VALE A PENA INVESTIR EM ETFS NO EXTERIOR?

Quando começamos a investir, é comum concentrar tudo o que temos nos investimentos aqui no Brasil. Afinal, moramos aqui, então esse acaba sendo o status quo.

Porém, quando vemos o histórico econômico do Brasil, notamos que momentos de crise, inflação alta e instabilidade econômica são muito comuns em nosso país.

Pensando nisso, será que é interessante mesmo termos todo o nosso patrimônio aqui?

Gravei um vídeo para mostrar “por que investir” e “por que
não investir” em ETFs no exterior para que você possa decidir se é interessante ou não.

Também analiso para que tipo de estratégia eles podem ser adequados.

POR QUE INVESTIR EM ETFS NO EXTERIOR?

1) Brasil representa somente 3% da economia mundial

Conforme falei, nós brasileiros costumamos investir todo o nosso patrimônio aqui justamente porque nascemos aqui, este é o sistema que conhecemos.

Porém, saiba que a economia brasileira representa somente 3% da mundial. Ou seja, temos uma participação global ínfima e, consequentemente, pouquíssimas opções em relação às que existem no mundo todo.

Pergunte a um americano se ele investiria todo seu patrimônio no Brasil. E pergunte a si mesmo se investiria todo o seu dinheiro na Venezuela.

2) Acesso a todos os mercados do mundo com pouco dinheiro

Investir em ETFs no exterior tem um preço relativamente acessível. Por exemplo, o IVV, que é o ETF que replica o índice S&P 500 dos EUA, custa hoje na faixa de 280 dólares, que daria pouco mais de 1 mil reais.

De que outra forma você conseguiria comprar uma participação em 500 empresas com apenas 1 mil reais?

Além desse ETF, há diversos outros que custam até menos que isso e com investimentos por todo o mundo.

Por meio dos ETFs, você consegue investir em ativos de praticamente qualquer país.

3) Capital investido fora do Brasil e em “moeda forte”

Aqui está um dos principais pontos de se investir no exterior.

Como no Brasil temos crises com frequência, nunca sabemos quando o pior ainda está por vir.

Por esse motivo, é sempre importante ter parte do seu patrimônio fora do Brasil, para casos de hiperinflação, confisco ou, até mesmo, guerra civil.

Sei que pode parecer pessimista demais, mas, de fato, não temos controle nenhum sobre o futuro.

4) ETFs no exterior têm boas empresas

Provavelmente, quando falei de investir em ETFs, você deve ter torcido o nariz. Isso porque os ETFs brasileiros são bem ruins.

Nenhum ETF daqui tem critérios qualitativos para escolher as ações de seu portfólio. Simplesmente, seguem índices passivos que, normalmente, envolvem somente volume de negociação (BOVA11), tamanho de empresa (SMLL11) ou mesmo índices de setores específicos.

No exterior, vemos muitos ETFs que seguem índices com foco em qualidade. Por exemplo, o VIG investe somente em empresas norte-americanas que tenham aumentado a distribuição dos dividendos por, no mínimo, 10 anos consecutivos.

Já o XSOE investe somente em empresas de países emergentes, mas com o critério de não ter nenhuma empresa estatal. Isso por si só já elimina boa parte das empresas ruins.

5) Menos de 10% dos fundos ativos batem os ETFs passivos

Estudos norte-americanos comprovaram que, historicamente, a maioria dos fundos de gestão ativa não conseguem superar índices passivos.

Isso porque, como não sabemos o comportamento dos preços, tendemos a querer “adivinhar” as tendências e, muitas vezes, acabamos vendendo em momentos de subida e comprando em momentos de queda.

Em um índice passivo, você fica exposto o tempo todo e acompanha a subida dos preços de acordo com os fundamentos das empresas.

POR QUE NÃO INVESTIR EM ETFS NO EXTERIOR?

1) Rentabilidade mais baixa

Em países considerados de primeiro mundo, vermos taxas de juros acima de 5% ao ano ou ações que pagam mais de 10% ao ano é totalmente impensável.

Nos EUA, até existem ações que pagam dividendos acima de 6%, mas normalmente são empresas com muito mais risco. O comum é vermos algo na faixa de 3% ao ano.

Para quem é brasileiro e está acostumado com rentabilidades altíssimas, comprar ações ou ETFs pagando 3% ao ano realmente pode parecer desanimador.

2) Imposto de 30% sobre os dividendos

Além dos dividendos nos EUA serem mais baixos que no Brasil, ainda existe a cobrança de 30% de imposto de renda sobre essas distribuições.

