VALE A PENA INVESTIR EM CRIPTOMOEDAS?

Quando falamos em criptomoedas e Bitcoin, a maioria das pessoas já torce o nariz e pensa em golpes ou lavagem de dinheiro, onde os bandidos fazem a festa.

É claro que existem pirâmides e todo tipo de crime envolvendo o uso de criptomoedas. Isso significa que antes da criação do Bitcoin não tínhamos nenhum desses problemas?

Antes de  descartar (ou aceitar) as criptomoedas como opções de investimento, é fundamental entender suas características.

Não seja só mais um ignorante repetindo que o Bitcoin não passou apenas de uma bolha e que serve somente para crimes.

Veja o vídeo que gravei apontando “por que investir” e “por que não investir” nas criptomoedas e forme sua própria opinião.

POR QUE INVESTIR EM CRIPTOMOEDAS?

1) Tecnologias potencialmente disruptivas

As criptomoedas chegaram com propostas que podem mudar drasticamente o funcionamento de diversas áreas do mundo.

Quando falamos em algo disruptivo, queremos dizer que é algo que substituirá a forma de algo que existe hoje.

Quando a internet surgiu, era vista somente como algo utilizado somente por nerds e criminosos. Não preciso dizer que hoje ela é indispensável no mundo e também para boa parte das pessoas.

As criptomoedas têm esse potencial. O Bitcoin em si pode mudar a forma como são feitas as transações monetárias, enquanto há outras criptomoedas que podem revolucionar outras áreas, como registros de contratos em blockchain, processos logísticos com integração IOT (internet das coisas), processo de votação em blockchain, entre outros.

2) Transferência de dinheiro de forma mais eficiente

Você já precisou transferir dinheiro para alguém fora do horário comercial dos bancos?

Pode ser um pequeno incômodo ter que aguardar o próximo dia útil para conseguir realizar uma transferência, mas admito que não é algo tão problemático assim.

Porém, já tentou enviar dinheiro para alguém no exterior? Quantos dias demorou e quais foram os custos dessa transação?

Ainda hoje, os custos de um envio para o exterior são altos: você paga mais caro no spread cambial, paga IOF e a tarifa do SWIFT.

Além disso, o dinheiro chega para a outra pessoa somente no dia seguinte (sendo muito otimista), às vezes podendo levar vários dias.

Uma criptomoeda pode ser transferida para qualquer lugar do mundo em questão de minutos (ou até segundos), com custos de transação muito mais baixos.

Além disso, não há nenhum intermediário nessa operação. Você envia criptomoedas de posse sua para outra pessoa diretamente. Os mineradores responsáveis por minerar os blocos não veem a cor do dinheiro, ou seja, é impossível haver desvios.

3) Liberdade monetária

Quando você tem uma criptomoeda, a posse e responsabilidade sobre esse dinheiro é toda sua.

Você é o responsável por armazená-la em segurança, sem depender de bancos ou outros intermediários.

Você deve guardá-la em uma wallet, que é uma espécie de carteira, que pode ser online, offline ou mesmo física.

Na realidade, a criptomoeda é armazenada na própria blockchain, que está sempre na nuvem, 24 horas por dia. O que a wallet faz é guardar a chave privada, que dá acesso à movimentação dessas moedas.

Sua responsabilidade é guardar a wallet em segurança para que ninguém consiga sua chave privada para movimentar suas criptomoedas.

4) Potencial ilimitado

Até agora, falamos somente dos benefícios fundamentalistas das criptomoedas. Porém, vamos agora para o que interessa de verdade: isso dá dinheiro?

A verdade é que o potencial de uma criptomoeda é ilimitado. Isso porque, como estamos falando de algo novo, caso os projetos vinguem em grande escala, o céu é o limite.

Quanto você acha que vale uma moeda que pode potencialmente se tornar a moeda de troca mundial, substituindo dólar, real, euro e se tornando a moeda global?

Estaríamos falando de uma demanda da população mundial toda e com oferta limitada (no caso específico do Bitcoin, que terá somente 21 milhões de unidades).

Da mesma forma, existem diversos outros projetos que podem trazer usos e benefícios globais e também se valorizarem muito. Essas criptomoedas podem não apenas dobrar de valor, mas se multiplicar por 5, 10, 20, 100 vezes e até mais, inclusive aconteceu com o próprio Bitcoin.

