COMO INVESTIR COM A QUEDA DA TAXA SELIC?

COMO INVESTIR COM A QUEDA DA TAXA SELIC?

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Depois de 1 ano com a Taxa Selic Meta em 14,25% ao ano, na semana passada, tivemos a reunião do Copom que definiu a nova taxa em 14,00%.

Muitos leitores têm perguntado sobre o reflexo disso em nossos investimentos com perguntas do tipo:

– O Tesouro Selic ficará pior que a poupança?
– Como ficam os investimentos atrelados ao CDI?
– Os títulos atrelados à inflação são mais interessantes?
– Agora é a hora dos títulos prefixados?
– Vale a pena especular nos títulos do Tesouro Direto?
– Como ficam os investimentos de renda variável?

Portanto, sem muitas delongas, apresentarei minha opinião sobre cada um desses assuntos para tentar ajudar você a investir melhor nesse período de transição!

O Tesouro Selic ficará pior que a poupança?

Quem acompanha nossos artigos e participa do nosso grupo de discussão no Facebook sabe que sempre indico o Tesouro Selic como reserva de emergência por diversos motivos que não cabe ficar frisando aqui novamente para não ser repetitivo (leia os artigos nos hyperlinks destacados).

No entanto, com a recente queda da Selic e com a expectativa de mais quedas por vir, muitos leitores têm perguntado se ainda vale a pena continuar investindo nesse título.

Primeiramente, é importante saber que, se a taxa Selic está sendo reduzida, é porque a inflação está começando a entrar nos eixos.

Isso significa que, mesmo tendo uma rentabilidade nominal mais baixa, o Tesouro Selic na verdade será beneficiado nesse cenário, pois a rentabilidade real (isto é, acima da inflação) tende a ficar maior.

Em segundo lugar, vale lembrar as duas regras de rentabilidade possível da caderneta de poupança:
– Se Selic Meta > 8,5% ao ano, a rentabilidade é TR + 0,5% ao mês.
– Se Selic Meta <= 8,5% ao ano, a rentabilidade é TR + 70% da Selic Meta.

A taxa referencial (TR) é historicamente um valor bem baixo, quase sempre inferior a 2% e muitas vezes até menor de 1% ao ano.

Além disso, ela é calculada com base na média dos CDBs/RDBs prefixados oferecidos pelos bancos em cada mês.

Portanto, em período de juros altos, a TR tende a ser mais alta e vice-versa.

Veja a seguir um gráfico com a comparação de valores anuais entre IPCA, poupança e taxa Selic:

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Observe que a taxa Selic sempre se manteve acima da poupança e do IPCA (a inflação oficial do país), enquanto a poupança quase sempre permanece acima da inflação, mas tivemos períodos em 2002 e 2015 em que a inflação foi maior.

Portanto, mesmo em cenários com a Selic baixa, como foi em 2012 e 2013, por exemplo, ela ainda permanecerá acima da poupança e da inflação.

Vimos, então, que não faz sentido nenhum trocar o Tesouro Selic pela poupança, mesmo com a queda dos juros.

Como ficam os investimentos atrelados ao CDI?

Outro investimento que muitos usam como reserva de emergência é o CDB com liquidez diária, que alguns bancos de médio porte oferecem com rentabilidade de 100% do CDI.

Com a queda da Selic, muitos querem migrar do Tesouro Selic para esse tipo de CDB alegando que terão uma rentabilidade ainda mais interessante.

Porém, é fundamental saber que o CDI acompanha de perto a taxa Selic, ficando sempre um pouco abaixo dela.

Com a queda da Selic Meta para 14,00% ao ano, a taxa Selic real fica em 13,90% e, consequentemente, o CDI fica 13,88% (veja aqui no site da Cetip).

Nesse caso, se o Tesouro Selic tem sua taxa de rentabilidade nominal reduzida, todos os títulos atrelados ao CDI também têm.

Os títulos atrelados à inflação são mais interessantes?

