filhos e está na meia idade, também precisa ter uma reserva, já que há outras pessoas que dependem da sua renda.

Se você é solteiro e jovem, talvez ainda não tenha gastos tão altos e não precise se preocupar tanto com uma reserva de emergência de valor tão elevado.

Se for funcionário público, tem uma estabilidade maior e uma preocupação um pouco menor.

Se você for autônomo, já é mais dependente da reserva, pois seu fluxo de renda mensal não é fixo.

Não há um número ou fórmula mágica para definir esse valor, mesmo porque nunca sabemos quando (e se) algum imprevisto acontecerá.

Pode ser que você tenha uma reserva de emergência no valor de R$ 50.000,00 e, de repente, necessite de um procedimento médico que custe R$ 100.000,00.

Pode ser que você tenha uma reserva de R$ 20.000,00, perdeu o emprego, mas sua família gaste R$ 4.000,00 por mês e já se passaram mais de 6 meses e você não conseguiu uma nova recolocação no mercado.

Nesses casos, de nada adiantou ter feito a reserva de emergência?

Claro que adiantou!

Preferia ter de pagar os R$ 100.000,00 sem ter nenhum centavo no bolso? Pegar um empréstimo desse valor integral e ter que pagar juros exorbitantes?

Então, cada centavo da reserva de emergência é importantíssimo!

Agora a próxima questão é…

Onde deixar investido o dinheiro para a reserva de emergência?

Muitos defendem que a reserva de emergência deve ser mantida em um investimento seguro e de rápido acesso.

Por esse motivo, dizem que a poupança é o ativo ideal para esse propósito.

Discordo.

Sinceramente, depois que o Tesouro Direto mudou a regra permitindo resgate todos os dias, com liquidação no dia útil seguinte, não vejo utilidade nenhuma para ter qualquer valor na poupança (principalmente para quem usa cartão de crédito para a maioria das compras).

Hoje é muito tranquilo montar a reserva de emergência no Tesouro Selic. Ele é o que eu chamo de “a nova poupança” e você pode ler mais detalhes sobre o funcionamento dele neste artigo.

As vantagens dele é que sua rentabilidade é muito superior à da poupança (que, aliás, nem considero um investimento), além de ser mais seguro, pois é garantido pelo Tesouro Nacional.

A principal crítica com relação a esse uso é que a liquidez dele não é imediata, ou seja, você solicita o resgate agora, mas só receberá o montante no próximo dia útil.

Concordo que, às vezes, isso pode ser um pequeno empecilho caso você queira o dinheiro imediatamente.

Mas, convenhamos, existe realmente algum imprevisto que não possa esperar UM dia para ser pago?

Caso realmente o “imprevisto” cobre o dinheiro na hora, você provavelmente poderá passar um cheque ou pagar no cartão de crédito. Em último caso, pedir empréstimo a algum conhecido, garantindo que pagará tudo no dia seguinte.

“Ah, mas o valor pode ser alto demais”. Algum estabelecimento realmente cobrará quantias exorbitantes, exigindo o pagamento na hora e em dinheiro?

Caso você saiba de algum caso, deixe um comentário para que todos nós fiquemos atentos.



Agora, por que toda essa discussão?

Será que o valor que você está deixando de ganhar no Tesouro Selic realmente vale essa simplicidade de resgate imediato da poupança?

Poupança x Tesouro Selic

Decidi, então, projetar a rentabilidade de duas reservas de emergência de valores equivalentes para verificar o quanto você está deixando de ganhar simplesmente pelo fator da liquidez imediata.

Se quiser simular os meus cálculos, baixe esta planilha:

BAIXE SUA PLANILHA AQUI


Para a simulação dos cálculos, considerei a taxa Selic atual (14,25% ao ano) e uma rentabilidade de poupança projetada de 8,73% ao ano (0,7% ao mês, que é o patamar da poupança este ano), mesmo que ambas sejam historicamente mais baixas.

O cálculo da poupança é feito com base mensal e não há nenhum custo envolvido.

O cálculo do Tesouro Selic é com base diária (somente dias úteis, no qual considerei 252 dias úteis ao ano) e levo em consideração a taxa de administração do Tesouro de 0,3% ao ano e o imposto de renda referente ao período para termos a rentabilidade líquida e estar nas mesmas condições de comparação da poupança.

Você também pode simular com os valores que desejar, os que você julgar uma média mais precisa.

Simulando uma reserva de emergência de R$ 20.000,00, que seria um valor até considerado baixo para uma reserva, vejamos qual seria a diferença entre as duas aplicações*:

tabela_selic-poupanca

*Fiz a projeção mais longa a cada 6 anos, pois, como o tempo médio de duração do título Tesouro Selic é de 6 anos, a cada novo resgate deve ser paga uma nova taxa de imposto de renda. Isso também foi considerado no cálculo.

Não, você não leu errado! O número que realmente chama muita atenção aqui é o R$ 24.209.261,93 (mais de 24 milhões de reais!). Deixei essa simulação propositalmente para você compreender a diferença gritante que os juros compostos podem gerar no longuíssimo prazo.

Obviamente, ninguém quer esperar 60 anos para colher os frutos, mas veja que, em 24 anos, a pessoa que investiu no Tesouro Selic multiplicou seu dinheiro em mais de 17 vezes, enquanto aquele que deixou a reserva na poupança multiplicou por cerca de 7,5 vezes.

Então isso só importa para o longo prazo?

Bom, primeiramente, a reserva de emergência é aquele dinheiro que queremos ter para nunca precisar usar (assim como seguros em geral).

Portanto, se guardamos uma reserva para emergências e o imprevisto nunca chega, estaríamos deixando de ganhar muito dinheiro com a aplicação na poupança em vez do Tesouro Selic.

No entanto, veja que, mesmo para o curto prazo, já temos uma diferença considerável.

O Tesouro Selic, mesmo pagando taxa de administração de 0,3% ao ano e imposto de renda equivalente a 17,5% com 1 ano de rendimento, ainda gera R$ 536,49 a mais que a poupança. Acha isso pouco?

E uma diferença de R$ 1.467,00 em 2 anos? Será que não daria para trocar algumas mobílias da casa?

Para quem tem uma reserva de emergência com valor superior a R$ 20.000,00, essas diferenças ficariam ainda maiores.

Veja o vídeo em que mostro a utilização da planilha. Tentei fazê-la o mais simples possível, mas quem tiver dúvidas pode deixar um comentário.

Considerações finais

Aprendemos que é muito importante montarmos uma reserva de emergência para garantir nossa tranquilidade, como uma espécie de seguro contra imprevistos.

Separe o valor destinado à reserva de emergência assim que receber o salário. O ideal é que seja, no mínimo, 10% do que você ganha.

É fundamental que todos tenham uma reserva, independentemente da fase da vida, da situação familiar, do tipo de emprego. O que pode mudar é o tamanho que essa reserva deve ter.

Você pode deixar a reserva na poupança, mas essa liquidez imediata tem um preço. E o preço pode ser uma grande quantidade de dinheiro que você está deixando de ganhar.

E aí, a questão da liquidez imediata vale mesmo toda essa diferença que você está deixando de ganhar?

Qual o tamanho da sua reserva de emergência? Qual estratégia usa para montá-la? E em que tipo de investimento ela está alocada?

Caso queira saber mais, recomendamos o excelente conteúdo Tesouro Direto Descomplicado do Rafael Seabra, com tudo que você precisa saber sobre Tesouro Direto e dar o próximo passo. Saiba mais nesse link.

Deixe um comentário com sua opinião para que possamos discutir as ideias!

Grande abraço!

Vitor Hernandes