COMO A MASTERCARD MULTIPLICOU EM 11 VEZES SEU PATRIMÔNIO

A Mastercard TRIPLICOU seu faturamento em menos de 10 anos. Ele saltou de 5,53 bilhões de dólares em 2009 para 15 bilhões de dólares em 2018. O preço de negociação das ações aumentou 11 vezes nesse mesmo período! Mas o que aconteceu na última década para a empresa ter tanto resultado?

Mudança de Visão!

Em 2010, ingressou na empresa o indiano Ajay Banga, que trabalhou por 14 anos no Citigroup. Ele chegou para reformular a empresa, mudar sua cultura. “Com o Banga, passamos de uma empresa de cartão para uma companhia de meios de pagamento. Depois, viramos fornecedora de tecnologia para meios de pagamento. Hoje, somos uma empresa de tecnologia”, diz João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard no Brasil e no Cone Sul (Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai).

Mudar é fácil? Não!

Nem todos aceitam mudanças. Paro Neto diz que foi desafiador mudar a cabeça de funcionários que estavam há anos com a mesma visão. Muitos não se adaptaram e tiveram que sair e, inclusive, mudou-se a forma de contratação. Antes muito focada em conhecedores do mercado financeiro, a empresa passou a focar mais em profissionais da área de tecnologia. Em menos de 10 anos, de zero engenheiros de dados, a empresa passou a ter 1.500!

Tem poder quem arrisca! Inove, seja diferente!

Em 2013, bateu na porta da Mastercard uma empresa nova. Essa empresa tinha ideias que assustavam e para a qual a maioria das empresas não deu bola. Eles eram muito pequenos, ousados demais. Uma start-up que ousava querer concorrer com os grandes bancos. Essa start-up bateu na porta de grandes empresas de cartões, mas apenas a Mastercard abriu as portas.

Essa empresa foi a Nubank! A Mastercard comprou a ideia da inovação e apostou na fintech que, na época, ocupava apenas uma pequena casa, quase literalmente uma empresa de garagem. Hoje, a Nubank está avaliada em 4 bilhões de dólares.

Além disso, a Nubank puxou uma fila que seria a grande virada da Mastercard. Tendo obtido já a maestria em se trabalhar com uma fintech, a Mastercard hoje atende diversas empresas com exclusividade, como Banco Inter, Agibank, Pag!, C6 Bank, além de sólida parceria com Mercado Pago e PagSeguro. Além disso, eles estreitaram o relacionamento com grandes bancos, como Itaú e Santander.

Tudo isso fez com que a Mastercard virasse o jogo contra sua maior concorrente, a Visa. Segundo o Banco Central, somando transações no crédito e no débito, a Visa teve 991,8 milhões de transações em 2010, enquanto a Mastercard teve 680 milhões. Já em 2017, a Visa teve pouco mais de 1,41 bilhões de transações, enquanto a Mastercard teve quase 1,79 bilhões de transações.

Tem poder quem age!

A Mastercard conseguiu chegar ao camarote para assistir às transformações do mercado, acompanhando as inovações. Mas decidiram parar de assistir de camarote para tornarem-se protagonistas, sendo eles mesmos a mudança no mercado.

A Mastercard mudou a concepção de entregar os resultados sozinha e passou a apostar nas parcerias. Tem investido bilhões de dólares em parcerias, inteligência artificial e big data.

Pretendem sumir com os cartões criando soluções diversas, popularizando pulseiras, óculos, aplicativos de celulares e até chips subcutâneos como meios de pagamento!

Recentemente, comprou a NuData (start-up canadense). Estão desenvolvendo tecnologia de reconhecimento do dono do cartão que vai além de biometria e reconhecimento facial. A ideia é que seja percebido pela forma de pegar o celular, modo de pressionar os botões e até leitura de batimentos cardíacos para quem tem a pulseira, por exemplo. Tudo isso utilizando de inteligência artificial.

Inovação e melhoria contínuas

Seguindo a nova visão, a empresa reformulou o logo, tirando o nome, mantendo apenas os círculos e está implementando a identidade sonora. Assim como a Intel tem um som característico da marca, a ideia é fazer o mesmo com a Master, de forma que, a cada transação, a Mastercard seja reconhecida.

No início deste ano, a Mastercard prosseguiu com mais uma grande tacada que poderá ser uma das mais disruptivas no mercado financeiro. Unida à Apple e ao Goldman Sachs, desenvolveram o Apple Card. A ideia do Apple Card tem potencial para deixar os grandes bancos com medo. Segundo Paro Neto, tem potencial para alcançar boa parte do globo e se tornar um meio de pagamento de proporções colossais.


Thais Shimada