Como a rentabilidade dos títulos atrelados ao CDI caem junto com a redução da Selic, muitos investidores começam a querer investir mais em títulos atrelados à inflação.

No entanto, lembre-se que, se a Selic está sendo reduzida, é porque a inflação também está caindo.

Ou seja, a rentabilidade nominal de títulos atrelados ao IPCA ou IGPM também cairá. Porém, a rentabilidade real será maior, pois a inflação terá menos impacto sobre seu dinheiro.

Nesses períodos de inflação alta, surgem mais oportunidades de encontrar títulos que paguem uma taxa prefixada alta além da correção da inflação, garantindo uma rentabilidade ainda melhor.

Por exemplo, no começo do ano, chegamos a ver o Tesouro IPCA+ com taxas de IPCA + 7,8%. Atualmente, essa parte prefixada está na faixa de 5,5%.

Quem conseguiu comprar naquele momento travou uma excelente rentabilidade acima da inflação.

Agora é a hora dos títulos prefixados?

Também muito se pergunta sobre os títulos prefixados.

Como você já sabe, esses títulos travam uma rentabilidade anual em determinado patamar.

Isso faz com que, quanto mais cair a inflação, maior será sua rentabilidade real, ao contrário dos outros títulos que estão sempre atrelados à economia de alguma maneira.

No entanto, o risco do prefixado é de você travar uma rentabilidade e a inflação chegar próxima desse valor ou até mesmo ultrapassá-lo.

Para exemplificar, temos hoje o Tesouro Prefixado na faixa de 11% ao ano.

Se a inflação bater 10,67% como foi em 2015, essa rentabilidade de 11% será insignificante em termos reais.

E pior: se a inflação superar os 11%, você estará perdendo poder de compra.

Por outro lado, se a inflação voltar a ficar em patamares mais baixos, como 4 a 6%, a rentabilidade real será mais alta do que se tivesse com os títulos atrelados à Selic, CDI ou IPCA.

O problema é que essa taxa atual no Tesouro Prefixado já precifica uma grande e rápida queda dos juros, o que pode não se concretizar.

Veja: com Tesouro Selic pagando 13,90% ao ano, comprar um título a 11,00% só se justificaria se você acreditar que a Selic cairá mais de 3% em um período muito curto.

Como sabemos que no Brasil tudo é imprevisível, já não temos a mínima ideia do que esperar para 2018 em termos políticos, o que eleva demais o risco desse título.

Nunca gostei de títulos prefixados, pois eles são muito especulativos.

É claro que é possível ter excelentes rentabilidades com eles. Quem comprou no início do ano encontrava taxas prefixadas de até 20% ao ano em bancos de pequeno e médio porte.

Naquela época, o mercado realmente estava com um pessimismo elevado e tínhamos perspectivas de que poderia piorar ainda mais, pois não sabíamos o que vinha pela frente.

Hoje, a expectativa é de melhora, embora muito precise ser feito ainda.

De qualquer maneira, na minha opinião, não vale o risco-retorno.

Para especulação, prefiro utilizar a estratégia que falo a seguir ou mesmo investir em renda variável.

Vale a pena especular nos títulos do Tesouro Direto?

Essa pergunta aqui provavelmente é uma das mais recorrentes!

Quem já fez nosso Mini-curso Tesouro Direto sabe que os títulos Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado sofrem marcação a mercado, sempre oscilando até a data de vencimento.

E é nessas oscilações que você pode embolsar um lucro maior antecipadamente ou mesmo ter prejuízos, caso não saiba o que está fazendo.

Há pessoas que vendem cursos falando especificamente dessa estratégia, como se fosse possível viver fazendo somente especulação com títulos públicos.

É importante que você saiba que essas oscilações, via de regra, não ocorrem em poucos dias. É verdade que de um dia para outro há variações, mas não são muito significativas.

Normalmente, os ciclos de alta e baixa de juros levam anos. O que estamos presenciando neste ano de 2016 é um período de transição, onde conseguimos ver títulos com rentabilidades muito altas e que agora já estão bem mais baixas.

