VALE A PENA INVESTIR EM AÇÕES?

Quando falamos em ações e bolsa de valores, a maioria das pessoas já pensa em um cassino, onde podem ganhar muito dinheiro, mas também perder tudo.

Aqui já fica o primeiro alerta: você não deve investir em ações pensando somente na rápida valorização para vender em seguida.

O investimento em ações deve ser com a cabeça de sócio. As ações nada mais são do que pequenas partes de grandes empresas.

Porém, será que realmente são bons investimentos?

Gravei um vídeo para mostrar “por que investir” e “por que não investir” em ações.

Também analiso para que tipo de estratégia elas podem ser adequadas.

POR QUE INVESTIR EM AÇÕES?

1) Investimento em empresas com pouco dinheiro

A melhor forma de enriquecer de verdade é tendo uma empresa. É possível ficar rico somente sendo funcionário e investindo na renda fixa, mas o caminho é bem mais longo.

O verdadeiro enriquecimento vem das empresas, principalmente criando negócios e gerando empregos.

Porém, sabemos que nem todos têm o capital ou a expertise necessários para fazer isso.

Portanto, uma maneira fácil de se investir em boas empresas é por meio das ações. Com poucos reais, você consegue comprar pequenos pedaços de empresas para construir seu próprio império.

2) Potencial ilimitado de ganhos (cotação segue fundamentos no longo prazo)

Você com certeza conhece alguém que tentou investir na bolsa de valores, mas em pouco tempo desistiu. Teve prejuízo e saiu falando que bolsa era cassino.

Isso porque a maioria das pessoas são imediatistas. Pensam em investimentos somente no curto prazo, achando que ficarão ricas da noite para o dia.

No entanto, a oscilação das ações no curto prazo é aleatória. Você pode comprar ações de boas empresas achando que elas subirão rapidamente, mas nos dias seguintes vê suas ações somente caindo.

É a aleatoriedade do mercado. Uma ação de boa empresa também cai. Uma ação de empresa ruim também sobe.

Porém, no longo prazo, os preços das ações tendem a seguir os fundamentos. Se uma empresa continua crescendo, aumentando a receita e melhorando seus lucros, a tendência é que o preço das ações também suba ao longo do tempo.

E o potencial de ganho de uma boa empresa é ilimitado, pois não sabemos até que ponto ela pode crescer.

3) Terceirização para gestão profissional (não precisa participar do negócio)

Quando você cria uma empresa, está se expondo totalmente aos riscos inerentes daquele setor.

Você deve entender muito bem daquele setor para que não tenha grandes surpresas negativas e não seja massacrado pela concorrência.

Além disso, você precisa atuar no dia a dia da empresa, principalmente no começo, para que ela engrene e funcione do jeito que você imagina.

Ao investir em ações, você escolhe boas empresas, que já têm bons gestores, com anos de experiência naquela área de atuação. Eles sabem muito melhor do que você como fazer a empresa dar certo.

Além disso, você não precisa (e, na verdade, nem pode) estar no dia a dia do funcionamento da empresa. Pode simplesmente realizar seu próprio trabalho e delegar essa gestão para quem entende.

Para ser ainda melhor, você pode escolher várias empresas diferentes para se tornar sócio, diversificando suas escolhas e reduzindo seu risco de ter escolhido uma empresa errada.

4) Maior liquidez em relação a ter empresas diretamente

Outra vantagem de se ter ações em relação a ter uma empresa própria é a questão da liquidez.

Se você tem uma empresa e deseja vender parte dela, não consegue fazer isso do dia para a noite. É necessário todo um processo de valuation da empresa e busca por possíveis investidores.

Com as ações, você compra e vende em qualquer horário que a bolsa estiver aberta (de segunda a sexta, entre 10h e 17h), podendo resgatar seu dinheiro no terceiro dia útil após a venda.