Ou seja, se um ETF paga 3% de dividendo ao ano, você receberia líquido pouco mais de 2%.

3) Envio de dinheiro para o exterior gera vários custos (spread, IOF, SWIFT)

Infelizmente, ainda não é tão simples nem barato enviar recursos para o exterior. Talvez, com o crescimento das criptomoedas, isso se torne mais viável.

Hoje, ainda pagamos muito caro pelo spread cambial que as casas de câmbio cobram. Ou seja, o dólar que vemos na tela é acrescido de um custo de serviço da exchange.

Além disso, também há cobrança de 0,38% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que é cobrado pela Receita Federal sobre qualquer operação.

Por fim, ainda há a tarifa bancária para a transferência via SWIFT, que é uma instituição que permite a conexão entre as instituições financeiras de todo o mundo.

4) Declaração de imposto de renda mais complexa

A declaração de imposto de renda é um processo chato, mas necessário. E ter investimentos no exterior pode deixá-lo um pouco mais complexo.

Para declarar dividendos recebidos no exterior, você precisa utilizar o programa Carnê Leão para informar os rendimentos recebidos e os impostos retidos na fonte nos EUA, para que não haja a cobrança de mais impostos aqui no Brasil.

Outro ponto é que, quando você vende ativos no exterior, precisa utilizar o programa de Ganho de Capital (GCAP) para informar seus ganhos e ter direito à isenção de imposto para vendas de até 35 mil reais dentro de um mês.

Não são procedimentos muito difíceis, mas algo necessário de aprender para operar no exterior.

5) Prejuízos não são acumulados para abatimento futuro

Aqui no Brasil, quando vendemos ações ou fundos imobiliários com prejuízo, podemos guardar essa informação para compensar de lucros futuros. Ou seja, um prejuízo aqui não é tão impactante assim, por existir esse benefício fiscal.

Nos EUA, não existe esse benefício. Se tiver prejuízos, eles não poderão ser compensados futuramente.

PARA QUE É INDICADO?

1) Proteger parte do capital fora do país e em moeda forte

Como dito anteriormente, nunca sabemos quando uma crise está à espreita aqui no Brasil. Por isso, é prudente ter uma parte do patrimônio fora do país e em moeda forte.

2) Viver no exterior e utilizar a renda

Ter investimentos no exterior também pode ser interessante para quem mora ou pretende morar em outro país.

Assim, pode utilizar os dividendos recebidos para os gastos no exterior.

3) Investir em empresas que não estão disponíveis no Brasil

A bolsa de valores no Brasil ainda é muito pequena e tem pouquíssimas empresas.

Ao ter uma conta em corretora no exterior, você tem acesso a mercados de todos os lugares do mundo, aumentando muito suas opções de investimento.

4) Aumentar de forma natural os dividendos recebidos

Muitas das empresas nos EUA têm uma política de aumentar todos os anos a sua distribuição de dividendos.

Portanto, mesmo que você não esteja aplicando novos recursos todos os meses, é bem possível que sua renda continue aumentando, conforme as empresas aumentem seus lucros e seus dividendos.

5) Diversificar a carteira com investimentos de correlação negativa

Por fim, os investimentos no exterior trazem uma importante proteção para seu portfólio: a correlação negativa.

Normalmente, quando a bolsa de valores no Brasil cai, o dólar tende a subir. Então, seus investimentos no exterior ajudam a diminuir a queda da carteira em momentos ruins das ações brasileiras.

Assim, você fica com uma carteira com volatilidade menor e com tendência de grande crescimento no longo prazo.

VEREDITO

Agora que você já sabe os prós e contras dos ETFs no exterior, além de saber para que tipo de estratégia são mais adequados, está mais apto a decidir se eles fazem sentido na sua carteira de investimentos.

A minha opinião é de que vale sim investir em ETFs no exterior, pois não considero as desvantagens tão prejudiciais assim.

Acredito que os benefícios que uma carteira diversificada com investimentos no exterior superam muito os pontos negativos.

Confira a Carteira Internacional do Jornada, que será atualizada todos os meses, com valorização e rendimentos.

Por fim, gostaria de saber de você. Já investe no exterior? Pretende investir agora? Deixe um comentário!

Grande abraço!

Vitor Hernandes


Por fim, gostaria de saber de você. Já investe no exterior? Pretende investir agora? Deixe um comentário!

Grande abraço!

Vitor Hernandes