Muitas criptomoedas acabam sendo parecidas com start-ups. A diferença é que utilizam tecnologia blockchain para seus projetos. Vale lembrar que Apple, Facebook, Google e Microsoft foram empresas pequenas algum dia.

5) Descorrelação com outros investimentos

Obviamente, você não deve ter somente criptomoedas como investimento. Elas devem ser uma pequena parte de seu portfólio (sugiro no máximo 10%).

Um investimento descorrelacionado significa que não tem correlação nenhuma com outro.

Ou seja, se as ações na bolsa de valores caem, isso não causa nenhum impacto nas criptomoedas. Elas podem cair ou subir, de forma independente das ações.

Como no mercado financeiro tudo está correlacionado, pode ser interessante ter uma parcela de sua carteira que não tem correlação com nada.

Muitos apostam que o Bitcoin pode vir a se tornar uma espécie de ouro digital, ou seja, ser tratado como reserva de valor.

O ouro é um ativo que acaba se valorizando mais quando há expectativa de alguma crise, principalmente mundial. Então, ele funciona como uma espécie de proteção da carteira.

E é por isso que o Bitcoin pode começar a ser tratado dessa maneira. Já que ele não se correlaciona diretamente com nada, as gestoras de investimento podem começar a utilizá-lo como forma de hedge e ele futuramente ser realmente considerado uma reserva de valor.

POR QUE NÃO INVESTIR EM CRIPTOMOEDAS?

1) Tecnologia de entendimento complexo

Criptomoeda? Bitcoin? Blockchain? Wallet? Chave privada?

Existem diversos termos e complexidades envolvidos na tecnologia das criptomoedas.

Muitos ficam com o pé atrás por não entenderem exatamente como funciona cada etapa de validação dos blocos, não sabem o que é mineração ou os algoritmos matemáticos que devem ser desvendados.

Mas você que tem essas dúvidas sabe como funciona todo o processo que ocorre nos bastidores de transferência bancária? Sabe o que há por trás do funcionamento das páginas de internet que você usa todos os dias? Sabe como é a tal da criptografia nas mensagens do WhatsApp?

Imagina se você tivesse que saber tudo isso para utilizar esses serviços? A boa notícia é que não precisa conhecer todos os processos por trás das criptomoedas.

Basta entender como funciona a parte do usuário em si, que também é um pouco complexa, por ser diferente, mas nada que não possa ser entendido.

2) Não são regulamentadas

Por se tratar de algo ainda novo, ainda não há legislações muito específicas sobre o uso e o investimento em criptomoedas.

Isso é visto como muito positivo por alguns mais libertários, pois podem ganhar e transferir dinheiro sem a intervenção do Governo.

No entanto, para ganhar a confiança de um público mais cético, pode ser necessário algum tipo de regulamentação.

Por um tempo, o Governo e os bancos tentaram lutar contra o avanço das criptomoedas, mas aos poucos percebemos uma adequação e tentativa de se estabelecer um meio termo no uso delas.

Inclusive, há pouco tempo, a Receita Federal incluiu regras específicas para criptomoedas, mais especificamente de que devem ser tratadas como ativos e, em caso de venda superior a 35 mil reais dentro de um mês, deve-se recolher imposto de renda de 15% sobre o lucro.

3) Alto risco (volatilidade)

Quem acompanha as criptomoedas (ou ao menos o Bitcoin) já há algum tempo, sabe o quanto são voláteis.

Para se ter uma ideia, o Bitcoin, no início de 2016, custava cerca de 500 dólares. No final de 2017, ele chegou a incríveis 20 mil dólares. Hoje, está na casa dos 4 mil dólares.

Essas oscilações enormes podem assustar até mesmo quem já está acostumado com a bolsa de valores.

É engraçado que, quando falamos na palavra risco, pensamos sempre em algo ruim. Mas, na verdade, risco é a possibilidade de acontecer algo, que pode ser bom ou ruim.

Então, as criptomoedas têm grande risco sim. Têm o risco de cair muito ou de se valorizar muito.

4) Muitas criptomoedas são apenas promessas

Como dito anteriormente, a maioria das criptomoedas são apenas projetos por enquanto. Como se fossem start-ups iniciando seus trabalhos para desenvolver algo grande, podendo dar certo ou não.

Além disso, como em todo mercado, existem os aproveitadores. Aqueles que se aproveitam desses mecanismos para aplicar golpes.