5) Usufruto dos rendimentos sem corroer o patrimônio

E este último motivo talvez seja o mais importante: você pode utilizar os dividendos pagos pelas ações, e seu patrimônio manterá seu valor.

Vamos supor que você tivesse 200 mil reais investidos na caderneta de poupança. Se você resgatar todos os rendimentos da poupança mês a mês, manterá o valor nominal de 200 mil reais ao longo do tempo.

O problema disso é que esses 200 mil reais não terão o mesmo poder de compra no futuro, por causa da inflação.

Já uma empresa pode se valorizar muito acima da inflação, ou também se desvalorizar, mas o fato é que ela continua lá gerando renda para você ano a ano.

POR QUE NÃO INVESTIR EM AÇÕES?

1) Cotações acompanham ciclos político, econômico e setorial

Infelizmente, as ações no Brasil são extremamente sensíveis à política. Se há algum escândalo político, é bem provável que as ações caiam. Por outro lado, quando há algo possivelmente benéfico, a tendência é que as ações subam.

Elas também são bastante relacionadas à economia como um todo. Isso é óbvio, já que empresas se beneficiam de uma economia crescente e bons índices de consumo, enquanto não vão bem quando o país está em crise.

Além desses fatores macro, as empresas também são afetadas pelos setores em que atuam. Por exemplo, uma mineradora depende muito do preço do minério praticado em todo o mundo, assim como uma empresa de energia elétrica está intimamente ligada às regulamentações do setor.

Levando esses 3 fatores em consideração, nem sempre as ações caem ou sobem por motivos ligados diretamente à empresa, mas muitas vezes são por fatores externos.

2) Mais de 80% das empresas listadas são ruins

Se existe um fator prejudicial demais para novos entrantes na bolsa de valores, é este aqui: são poucas as empresas listadas que podem ser consideradas boas.

A maioria das empresas apresenta uma curva de lucros muito irregular. Alguns anos de lucro, outros de prejuízo. São poucas as que conseguiram mais de 5 anos consecutivos de lucros.

Dentre essas, é mais raro ainda aquelas que conseguem aumentar seus lucros com consistência, que é o desejável para toda empresa. Uma empresa com lucro estável há 5 anos é uma empresa estagnada, ou seja, sem expectativa de crescimento.

Com isso, muitas pessoas começam na bolsa sem estudar e suas chances de acabar escolhendo uma empresa ruim é muito grande. O resultado é que essas empresas sofrem quedas ou ficam de lado durante anos, e o “investidor” não sabe o que aconteceu.

Por outro lado, o fato de existirem poucas boas empresas facilita o filtro para aqueles que têm o interesse de estudar. Em uma simples olhada nos números, você consegue descartar rapidamente uma empresa que não merece nem ser estudada.

É claro que você não ficará abrindo os informes de cada uma das empresas, mas hoje existem sites que mostram isso de maneira fácil e compilada. Eu utilizo o site do Eduardo Cavalcanti, que é excelente para ver todos esses dados compilados.

3) Melhores empresas costumam ser negociadas a múltiplos muito altos

Depois de identificadas as melhores empresas, a principal questão é que elas normalmente estão sendo negociadas a múltiplos muito altos, isto é, o preço das ações já embute uma perspectiva de crescimento muito grande.

Algumas dessas empresas atendem as expectativas e continuam crescendo muito bem, e os preços tendem a subir junto.

O grande problema é quando o preço embute um alto crescimento, e as empresas começam a piorar seus resultados. Como a expectativa sobre elas era muito grande, há grande chance dos preços caírem muito.

Nessa hora, abre-se boas oportunidades, caso as quedas de lucros sejam pontuais. Outro momento bom para comprar é quando as ações caem por fatores externos à empresa, como os citados anteriormente.

4) Alta volatilidade no curto prazo (aleatoriedade do mercado)

Novamente reforço: invista em boas empresas. Mas entenda que ações de boas empresas podem cair. Ações de empresas ruins podem subir. No curto prazo, a movimentação de preços é aleatória e muito mais ligada a fatores externos.

