O INSS E A SUA APOSENTADORIA

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O INSS e a sua aposentadoria

O assunto de hoje tratará sobre a sua aposentadoria e o que o INSS tem a ver com isso.

Sou Advogado e Coach Financeiro, muitos clientes da advocacia me procuram querendo aposentar-se ou para tirar dúvidas sobre qual valor receberão de aposentadoria do INSS.

Os que procuram almejando uma aposentadoria, visto que o INSS nega administrativamente muitos pedidos, algumas vezes não preenchem os requisitos mínimos para um pedido judicial, então tenho que dar a infeliz notícia ao segurado de que ele terá de contribuir para a previdência por mais alguns anos. Isso, na maioria dos casos, para receber pouco mais de um salário mínimo enquanto aposentados, benefício este que sofre desvalorização relativa, visto que não acompanha a variação do salário mínimo nacional.

Os que preenchem os requisitos, seja para um pedido administrativo no próprio INSS ou para um requerimento judicial, em sua maioria ficam indignados com o valor que irão receber, mas isso se dá pois sempre contribuíram com o mínimo enquanto economicamente ativos.

Esta é a realidade que percebo em muitos casos, obviamente existem outros que recebem uma boa aposentadoria do INSS, pois contribuíram em percentual sobre o teto dos benefícios, portanto, recebendo este teto na aposentadoria, hoje em R$ 4.663,75, o que, mesmo assim, ainda é um valor parco se comparado aos gastos que uma família possui, sem mencionar os gastos com a velhice que costumam ser indispensáveis.

Feito este panorama, vou listar duas realidades em que talvez você se encaixe.

Um cliente em idade avançada me procura querendo revisar o seu valor de aposentadoria ou desejando aposentar-se, durante a sua vida não teve uma educação financeira adequada, e o seu conceito de aposentadoria sempre foi confiado ao INSS. A sua contribuição mensal para a previdência ao longo dos anos foi, praticamente, em um percentual pouco maior sobre o salário mínimo, e o valor de aposentadoria será, sendo otimista, por volta de dois mil reais.

Enquanto Advogado não posso fazer muito para ajudá-lo, pois, neste exemplo, o seu benefício não cabe revisão de valor, e a realidade que ele se encontra está engessada juridicamente.

Agora entra o trabalho de Coach Financeiro

Este cidadão não tem mais ânimo para trabalhar duro, como enquanto do seu auge laboral, deseja descansar e gozar de uma aposentadoria tranquila. Depende da saúde pública, previdência pública, segurança pública e de políticas públicas, como vive no Brasil tais serviços não são muito efetivos. Como vimos, ele recebe uma aposentadoria de R$ 2.000,00. E agora, você estaria tranquilo no lugar dele?

O cliente sabe que está em maus lençóis, o que pode ser feito para ele, num primeiro momento, é uma manobra para remediar a sua situação, visto que muito tempo foi perdido confiando na previdência pública, será um pouco difícil que esta pessoa tenha folga financeira para aproveitar como deseja as suas férias permanentes, mas não é impossível, para tanto é necessário um trabalho intenso e uma mudança de pensamento e atos substancial.

Todavia, se o nosso exemplo conseguiu juntar alguma economia durante a sua vida, pode ser feita uma análise de objetivos e ações por meio do coaching, o segundo passo é tirar este dinheiro da poupança, focando em investimentos seguros de renda fixa para atender estas metas.

Neste caso é possível dar um alento financeiro para este indivíduo. A provável solução para ele é estudar sobre investimentos e educação financeira para corrigir o tempo perdido, e, dependendo da quantidade de dinheiro que tenha economizado ao longo da vida, pode ter uma boa renda por meio de juros sobre o seu dinheiro, ou ainda outras alternativas um pouco mais agressivas de investimentos, cabendo saber qual o seu perfil de investidor.

Mesmo que consiga juntar uma excelente poupança, acredito que não deseje esta realidade para você no futuro, não é mesmo?