Já existiram criptomoedas que não passaram de golpes (scams, no jargão de mercado) e com certeza ainda existem. Mas nem sempre sabemos identificá-las. Algumas dão evidências claras, outras sabem disfarçar bem.

Para minimizar esse risco, sempre estude o quanto puder sobre aquele projeto e diversifique. Jamais coloque todo o seu dinheiro em um único investimento, muito menos em uma criptomoeda.

5) Criptomoedas podem valer zero

Quando você investe em um negócio próprio, existe a chance de não dar certo e você perder todo o valor investido (algumas vezes, até ficar devendo).

Nas criptomoedas, também há esse risco. Alguns projetos podem não atender as expectativas e chegar a falir ou podem ser apenas golpes para pegar seu dinheiro.

PARA QUE É INDICADO?

1) Investir em tecnologias disruptivas

Para quem gosta de inovação e quer participar do futuro de alguma maneira, as criptomoedas são um prato cheio.

O Bitcoin não é a única criptomoeda potencialmente revolucionária. Existem diversos projetos que podem se desenvolver de forma muito interessante e conseguir adoção em massa.

2) Realizar transferências de forma mais eficiente

O mundo hoje é totalmente globalizado por meio da internet, mas as burocracias governamentais e bancárias impedem um meio ágil e barato de se fazer transações de um país a outro.

As criptomoedas vieram para romper essas barreiras.

3) Ser seu próprio banco

Armazenar seu próprio dinheiro pode não fazer muito sentido aqui no Brasil, pois ainda temos um sistema que funciona razoavelmente.

Porém, o Bitcoin tem sido muito importante na China e na Venezuela, onde há intervenções governamentais nas finanças da população.

Essas pessoas têm utilizado criptomoedas por necessidade, ou seja, pela dor.

4) Substituir as apostas em loterias

Ainda hoje conheço muita gente que toda semana faz aquela “fezinha” de comprar um bilhete de loteria toda semana, na esperança de ganhar algo que faça mudar sua vida.

A chance de ganhar uma bolada na loteria é praticamente nula, mas apostar em criptomoedas pode ser uma alternativa.

Como já alertei aqui, é fato que algumas criptomoedas estão fadadas ao fracasso. E não temos como saber ao certo quais são.

No entanto, as que derem certo podem se multiplicar por 10, 20, 100 vezes ou mais. E como acertar as que darão certo?

Sua melhor chance é diversificar. Escolha 10 ou 20 criptomoedas (com critério) e compre todo mês um pouco.

Uma única criptomoeda que “vingar” poderá pagar facilmente o investimento em todas as outras e ainda sobrar um lucro enorme (considerando que todas as outras virem zero). Se mais de uma delas vingar, aí você pode vir me agradecer depois.

Então, que tal, em vez de gastar 40 reais por mês com bilhetes de loteria, você aplicar em criptomoedas?

5) Diversificar a carteira com investimentos descorrelacionados

Além do potencial enorme de ganho que as criptomoedas podem trazer, elas podem até mesmo amortecer uma queda do restante de seu portfólio.

Imagine que a bolsa de valores despenque, o país entre em crise, o Governo dê calote. Tudo pode acontecer. Esteja preparado.

Como as criptomoedas não acompanham a movimentação de nada específico ainda, ela pode se tornar uma ótima reserva de valor e, até mesmo, passar a cumprir o mesmo papel do ouro, que é o de hedge.

VEREDITO

Agora que você já sabe os prós e contras das criptomoedas, além de saber para que tipo de estratégia são mais adequadas, está mais apto a decidir se elas fazem sentido na sua carteira de investimentos.

A minha opinião é de que vale sim investir em criptomoedas, principalmente pelo enorme potencial de ganho. Você tem o risco de perder 100% do que colocou, mas pode ganhar 200, 500, 1.000% ou mais.

Invista no máximo 10% da sua carteira de investimentos em criptomoedas e diversifique em pelo menos 10 moedas diferentes. Assim, você diminui muito seu risco de perder tudo e aumenta suas chances de encontrar uma criptomoeda disruptiva.

Confira a Carteira de Criptomoedas do Jornada, que será atualizada todos os meses, com sua respectiva valorização.

Por fim, gostaria de saber de você. Já investe em criptomoedas? Pretende investir agora? Deixe um comentário!

Grande abraço!

Vitor Hernandes