A expectativa é de que essas taxas caiam ainda mais, elevando o preço unitário dos títulos, ou seja, dando mais lucro para quem já investiu.

Assim como investir no Tesouro Prefixado, adotar essa estratégia é pura especulação, pois, embora a expectativa seja de queda de juros, não sabemos se ela se concretizará.

O título ideal para se fazer essa operação é o Tesouro IPCA+ 2035, pois é o que sofrerá mais oscilações por estar com o vencimento mais distante e, portanto, é o que trará mais lucro se o cenário estiver correto.

O Tesouro IPCA+ 2050 com Juros Semestrais não tem a mesma intensidade, porque a distribuição dos rendimentos diminui o preço final que ele deve atingir no vencimento.

Feitas essas considerações, vale a pena especular com esses títulos?

Pode ser que sim, desde que se saiba o que está fazendo e quais as consequências disso.

Muitos defendem que é bom manter o título com a rentabilidade alta travada até o vencimento. E realmente é, caso o título não volte a oferecer taxas tão atrativas.

Uma boa estratégia é comprar nessa expectativa de queda dos juros, pois, embora você não esteja comprando as taxas com as melhores rentabilidades, seu risco de o cenário dar errado também é muito menor.

E a venda se daria quando, daqui a alguns anos, entrar novamente em tendência de alta dos juros, pois aí você saberá que dificilmente seu título se valorizará ainda mais.

Como acredito que a tendência é de queda nos juros, eu manteria esse investimento por mais algum tempo, especialmente quem comprou nas excelentes taxas do início de 2016.

Para reforçar meu argumento, revelo até que comprei um pouco de Tesouro IPCA+ 2035 na última semana com objetivo de especulação (e tenho uma parte com objetivo de longo prazo, em outra corretora para não misturar).

E por que aceito especular com Tesouro IPCA+, mas não compro prefixado?

Porque no Tesouro IPCA+, mesmo que o cenário não se concretize, não terei prejuízo se levar até o vencimento e sempre terei uma boa rentabilidade real.

Pode ser que daqui a uns meses ou anos as taxas do Tesouro IPCA+ estejam em 3%, por exemplo. Aí cabe avaliar se há outros investimentos para você alocar o dinheiro quando decidir vender.

Se não tiver nada tão interessante quanto IPCA + 3%, pode ser melhor manter o investimento nesse título.

Enfim, não existe uma fórmula pronta e muito menos uma única estratégia que seja correta. Você pode ter títulos para comprar e carregar até a data de vencimento como também pode ter títulos para especular. Depende do seu perfil e conhecimento.

Como ficam os investimentos de renda variável?

Muitos leitores perguntam também se agora é a hora de entrar na renda variável.

A resposta aqui é novamente dependente da expectativa dos juros futuros.

A bolsa de valores em geral já está precificando a queda dos juros. A questão é saber quanto disso já foi precificado ou se pode subir ainda mais.

Porém, algo importante que devo ressaltar é que o momento de comprar só é crucial se você for investir uma grande quantia de uma só vez.

Se a sua ideia for comprar aos poucos todo mês para acumular FIIs e ações e receber rendimentos e dividendos, não precisa ficar se preocupando com a hora certa, pois automaticamente você terá uma média de cada momento.

Para especular, o timing também é muito importante, porque nesse caso se está operando somente os preços.

Portanto, para quem quer especular, acredito que o momento seja bom e que tenha ainda espaço para mais subida da bolsa em geral.

Para quem tem estratégia de buy & hold, o momento de comprar é sempre!

Considerações finais

Apresentei aqui as minhas opiniões sobre cada tipo de investimento e se considero o momento adequado para cada um deles.

Com certeza, há investidores que pensam diferente de mim, assim como há outros que concordarão.

O importante é você adquirir conhecimento sobre cada tipo de investimento e estratégia para que você defina o mais interessante para você de acordo com seus objetivos, perfil e preferências.

Deixe nos comentários os pontos com os quais você discorda para que possamos debater!

Grande abraço!

Vitor Hernandes