No longo prazo, os fatores externos pouco importam para os preços das ações. Eles tendem a seguir a curva de lucros da empresa. Se a empresa cresce seus lucros ano após ano, suas ações seguem o movimento. No longo prazo, são os fundamentos que ditam os preços das ações.

No curto prazo, a bolsa parece mesmo um cassino.

5) Dividendos e JCP não têm periodicidade definida

Para quem gosta de receber rendimentos, as ações não são tão empolgantes quanto os fundos imobiliários. Nos fundos imobiliários, você recebe rendimentos mensalmente, como um reloginho.

Nas ações, a periodicidade de distribuição dos dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), que são os lucros das empresas distribuídos aos acionistas, não é tão regular.

Existem empresas que distribuem em base anual, semestral, trimestral ou até algumas poucas mensalmente, mas normalmente valores bem baixos.

E nem sempre são nas mesmas datas que distribuíram anteriormente. Ou seja, você nunca sabe quando receberá algum lucro da sua empresa.

PARA QUE É INDICADO?

1) Investir em empresas indiretamente

Para quem gosta de investir em negócios, mas não tem dinheiro, tempo ou expertise para abrir sua própria empresa, aplicar em ações na bolsa de valores é uma forma muito fácil de se beneficiar desse mundo capitalista.

2) Acelerar sua aposentadoria

É possível você se aposentar trabalhando como funcionário e investindo somente em renda fixa. Porém, o tempo para alcançar um valor confortável pode ser muito longo.

Ao investir em ações, você participa do crescimento das empresas e pode aumentar seu patrimônio bem mais rapidamente.

3) Viver de renda passiva

Mesmo não recebendo dividendos todos os meses, você pode se programar com base anual para o usufruto dos seus proventos.

É claro que, investindo somente em ações, você não consegue ter uma boa previsibilidade dos valores que poderá utilizar em cada mês, mas é possível fazer um planejamento para guardar os dividendos recebidos nos meses em que forem pagos os valores mais altos.

4) Diversificar sua carteira de investimentos (exposição a diferentes riscos)

Se você investir somente em renda fixa, estará se limitando a um ganho real muito pequeno perto do que poderia ter.

Além disso, investimentos de renda fixa são apenas empréstimos, seja para Governo (Tesouro Direto), banco (CDB, LCI, LCA) ou empresas (debêntures, CRI, CRA).

Nas ações, você está se tornando sócio de empresas, isto é, pode ganhar com o crescimento e desenvolvimento dos negócios, em vez de se limitar ao ganho com empréstimos.

5) Exercitar sua disciplina e resiliência

As ações são voláteis por natureza. Não são todos que aprendem a anular o emocional de suas operações e aguentar grandes quedas com seu suado dinheiro.

Investir em ações é um exercício que requer: disciplina, para estudar os investimentos em que deseja aplicar e conseguir manter o hábito de aportar todos os meses; e resiliência, para aguentar as quedas das ações e ter a convicção de que escolheu uma boa empresa, então é hora de comprar mais (não de vender).

VEREDITO

Agora que você já sabe os prós e contras de se investir em ações, além de saber para que tipo de estratégia são mais adequadas, está mais apto a decidir se elas fazem sentido na sua carteira de investimentos.

A minha opinião é de que vale sim investir em ações, pois todos os contras citados podem ser contornados por meio de conhecimento e controle emocional.

Porém, o controle emocional está diretamente ligado ao conhecimento que você tem sobre determinado assunto. Quando você estuda adequadamente um investimento, você tem convicção do que está fazendo e, consequentemente, consegue fazer o racional se impor ao emocional na maioria das suas decisões.

Confira a Carteira de Ações do Jornada, que será atualizada todos os meses, com valorização e rendimentos.

Por fim, gostaria de saber de você. Já investe em ações? Pretende investir agora? Deixe um comentário!

Grande abraço!

Vitor Hernandes