Entremos para o segundo caso

A pessoa está em idade tenra, no auge de seu labor físico e intelectual, ganhando um salário relativamente bom, e tem a preocupação de que o INSS não atenderá às suas expectativas, então me procura como Advogado querendo saber sobre a previdência pública e o seu impacto em sua vida a longo prazo.

Meu conselho jurídico é dizer para que ela siga contribuindo para o INSS, pois esta Autarquia, apesar das críticas já tecidas, é muito boa para dissabores que possam acontecer durante o período contributivo, tais como uma doença ou acidente, seja ele de trabalho ou não. Nestes casos o INSS lhe dará uma renda enquanto estiver afastado de suas atividades laborais cotidianas, afora outros benefícios que o Instituto oferece aos seus segurados, como pensão por morte, salário-família, salário-maternidade, etc.

Assim, caso seja empregado ou empregador/autônomo, deve contribuir também por conta da obrigatoriedade, do contrário será autuado e pagará multa.

Por outro lado, em relação à aposentadoria, o INSS não é o melhor meio de investimento, pois o sistema de contribuição e pagamento de benefícios, embora seja bem arquitetado, não suporta uma população vasta como a brasileira, sem mencionar que a estimativa de vida está aumentando, logo, a Autarquia terá de pagar por mais tempo valores de aposentadoria, se continuar como está o sistema certamente irá falir em alguns anos.

Já estamos experimentando mudanças significativas nas regras de aposentadoria, justamente por esta realidade que acabei de narrar, então a tendência é que isso piore e seja mais difícil aposentar-se pelo INSS.

Dando seguimento, por meio do trabalho de coaching financeiro, poderia direcionar este indivíduo até os seus objetivos, ou seja, que tipo de aposentadoria ele procura? Uma suficiente para viver confortavelmente com a sua família ou para viajar o mundo?

Procurar adaptar a sua realidade com seus objetivos de longo prazo e fazê-lo entender que a educação financeira é assunto sério é merece um tempo diário de planejamento e estudos.

Desta forma ele verá que existem investimentos acessíveis hoje que lhe permitirão gozar de uma aposentadoria sólida e sem contratempos. Assim, ao invés de ele começar a estudar sobre estes temas na velhice, como o nosso primeiro exemplo, ele já estará colhendo os louros de sua dedicação no tempo certo.

Como este cliente também contribuiu para o INSS, ele irá aposentar-se por esta via também, e terá uma aposentadoria complementar, uma aposentadoria acessória, portanto, a principal será feita desde agora por meio de uma educação financeira sólida e regrada, o que não significa abdicar de confortos, mas sim selecioná-los.

Hoje em dia um investimento conservador e que serve para aposentadoria é o Tesouro Direto, para quem deseja saber mais sobre a segurança do Tesouro leia também o artigo – Investir no Tesouro Direto é Seguro!

Mas por se tratar de uma pessoa jovem os ganhos podem ser maiores com renda variável, pois, em tese, esta pessoa pode arriscar-se mais em busca de um ganho maior.

Estes tipos de investimentos e mentalidade de educação financeira visando a aposentadoria independem se você ganha pouco ou muito, se está empregado ou desempregado, para ter uma vida equilibrada financeiramente você precisa de apenas duas coisas, conhecimento e disciplina.

Portanto, mesmo que você não ganhe muito dinheiro hoje, se não quiser depender de terceiros para ter uma aposentadoria tranquila, reflita, escreva num papel as perguntas e respostas:

1 – Quais os seus objetivos financeiros no médio e longo prazo?
2 – O que você não está fazendo hoje que lhe aproxime deste objetivo?
3 – O que você está fazendo de correto?
4 – O que você pode fazer a partir de agora para atingir esta meta mais rapidamente?
5 – O que você perde se não fizer isso?
6 – O que você ganha se modificar o que deve ser mudado?

Ao realizar este experimento simples você irá se surpreender com as suas respostas, detalhe cada passo, narre todos os seus comportamentos e, finalmente, procure seguir as suas conclusões positivas de forma fiel, lembre, disciplina é a chave!

A sua aposentadoria só depende de você!

Se tem elogios, perguntas ou críticas construtivas ao artigo, por favor comente.

Até breve!

Leonardo Batistella

  • Anderson Henrique Chaves

    Fala Leo. Esse é um assunto que deveria ser difundido já nas escolas.
    Infelizmente, a maioria ainda é financeiramente analfabeta.
    Não sei ao certo a % de idosos que tem necessidade de voltar a trabalhar pois a renda do INSS não dá conta, mas é bem alta.

    Acontece que se a pessoa perceber isso apenas na velhice, como você citou no texto, fica muito difícil contornar essa situação, já que o tempo deve ser usado a nosso favor nos investimentos. Quanto menor é o tempo que você tem de margem para se aposentar, maior deverá seu aporte mensal para formação do patrimônio, maior é a exigência de ativos mais arriscados e que paguem um retorno muito maior do que a média e nisso você se expõe demasiadamente, correndo o risco de falência antes mesmo de se aposentar. E isso é pessimo.

    Por outro lado, já devemos pensar nisso no nosso primeiro emprego. Montar uma reserva já destinada á nossa aposentadoria de modo a não depender do INSS. Nas minhas contas para a independencia financeira, eu nem conto com o INSS pq isso SE VIER, é bonus. Haja vista que a expectativa de vida dos brasileiros tende a aumentar com tecnologias e descoberta de medicamentos, o INSS é um sistema já condenado à falência, pois depende de nós mais novos como contribuintes. Por conta disso, o interesse do governo é que a gente se aposente cada vez mais tarde para permitir maior recolhimento de impostos. A pessoa deve ter mt claro isso em mente.

    Ninguém vai cuidar melhor de seu dinheiro do que você mesmo, desde que você tenha um mínimo de educação financeira, paciência e disciplina.

    Grande abç e bons investimentos!!!!

  • Leonardo Savian Batistella

    Fala aí Anderson!!

    Muito bem observado, o INSS deve ser apenas um bônus enquanto aposentadoria, educação financeira é coisa séria, e nós brasileiros estamos nos importando com isso de tempos para cá apenas.

    A escola deveria ter uma cadeira exclusiva para este assunto, assim como ressuscitar a cadeira de educação cívica, parece pouco, mas só com isso muita coisa mudaria nas próximas gerações.

    O Brasil tem um potencial tremendo e eu não vou desacreditar disso, e para eu não ser visto como mero sonhador, faço questão de compartilhar um pouco das minhas experiências no intuito de ajudar a quem interessar possa. Nós, estudiosos sobre educação financeira, temos este dever de compartilhar o pouco que sabemos, e saber ter a humildade de aprender com os outros.

    Grandes feitos são importantes, mas pequenos e bons atos que partem de cada indivíduo é o que mudará a nossa realidade.

    Abraço e ótimos investimentos!!

  • Anderson Henrique Chaves

    Excelente visão. Temos uma missão de mt responsabilidade que é ensinar algo que sabemos em prol de uma educação financeira melhor para a população. Por mais que possa ser chato de início, pela falta de hábitos da pessoa, pode ter certeza que é o melhor investimento que se pode fazer no conhecimento.

    Infelizmente a escola AINDA não possui essa preocupação e espero que esteja com os dias contados.

    abçs

  • Emerson Vaz

    Olá Leonardo, parabéns pelo artigo!
    Tenho uma dúvida, se puder me ajudar esclarecer:)
    Para aposentadoria o Tesouro Direto seria melhor do que a Previdência Privada (no meu caso, levando em conta que tenho 27 anos, sou autônomo, desejo investir R$ 600,00 mensais durante cerca de 25 anos)? Ja que a previdência no geral tem taxas altas, além de correr risco de também perder para a inflação (me corrija se estiver errado por favor).

    Abs,